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Geração Agência: Núcleos realizam primeiras entrevistas para o ciclo 2015

por Jeandson Moreno, Maycom Brum e Juliana Sá

O primeiro sábado oficial do ciclo 2015 da Agência de Redes para Juventude começou agitado. Na Lapa, os jovens criadores de projetos em ciclos passados tiveram a primeira reunião da nova fase da Rede Agência (veja aqui como foi), enquanto nos territórios rolavam as entrevistas para os novos bolsistas do ciclo de desenvolvimento de ideias da Agência, o ciclo de estímulos.

Foram semanas de mobilização, com o apoio das mídias sociais e das tecnologias locais, como carro de som e faixas. O resultado foram mais de 1200 inscrições nos seis núcleos de atuação da Agência e um sábado intenso de conversas, novas ideias e desejos brotando dos mais diversos tipos de jovens de origem popular.

Neste post, você confere um pouco mais sobre as entrevistas na Cidade de Deus, no Núcleo Centro e Pavuna.

Na Cidade de Deus, o dia começou bem cedo (e ensolarado) para os jovens, que já estavam de prontidão às 9h  para as entrevistas na ASVI CDD (Associação Semente da Vida da Cidade de Deus). Grande parte deles chegavam em bondes, outros sozinhos. Diferentes regiões da comunidade – como Pantanal, Treze, Quinze e Karatê – estavam presentes.

Jeane Cristina, 16 anos, estudante, veio junto com a mãe Kátia Helena, 36 anos. Segundo ela, a Agência é uma oportunidade de gerar impactos positivos para a juventude no lugar. “É uma ajuda para lá na frente você ser alguém na vida. Ela não vai estar largada, tem um curso para fazer. Daqui pra frente esse curso já é uma porta de emprego, e assim por diante, é a vida…”, afirmou Kátia.

Quando perguntado se poderia tirar uma foto dele junto com a sua bicicleta, Alex não pensou duas vezes: "Pode! Melhor ainda! Essa bike é relíquia."

Com uma camisa de basquete grená, Alex Dias, de 23 anos, chegou para a entrevista na CDD.  Alex trabalha como camelô durante o dia e à noite estuda no supletivo Projovem para concluir o ensino fundamental. Ele, que soube da Agência de Redes para Juventude através de amigos,  julga necessário o desenvolvimento de sua quebrada.  “Achei a ideia legal, boa, pra comunidade sempre é bom. Espero que muita gente  tenha essa iniciativa, trazer projetos bacanas pra comunidade que às vezes é muito discriminada, mas tem muita coisa legal também”.

O mediador Alex Nanin em entrevista. Esse sábado também foi o primeiro contato da nova equipe com os territórios em que a Agência atua.

No núcleo Centro, as entrevistas aconteceram na Paróquia de Santana, na Praça Onze. Lá, diante da grande concentração de jovens dos mais variados lugares – principalmente das favelas São Carlos, Mineira, Providência, Jacaré e Maré – pudemos ver que é possível criar interações entre esses espaços populares para além de seus conflitos históricos.

Diego Cruz, 15 anos, morador da Providência, foi um dos jovens que chegaram junto nesse dia. Com família espalhada na cidade – alguns de seus outros irmãos moram na Maré – e com o tráfico muito presente na sua trajetória familiar, o jovem traz o desejo de mudar a narrativa desses territórios junto com a construção do seu projeto de vida. “Fiquei sabendo dessa parada de Agência por um amigo que estava vindo, me arrumei e vim”, conta o jovem que gostaria de ser jogador de futebol, mas que vê na construção dessa carreira um distanciamento dos três irmãos que cuida. “Quero estar aqui pra mudar um pouco minha vida e aonde vivo, não sei muito o que fazer, mas quero fazer”, conclui o jovem que certamente já é uma potência na cidade.

 

A seleção para o núcleo Pavuna reuniu na Arena Jovelina Pérola Negra jovens cheios de capacidade inventiva com o desejo pulsante de disputar novos espaços de atuação. Os intervalos das entrevistas eram aproveitados como uma oportunidade de conhecer novas ideias e aproximá-las. Cada novo contato aumentava a frequência de estímulos que trazia mais um amigo, conhecido ou vizinho para bater aquele papo com a equipe.

Assim, ao longo do dia, a Pavuna só vencia com as possibilidades apresentadas para reinventar seu espaço! Uma das ideias lançadas foi a do João Victor, de 17 anos, que deseja criar uma gravadora de rap. “Minha expectativa é abrir uma gravadora para ajudar quem não tem tanto dinheiro a conseguir realizar o projeto que tem em mente”, ressalta João. Ele acredita que a música é uma forma potente de gerar mudanças no seu território.

No próximo sábado vai rolar uma segunda rodada de entrevistas. O trabalho não para!

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