Uma biblioteca lotada de novas ideias

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Uma biblioteca lotada de novas ideias

Um clima de tensão misturava-se a um clima festivo no terceiro andar da Biblioteca Parque da Rocinha. Ali, onde os jovens se reúnem todos os sábados já há alguns meses para os estúdios de criação da Agência de Redes para Juventude, o frio na barriga tomava conta. Apesar do grande café da manhã e das atividades começarem um pouquinho mais tarde, os jovens não conseguiam esconder certo nervosismo. Era dia de pré-banca. Dali a alguns minutos estariam apresentando os seus projetos para 4 convidados que comentariam suas idéias.

Antes de começar era preciso dar os últimos detalhes dos projetos. Checar os

Favela Jobs se prepara para a pré-banca

planejamentos, orçamentos, calendários dos três meses de execução, e claro, como que seria a apresentação.  Os jovens ocuparam o terraço da biblioteca consultando os universitários e mediadores, que auxiliavam na última amarrada do que ainda estava solto dentro do projeto. “Estou como se estivesse bem encaminhado, por dentro dos assuntos, dos planos, da metas”, comentou Michael Santos, de 18 anos, do Favela Jobs.  A apresentação gerou mesmo nervosismo, mas a confiança no trabalho nos grupos de estudos tranquilizou o bolsista.

Flávia Brandão, de 24 anos, também do Favela Jobs, nesse sábado de pré-banca teve companhias notáveis para verem sua apresentação: seus dois filhos. “Eles me perguntam, quando estou em casa elaborando o projeto se eu estou estudando pra prova. E quando eu venho aqui falam que estou indo estudar na biblioteca”, comentou rindo, com os dois ouvindo atentamente o depoimento da mãe.

O projeto Showkey se apresenta para a pré-banca

Ali do lado Rayanne Dias e Raisa Dias do “Showkey” (antigo “Designer de Favela”) também se preparavam para apresentação.  Grupo de estudo e reunião online foram meios de treinar a expressão de seus entendimentos do projeto para pessoas que não o conheciam. “Coloquem no papelzinho o cronograma do projeto, o que vocês vão fazer primeiro”, lembrou a universitária Gabriela Franco.

Na varanda outro grupo se preparava, um dos últimos a ficarem prontos, mas que nem por isso ficavam atrás. “A gente se reuniu bastante durante os grupos de estudos e depois do que a gente apresentou na Pavuna acho que a gente está muito bem para apresentar o projeto para banca” comentou com segurança Deocleciano Martins, de 21 anos, do Intervêm Favela.

Antônio Carlos Firmino, da Sankofa, Michel Silva, do Fala Roça, Flávio Pé, do fórum de cultura da Rocinha e Juan Albarracin, estudante de doutorado em ciências políticas foram os convidados da pré-banca. Juntos ponderavam e comentavam os projetos que iam sendo apresentados. O nervosismo sempre caminhava ao lado dos jovens, mas não impediu que boas idéias fossem muito bem apresentadas. Uma das falas que chamaram atenção foi a de Flávia Brandão,  do  Favela Jobs, “Eu quero tirar os jovens da zona de conforto”.

“Sarau Cultural LGBTS”, “Favela Jobs”, “Intervém Favela”, “Showkey”, “CSC- Centro de Cultura e Socialização”, “Somos Alguém”, “Favela Games”. 8 projetos, 8 desejos sendo disparados, todos eles pensando em como reeinscrever a significação de seus territórios, como trabalhar uma ação dentro da sua região, criar um movimento para os participantes do projeto e para os que estão em seu entorno. Boa idéia na Rocinha não falta. Na próxima semana a disputa vai ser acirrada na banca, e parece que os jurados terão muito trabalho ao decidir quem desses jovens deve continuar.

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