Vestir a camisa da Agência

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Vestir a camisa da Agência

Por Barbara Horrana e Carolina Lourenço

Desde o início da história da humanidade o ato de desenhar esteve presente como uma forma de indicar existência de vida. Ao longo de muitos anos, das artes rupestres até o desenvolvimento de desenhos científicos (como o do Homem Vitruviano, de Leonardo DaVinci), passando pelo desenvolvimento das Belas Artes e chegando em outras expressões simbólicas –  como aquela do rito de passagem que é desenhar (e escrever) nas blusas dos colegas ao final do ano escolar – a arte de desenhar contribui com a construção e manifestação de afeto e pensamento.

Assim como foi a pedra, o papel e a tela, as camisas da Agência de Redes para Juventude são o suporte para a expressão do desejo dos jovens bolsistas do ciclo 2015. Com a liberação para personalização das camisas, Camila Stork, bolsista do núcleo João XXIII, em Santa Cruz, colocou em sua própria blusa elementos que representam todo o seu entusiasmo em aprender os instrumentos explorados em cada estúdio de criação.

“Eu quero colocar a minha blusa em um quadro porque já me imagino contando para meus netinhos o que a bússola, o inventário e o abecedário acrescentaram para a minha vida pessoal”, conta Camila. Ela, integrante do grupo Projeto Orchestra, ideia que visa à inserção de pessoas em dependência química no universo da música, relata que aprendeu a desenhar em Sepetiba onde frequentava as aulas de um tatuador. Lá a jovem aprendeu também a colocar piercings. Com isso, junto de uma amiga, trabalhou durante muito tempo na praia da Barra da Tijuca desenhando tatuagens de henna nas pessoas.

A camisa Agência da bolsista Camila Stork contém vários pontos de sua trajetória pela metodologia

Assim como a jovem do João XXIII, também houve quem escolhesse a camisa da Agência como ferramenta para manifestação de suas ideias. Alessandro Fontes, ou Alec Fontes como gosta de ser chamado o bolsista do núcleo Batan, reproduziu na parte de frente da blusa um filtro dos sonhos e um lobo, ambos vistos na internet. Na parte de trás, uma guitarra representa o primeiro projeto que pensou em desenvolver dentro da Agência: uma escola de música. Embora Alec tenha integrado um novo grupo, ele ainda assim estará perto de sua habilidade enquanto desenhista. O Estilizando, ideia de projeto da qual faz parte agora, é uma barbearia que troca seus serviços por peças de roupas que serão estilizadas por ele e os demais membros do projeto.

Sua principal fonte de referências é a internet. E customizar apenas sua própria camisa não foi suficiente. Ele já desenhou na blusa de alguns de seus colegas de território como Karen, Milena, Kleyton e Lorran e, segundo ele, todos aprovaram a arte. “Eu me ofereço para desenhar, saio rabiscando”, completa.

A camisa que, em principio, serve como uma identificação formal num determinado espaço, no decorrer do tempo, vai ganhando novas formas e discursos. A blusa da Agência vira mais um objeto que carrega características de cada bolsista que a veste e ajuda a levar os desejos dessa galera pela cidade.

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