Subiram um piano para o Cantagalo

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Leonardo Januário, 21 anos, criou o Bela Arte Jazz, projeto desenvolvido no núcleo Cantagalo/ Pavão-Pavãozinho da Agência de Redes para Juventude, e tem diversos motivos para se alegrar. Além de ver o desenvolvimento musical de seus alunos, Leonardo recebeu um dos maiores prêmios do nosso Laboratório de Aprofundamento, e acaba de ganhar um piano para aulas e eventos do projeto. A doação é fruto de uma parceria iniciada no seminário Todas as Redes, que reuniu os jovens da Agência, realizadores, artistas e ativistas com o objetivo de conectar redes da cidade.

No seminário, que aconteceu em novembro de 2012, na Escola de Comunicação da UFRJ, foi anunciada a premiação dos 18 projetos do Laboratório de Aprofundamento da Agência, onde o Bela Arte Jazz foi contemplado com R$ 22.500  para expandir e consolidar suas ações no território, que já atingiram 35 alunos na comunidade. No dia 23 de fevereiro, Leonardo realiza o primeiro Jazz na Laje, série de eventos que a cada mês apresentará o resultado das aulas para pais e moradores do Cantagalo.

“Aqui não é lugar de piano, é lugar de percussão”, disse um dos funcionários da transportadora que ajudou a subir o instrumento de mais de 200 kg para a sede do Bela Arte. No fim, ele teve de concordar, “é, até que ficou bonito aí…”. Confira abaixo a entrevista com Leonardo Januário. Ele conta como consolidou a parceria que resultou em uma verdadeira saga da subida de um piano pelos becos da favela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando e como aconteceu a parceria?

No Todas as Redes, muita gente quis saber mais sobre o projeto que mistura favela e jazz. Em janeiro, recebi uma mensagem através do Facebook da Ilana Paterman Brasil, designer que mediou esta parceria com o doador, que não quis se identificar. Ela perguntou se o projeto tinha interesse em receber um piano, com a entrega realizada por uma transportadora – porque, se fogão e geladeira já são difíceis de subir em favela, imagina um piano de 200 kg.

 

O piano subiu pro Cantagalo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Você vê o projeto se fortalecendo através de outras parcerias como esta?

Sim. Foi fundamental a chegada do piano, veio na hora certa. Eu já estava me preparando para comprar um teclado.

Quando e como o projeto começará a usar o piano?

Já estamos usando. Não damos aula de piano, usamos para estudar a parte teórica da música, para treinar solfejo, improvisação. E em breve para eventos, como o Jazz na Laje que será realizado a partir de fevereiro.

Quantos alunos frequentam as aulas?

Hoje temos 15, mas já passaram 35. Alguns viajam, se mudam, não se adaptam, manter alunos é difícil.

Quais são as ações do Bela Arte Jazz neste ano?

Teremos as aulas, que acontecem três dias na semana, um dia para cada instrumento. Dia 23 de fevereiro, realizaremos o primeiro Jazz na Laje, um workshop dos instrumentos, três edições estão programadas, uma por mês, uma para cada instrumento. Após as três edições, realizaremos um grande evento num fim de tarde, que reunirá todos os instrumentos estudados nos eventos anteriores, com vista para o pôr-do-sol do Cantagalo.

Que desejo te move hoje?

Parar no meio desta laje e ouvir todos os alunos tocando seus instrumentos em suas casas. Como uma vez em que ouvi daqui um aluno tocar de sua casa por apenas 10 minutos. Liguei para ele dizendo que ele precisava ensaiar mais tempo. Meu desejo é que cada aluno possa ter seu próprio instrumento para estudar também em casa.

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