Santa Cruz: um mar de possibilidades

De Santa Cruz a Ipanema: novas leituras da cidade
11 de setembro de 2015
Inventariando a Pavuna
21 de setembro de 2015
Exibir Tudo

Santa Cruz: um mar de possibilidades

Os Estúdios de Criação tem sido o lugar onde, a cada encontro, os jovens bolsistas conhecem e se apropriam um pouco mais da metodologia da Agência. No último sábado, dia 12, eles conheceram dois novos instrumentos: o Inventário e o Mapa.

Os bolsistas passaram mais uma vez por um processo de ampliação de repertório, conhecendo inventários e mapas de diversas naturezas, como os de Artur Bispo do Rosário, para que, a partir dessas informações, se inspirassem a criar os Inventários e Mapas dos seus projetos. Cada instrumento deveria cumprir um objetivo especifico.

Na produção do inventário, o jovem faz um reconhecimento do seu território, identificando tudo o que existe ali relacionado à ideia que pretende desenvolver e pode ser útil para que esse projeto se desenvolva. Já no mapa, ele  identifica que tipos de parcerias podem ser estabelecidas em relação ao que ele conseguiu reconhecer como útil para o seu projeto no momento do Inventário, estipulando qual o grau de potência que cada um deles tem para viabilizar o seu projeto.

Partindo dessas informações, o Inventário seria o que existe de promissor no território e o Mapa um estudo de como usar essas potências.

Enxergando o território como um mar de possibilidades

Para muitos jovens, a construção do Inventário foi um processo de desconstrução do olhar que eles tinham em relação ao seu território. Alguns conseguiam enxergar nesses territórios redes que pudessem viabilizar parcerias e facilitar a execução do seu projeto. Em outros, esse olhar precisou ser trabalhado.

Victor Vieira tem 21 anos e mora em Santa Cruz.

Victor Vieira, 21 anos, tem como ideia de projeto produzir um evento cultural de Artes Urbanas, trabalhando vertentes como grafite, skate, poesia, fotografia e música. O rapaz não teve dificuldades em identificar possíveis parceiros para desenvolver a ideia dentro do território.

Na verdade, houve gente que, ali mesmo, se disponibilizou para fechar parceria com o jovem, como foi o caso do seu amigo Tom Tatoo. A ideia de Tom foi sortear vales-tatoos para a galera que estivesse no evento.

Victor identificou ainda uma loja de skate da região como possível parceiro de divulgação, e um vizinho que possui tendas e isopores como parceiro para a ornamentação do evento.

“Santa Cruz é literalmente a última estação do Rio de Janeiro, a última em tudo, por isso quero fazer esse evento aqui, pra revolucionar  algo.  Na história, Santa Cruz  foi um lugar potente, porém, hoje em dia virou um lugar esquecido”, afirmou o rapaz no início da atividade.

Ao final, no entanto, depois de produzir seu inventário, conseguiu olhar o lugar onde vive por uma ótica mais otimista, identificando, inclusive, pessoas que o inspiram na comunidade. Seu Walter, funcionário do Ecomuseu de Santa Cruz,  foi citado como uma inspiração para Victor.

“A história de Santa Cruz me dá inspiração, mas, tem uma pessoa especificamente que me inspira muito, o Seu Walter. Trocar ideia com ele é irado, ele é funcionário antigo lá do Ecomuseu”, conta.

“A última vez que conversamos, ele falou que o nome do espaço é Ecomuseu porque ele precisa das pessoas que identificam Santa Cruz como um bairro histórico importante, juntos com o museu nesse trabalho, que sem essas pessoas o museu não conseguiria continuar existindo. Acho muito maneiro uma pessoa idosa dizer que precisa de nós, jovens, pra manter viva a história do lugar”, complementa.

Ressignificar o território foi um dos desafios enfrentados também pela jovem bolsista Thaís Castro, de 15 anos. Ela tem a ideia de desenvolver uma escola de moda em Santa Cruz, com oficinas de turbantes, customização de roupas e corte e costura, e ficou surpresa com a mudança de percepção em relação ao local onde mora.

Segundo Thaís, a atividade realizada no estúdio de criação a ajudou a perceber como tem tanta coisa ao seu redor e que, antes, passava despercebida. “Eu nunca parei para olhar ao meu redor porque sempre fui mais focada lá pra baixo, a área da moda só ta lá pra Zona Sul, lá que tem os produtores de moda, os fotógrafos de moda tão pra lá, aqui não tem nada. Mas depois eu vi que pode ter sim, porque, na verdade, não é o lugar e sim as pessoas. Se uma sabe costurar, se outra sabe desenhar, se outra sabe fotografar, dá pra surgir um projeto através disso”.

A atividade de inventariar e mapear as possíveis parcerias do projeto idealizado por Thaís, na atividade do último sábado, fez a jovem dar um novo sentido ao seu território: Santa Cruz como um lugar de criação. Desmitificando a imagem de que a Zona Oeste é uma região onde tudo se falta, de poucas oportunidades, e fazendo os jovens perceberem potenciais que podem ser desenvolvidos ali mesmo e que eles foram capazes de identificar o quão produtivo é esse local.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *