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Direto da Agência » 18.03.2016 - Mayara Ximenes – Conexões e Comunicação

Vila Kennedy: Palco de novas realizações

A Vila Kennedy, comunidade localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro, é o palco das quatro ações que começaram a ser realizadas a partir do dia 04 de Março, pelo projeto Liga Antiéticos.

A Liga pretende através de batalhas de rima estimular a aproximação dos moradores da comunidade com elementos da arte urbana como o grafitte e o rap. E, a partir dessas movimentações artísticas, levantar o debate sobre questões raciais. O projeto foi idealizado pelos três integrantes do grupo de Rap Antiéticos Flavio Antiéticos, Thiago Ultra e William da Silva. Todos jovens negros e moradores da periferia.

“Eu nasci e cresci na Vila Kennedy. Foi lá que comecei a ter os primeiros contatos com a música. Meus pais tinham um monte de vinis e eu gostava de passar as horas livres escutando eles. Além dos meus pais, na minha infância o Da Vila, hoje meu amigo pessoal, era o responsável pela rádio comunitária aqui da VK, e tocava as mesmas músicas que eu escutava nos vinis. Eu comecei a frequentar a rádio e depois eventos de rap como o Hutuz com ele e outros amigos. Esse foi o início de tudo” comentou, William da Silva.

UM NOVO ESPAÇO DE PROTAGONISMO

Muito se fala sobre a capacidade que projetos sociais precisam ter na hora de mobilizar pessoas, sobretudo, as que estão inseridas no seu público alvo. Nesse momento, é importante entender como elas podem se envolver na realização do projeto para além de estarem ali só como espectadores.

Essa  foi a sacada que os integrantes da Liga Antiéticos investiram junto com a tutora da Rede Agência, Rosieli Leal. Eles observaram que dentro da Vila Kennedy existem jovens com perfil realizador. Alguns já haviam organizado eventos e outros tinham conhecimento teórico para produzir, mas nunca vivenciaram uma experiência prática.

Marta Andrade, de 17 anos.

“Eu estudo administração num colégio técnico. Já tinha estudado planejamento lá no colégio e os meninos sabiam. A princípio, eu achei que administração não podia ajudar em nada na produção de um evento, mas não é verdade, tem muita coisa em comum”, compartilhou Marta Andrade, de 17 anos.

Ela ficou responsável pelo cronograma de apresentações da primeira batalha da Liga Antiéticos. Com seus conhecimentos sobre planejamento, sua missão era controlar se os equipamentos dos músicos estavam ‘ok’ e se o tempo previsto para as apresentações era respeitado.

“Fiquei muito feliz pela oportunidade que me deram de fazer parte da equipe de produção da Liga. Também faço curso de DJ e depois de ajudar na realização da batalha já penso em futuramente fazer faculdade de produção cultural” ressaltou, Marta.

Além dela, completam o time de produtores locais Andryo, conhecido pelas vielas da Vila Kennedy como Manin, e Brenda Lov (13 anos), estudante de audiovisual e grafiteira.

Manin é integrante do grupo de Rap MEC 4 e realiza a batalha da liberdade. O jovem tem uma forte relação de  proximidade com os moradores da Vila. Conhece geral! Desde o bonde da praça até as pessoas que moram no “morrinho”- uma das partes mais altas da comunidade. Essa relação é o que tem facilitado a mobilização e envolvimento de mais pessoas do território com o projeto da Liga.

Manin realizador da batalha da liberdade.

“Eu já realizava eventos aqui na favela, mas é sempre bom quando chegam novas propostas de eventos pra cá. A Zona Oeste precisa cada vez mais de eventos que envolvam arte e cultura e, principalmente, que valorizem os artistas e fazedores daqui” pontuou, Manin.

Além da facilidade para mobilização por esses jovens estarem inseridos no território, dar a eles a oportunidade de se colocarem  enquanto realizadores influência diretamente na sua autoestima.

Brenda Lov, de 13 anos.

“Eu sou muito tímida, fico sem jeito de falar com as pessoas, mas no dia do evento, por estar envolvida na produção, eu tinha que me comunicar e isso foi ótimo. Conheci um monte de gente legal e me aproximei de pessoas daqui da Vila. Minha mãe, que estava no evento da Liga Antiéticos, ficou toda orgulhosa de mim” Brenda Lov.

Da identificação com o lugar de origem, do olhar otimista em relação às crianças e jovens da comunidade, do desejo de levar ações que impactem positivamente os moradores e os dê a oportunidade de se colocarem como protagonistas, é que se definiu a Vila Kennedy como palco das ações da Liga Antiéticos.