REGINA, RAQUEL E MICHEL: OS CAMINHOS POTENTES DE TRÊS JOVENS QUE PASSARAM PELA METODOLOGIA DA AGÊNCIA

CICLO 2019: O CICLO DA ESCUTA E DO AMADURECIMENTO
27 de setembro de 2019
REGINA, RAQUEL AND MICHEL: THE POWERFUL PATHS OF THREE YOUNG PEOPLE WHO PASSED THROUGH AGÊNCIA’S METHODOLOGY
9 de outubro de 2019
Exibir Tudo

REGINA, RAQUEL E MICHEL: OS CAMINHOS POTENTES DE TRÊS JOVENS QUE PASSARAM PELA METODOLOGIA DA AGÊNCIA

Já ouviu falar do Favela Orgânica? Do projeto Providenciando a Favor da Vida? E do jornal Fala Roça? Eles têm uma coisa em comum: todos foram criados por jovens que passaram por algum dos ciclos da Agência de Redes para Juventude. Regina Tchelly e Raquel Spinelli participaram do primeiro ciclo, em 2011; Michel Silva, do segundo, em 2012. Apesar de completamente diferentes entre si, os três projetos surgiram a partir das ideias desses jovens para impactar seus territórios. Na Babilônia e Chapéu Mangueira, na Providência, ou na Rocinha, e em mais vários outros territórios no Rio de Janeiro, é esse o trabalho da Agência: potencializar jovens de favelas e periferias para que eles sejam protagonistas de seus desejos e de suas ações.

Regina completava 10 anos trabalhando como empregada doméstica quando descobriu a Agência. Algo dentro dela dizia pra procurar outro caminho: “Queria trabalhar com algo que fizesse bem a mim e às pessoas ao meu redor, e eu já sabia que estava pronta, mas precisava de um empurrão”. A Agência foi o empurrão que ela precisava, e em 2011, nasceu o Favela Orgânica. O projeto surgiu do desejo de Regina de trabalhar com comida, uma comida que fosse afetuosa, que transformasse, e que valorizasse o consumo consciente. Regina já levou as palestras e oficinas educacionais do Favela Orgânica para vários lugares do Brasil e do mundo, e virou até apresentadora de TV! Mas foi no seu território, na favela da Babilônia, onde tudo começou. Ela diz que com a Agência, passou a enxergar a potência que já existe dentro da própria favela: “Aprendi a potencializar saberes locais, e passei a conectar as redes dentro da favela”, conta.

Michel entrega o jornal Fala Roça a um morador, na Rocinha | Foto: Kita Pedroza

Saindo da Babilônia em direção à Rocinha, chegamos a um dos fundadores do jornal Fala Roça, Michel Silva. Nascido e criado lá, ele viu na Agência a possibilidade de atuar no seu território: “Eu queria montar um projeto no morro, e enxerguei a metodologia como uma oportunidade para botar na prática o que tinha em mente”, diz. Ele conta que no ciclo dele havia um grupo de jovens com diferentes ideias na área da comunicação, e que eles chegaram num consenso de montar um projeto único de comunicação. Com a metodologia, fizeram um mapeamento da memória local. Da união desse resultado com o desejo de criar um veículo informativo, nasceu o Fala Roça. No processo de criação do jornal, Michel diz que aprendeu a olhar a cidade com outros olhos, buscando entender a geopolítica dela: “Passei a disputar os espaços e as narrativas que colocam sobre as favelas. Nos locais que vou e participo de debates e rodas de conversas, ressalto que a favela é potência. Isso foi algo que ouvi muito na minha época de Agência e sempre reforço nas minhas falas”, conta.

A Agência reforça que favela é potência porque ela de fato é, e Raquel Spinelli é mais uma jovem pra comprovar isso. Em 2011, ela sabia que queria fazer algo pela comunidade dela, a Providência, mas não sabia como e nem por onde começar. Mas Raquel já estava atendendo muitas adolescentes grávidas na igreja. O que faltava era um norte pra estruturar seu projeto de assistência e acolhimento a essas adolescentes e jovens grávidas. Durante a metodologia, ela construiu várias redes, em universidades, com profissionais renomados e com instituições mais experientes que somaram muito no seu aprendizado: “Eu não sabia como fazer projetos e nem como conseguir ajuda. Na Agência fui aprendendo a fazer tudo isso e me desenvolvendo. Foi um divisor de águas na minha vida”, comenta. Ela diz que a passagem da Agência na vida dela também marcou muito seu território: “Hoje não consigo imaginar como seria ficar sem atender as gestantes, são muitas me procurando querendo participar. Virou algo muito forte, não tem como acabar”.

Belly Mapping: Raquel pinta a barriga de Tayrine, uma da jovens do projeto Providenciando a Favor da Vida

A potência desses jovens e das favelas está aí, espalhada por todo o Rio, nas mais diversas áreas. E assim a Agência segue, estimulando os jovens a serem protagonistas de seus próprios projetos, sempre com a preocupação de trabalhar muito bem o processo. O processo importa, a criatividade importa, o fortalecimento de redes importa. Mudar a narrativa, entendendo os jovens de favelas e de periferias como potentes, e não carentes, importa! E é com a certeza da importância de todas essas questões que seguimos, juntos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *