Um projeto bate a sua porta

Ensaios no Borel
30 de novembro de 2012
Mapeando potências
6 de dezembro de 2012
Exibir Tudo

Um projeto bate a sua porta

“Você não sabe
O quanto eu caminhei
Pra chegar até aqui
Percorri milhas e milhas (…)”

A música A Estrada, do Cidade Negra, embalou o vídeo feito e exibido pela mediadora Rafaelle Castro, com fotos e trechos de vídeos de todas as tarefas e de todos os jovens que passaram pela Agência de Redes para Juventude, no núcleo Batan, no último sábado.

Nessa reta final, o cansaço e as incertezas não deixam de aparecer e nada mais apropriado do que assistir às nossas próprias transformações (tanto a dos bolsistas, quanto a da equipe) para ver que cada passo está valendo a pena. Ver as atividades iniciais, os amigos que seguiram outra caminhos e ver o quanto as coisas mudaram em dez sábados.

E o título da música não poderia ser mais apropriado para o dia que começava. A principal atividade a ser realizada naquele sábado seria a de mobilização para o projeto. No próximo sábado cada grupo irá apresentar sua ideia em um seminário no território, portanto, eles convidaram pessoas importantes da comunidade para conhecerem as novas atividades da juventude do Batan e do Fumacê (ou Conjunto Residencial Água Branca, uma favela vizinha ao Batan).

As meninas da Central das Explicadoras, junto com a universitária Marianne Rocha, encontraram na rua da associação de moradores Tia Ieda, explicadora do Batan há mais de 30 anos.  Na Rua Elza Gomes (logo depois do Beco do Chuveirinho), encontramos a explicadora Vanusa.

Na caminhada, encontramos também Cintia, do Territórios da Paz. "Vocês são o exemplo e o futuro da comunidade" disse ela que também se animou muito com o projeto, afinal, está fazendo doutorado em educação. Quase num puxão de orelha, disse às meninas que nunca parassem de estudar ou trabalhar, mesmo que duas vezes mais que outros jovens da cidade.

As duas ficaram encantadas com projeto de Carolina Farias e Tatiane Cardoso. Tia Ieda relatou que são muitas as crianças que chegam em sua casa já na terceira série e não sabem ler. Já perdeu a conta de quantas crianças já alfabetizou. Com esse encontro, o Central ganha mais credibilidade, pois acompanhar essas profissionais pode causar uma significativa mudança no território.

O Mosaico Cultural também encontrou várias pessoas na Feira de Saúde e mobilizou muitas pessoas que já trabalham com dança no Batan (como Michel, estudante de dança na UFRJ), além de empreendedores locais que estão dispostos a incentivar o projeto de alguma maneira, seja com a cessão de espaço ou apoio logístico (como

Debora Alves ficou muito feliz com essa ação. Ela chegou no Batan, vinda de Belém do Pará e participou do primeiro ciclo da Agência. No ano passado, não conhecia tanto a comunidade e não sentia a mesma confiança nos colegas de trabalho do antigo grupo.

Agora, na sua segunda experiência de mobilização, sentiu-se mais integrada na comunidade e na sua ideia. Agora ela tem fé de que seu projeto será concretizado, pois seus colegas possuem a mesma linha de pensamento, os mesmos desejos.

Na parte da tarde, foi a vez dos projetos Éduka, Grafitando Histórias e Se Liga Batan percorrerem o Fumacê para mobilizaram aquela comunidade para o encontro no próximo sábado.

Fizemos vários encontros e um deles foi com a vice-presidente da associação dos moradores, Rogéria Xavier. Ela nos recebeu muito bem e não nos negou generosas quantidades de água, afinal, caminhamos muito num sol pré-verão.

A conversa foi muito longa e empolgada. Como saldo desse papo, Rogéria ficou de mobilizar mais moradores para a reunião do próximo sábado. Ela ficou encantada ao ver que os jovens do Fumacê – ou como ela gosta de ressaltar, Conjunto Residencial Água Branca, afinal, o nome pelo qual a comunidade é conhecido remete a uma ideia limitada do que é aquele lugar.

O projeto Grafitando Histórias veio a calhar nesse momento, pois vai ao encontro de um projeto de Rogéria em documentar a história da comunidade. As percepções de Larissa de Souza sobre as paredes e muros que formam aqueles prédios está sintonizada com o que a comunidade que ver de si.

No final do dia, alguns grupos treinaram suas apresentações para banca. Entre algumas palavras e posturas a serem acertadas, o trabalho já está bem encaminhado. E como fez prometer o mediador Sergio Telles (que agora está com nossos colegas do Cantagalo) o Batan vai chegar até a banca! Uhul é o Batan (o Fumacê, as favelas da Zona Oeste, um outro Rio de Janeiro).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *