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Um projeto dentro do projeto

É impossível não reparar e admirar os brincos coloridos enfeitando as orelhas de quase todas as mulheres da Agência de Redes para Juventude, tanto as bolsistas, quanto as integrantes da equipe. Outra coisa irresistível é a vontade de comer chocolates, provocada pelos  pacotes de trufas que brotam – de repente – no sábado da Agência. Miriam Santos e Katlen Luiza encheram de estilo e sabor os encontros da Desencubadora.

“DIFERENTE E ÚNICO”

Uma das primeiras a aparecer com o acessório foi a tutora Kel Canela, que logo fez questão de divulgar entre as demais. “Eu lembro de ter chamado muita gente para ver, de ter incentivado. Eu acho que precisa existir uma rede séria, consolidada que dê suporte aos afro empreendedores”, comentou.

Miriam Santos, de 21 anos, enlouquece as mulheres da Agência com os mais diversos brincos

A responsável pela agitação causada nos sábados de Desencubadora é Miriam Santos, de 21 anos, criadora do Inclusive, na Rocinha. Além de vender em bazares virtuais, ela contou que viu no público da Agência – em que as mulheres são a maioria – uma oportunidade de conquistar novas clientes.  “Lá [na Agência] fala muito de oportunidades. Vi um meio de ganhar dinheiro usando a percepção do ambiente em que eu estava. No começo fiquei com vergonha, mas a Kel me deu a maior força, me impulsionou para frente, me deu dicas”.

De acordo com Miriam, o produto se destaca por ser diferente e único. “Você não vai ver outra pessoa com um igual”, assegurou. Quem os confecciona é a mãe da jovem, Ana Letícia, que aprendeu o ofício sozinha. A maior fonte de inspiração e referência das duas é o Instagram, porque, segundo Miriam, “lá tem bastante variedade de coisas que você pode aprender a fazer, e dá super certo”. No final de março, a marca expôs pela primeira vez na Feira Crespa – projeto da Rede Agência – na Arena Jovelina Pérola Negra, Pavuna. Convidada pela idealizadora da Feira, Elaine Rosa, Ana Letícia mostrou-se animada com a iniciativa e observou que faltam mais espaços como esse, que incentivam a cultura negra, na cidade.

AS TRUFAS DA KATLEN

Katlen Luiza, de 19 anos, teve a ideia de produzir trufas durante um seminário da Agência

Uma das criadora do Orchestra, no João XXIII, Katlen Luiza, de 19 anos, também se agarrou nas oportunidades e utilizou as ferramentas apresentadas na Agência para abrir o próprio negócio: as deliciosas trufas recheadas que – com seus diferentes sabores – tiram qualquer pessoa da dieta. Quando não é ela quem faz a propaganda, tem sempre alguém para ajudar. Dessa forma, aproximadamente 30 trufas são vendidas por sábado somente no horário da tarde.

A ideia de investir no projeto de vida surgiu no NOW – Seminário Internacional de Cultura e Juventude, realizado em 2015, na mesa “Jovens e Cultura – Renda ou Emprego?”. Ela, que precisava ajudar financeiramente em casa, percebeu a possibilidade de ganhar dinheiro sem ter que abandonar a escola e o Ciclo de Estímulos da Agência. “Se não vendesse nada, não ia ter renda. Lá que eu tive a ideia de vender as trufas. Vi que tinha um público, comecei a vender aqui e também onde eu moro”.

Katlen, que já pensa em fazer um curso de culinária, é quem produz as trufas. Ela teve as primeiras orientações durante uma conversa inesperada enquanto aguardava atendimento na Clínica da Família. “Uma mulher começou a me falar como fazia o recheio, como derretia a barra. Eu coloquei aquilo na minha cabeça”. Esse foi o ponto inicial para ela inventar as próprias receitas, e afirma que os sabores preferidos da galera são o de maracujá e o de coco.

Com o sucesso das vendas, a jovem empreendedora mobilizou a família e os amigos para ajudá-la. A mãe e o irmão confeccionam as embalagens, enquanto a equipe da Agência e os amigos do grupo divulgam e dão sugestões para a fanpage da marca dos doces. “Aprendi muito aqui. Das vezes que eu pensei em desistir, muita gente estava me ajudando, incentivando a não parar. Minha mãe vê que [a Agência] é uma coisa boa pra mim, ela vê que é uma coisa que acontece”, concluiu.

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