REDES PARA AGIR

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REDES PARA AGIR

Jovens de mais de 22 comunidades se reuniram na Arena Jovelina Pérola Negra, na Pavuna, no último sábado, dia 05, para celebrar a conclusão de um ciclo de criação de ideias de projetos destinados aos territórios onde moram e à cidade que desejam ter.  O encontro, que proporcionou o intercâmbio entre vinte e duas comunidades, também abordou redes importantes, além da Agência de Redes para Juventude, para os bolsistas se potencializarem e explorarem novas trajetórias.

Na primeira parte do dia, Marcus Faustini – criador da metodologia da Agência – apresentou as redes de fomento e de proteção, representadas pela Secretaria Municipal de Cultura e pela Anistia Internacional. Durante a apresentação, Julia Pacheco, da gerência do edital Ações Locais, destacou a mudança nas políticas de investimento, que agora remetem ao território, e a presença crescente da juventude nessas iniciativas. “É importante que o jovem participe para que nós consigamos aumentar o número de prêmios”.

Julia Pacheco da gerência do edital Ações Locais do Rio de Janeiro.

À tarde, os jovens da Agência preencheram um card com nove indicações de redes. Entre elas, as escolhidas pela coordenação e anteriormente mencionadas por Faustini, as “Redes para o meu projeto” e “Redes para minha vida”. Fontes de informação, cursos técnicos e profissionalizantes, organizações já existentes, contatos e pessoas influentes foram pensados ao longo da semana pelos universitários e mediadores, de acordo com cada jovem e a ação que deseja realizar. A moda agora é agir na cidade e, para isso, os bolsistas devem reconhecer e se articular com outros projetos, com o objetivo de reinventar o território.

||| ACESSO LIBERADO |||

Naiara Nascimento e Alex Dias, da Cidade de Deus, logo entenderam a importância de se conectar e integraram o CDD Patina, iniciado pela também bolsista Maria Clara, que ensina crianças a andarem de patins e promove passeios incentivando a circulação pela cidade através desse esporte. Para enriquecer a iniciativa, foram apontadas como as redes de reconhecimento o projeto Patinadores de Olaria e a ONG SBR Rocinha Radical.  Já a subprefeitura de Jacarepaguá, identificada como a rede de invenção, poderá providenciar melhorias na ciclovia da comunidade.

Uma das sugestões para o desenvolvimento pessoal de Naiara é a formação em Negócios Sociais no Sebrae, uma vez que ela também administra a ONG Comitê da 3ª Idade Instituto Dona Benta. Alex, que já busca por atividades culturais e de socialização de forma independente, poderá formalizar sua participação nesse meio com o curso de Agente Cultural da Secretaria de Cultura.

 

“Às vezes a gente quer fazer uma coisa e não tem certeza se é aquilo mesmo. É interessante ter opções expostas para gente escolher”. Foi assim que Rowena Valença, do Batan, avaliou o card de redes. Na lista para os projetos de vida, uma das opções é uma visita ao curso de Psicologia da UFRJ, área que ela deseja estudar, e acompanhar o trabalho da mediadora e psicóloga Flavia Lisboa.

Além dos universitários, os jovens da Rede Agência também deram dicas para o projeto dela, Notas Viajantes, um documentário sobre a história do Batan. Beatriz Calado e Michel Silva do Fala Roça, jornal impresso da Rocinha, indicaram como inspiração o Rio minha infância, desenvolvido por alunos da PUC para resgatar memórias de Bangu. Para eles, trocar ideias com as pessoas envolvidas ajudará na construção do roteiro do filme de Rowena, Junior e Alessandro.

Quem chegou junto com os bolsistas da Rocinha e do Centro para somar na identificação de redes foi o IntervemFavela, produtora cultural com intervenções urbanas na Rocinha, e o CineBatan, cineclube que acontece na casa dos moradores do Batan. “A gente não pode começar tudo do zero. Vamos olhar os outros que já começaram e já agem no território”, apontou Lucas Pablo, do IntervemFavela, que falou sobre a importância de procurar auxílios dos projetos já estabelecidos no território para impulsionar as realizações.

Para acrescentar nessa expansão, Bruna de Moraes, realizadora do CineBatan, destacou como as redes de reconhecimento no território podem dar credibilidade e viabilizar ações. “Os moradores cedem as casas para os debates e filmes. Sem casa, não teria cinema”, explicou ela e ainda reforçou “usem e abusam dos contatos, eles serão fundamentais”.

||| AMPLIANDO O SINAL |||

Os jovens da Pavuna souberam aproveitar as escolhas dos universitários e as articulações já realizadas. Ao Solta Voz, portal de notícias da Pavuna, foi apontado como potência Rene Silva, do jornal Voz das Comunidades. Sem perder tempo, os integrantes do grupo iniciaram uma conversa por whatsapp e firmaram parceria. Na troca de mensagens, Rene disse estar entusiasmado para acompanhar a caminhada desse novo veículo de comunicação. “É importante ter um jornal nesta área que é criminalizada, como o Complexo do Alemão, precisamos mudar isso”.

Em meio à repercussão da tarefa, Marcos Rodriduez, da marca de roupas Dialeto, falou que “é importante também dizer que todas as pessoas podem utilizar a rede do outro sempre que precisar, pois os projetos já são uma rede”. Diogo Bardu, do projeto da Rede Agência Rap na Reta, chamou atenção para o momento certo de ativar as redes. Sua sugestão foi sistematizá-las por categorias para ficar mais fácil entender qual delas acessar primeiro.

 

Vínculos no processo de agenciamento dos projetos. Esse foi o papo puxado por Gilherme Roberto, da Livreteria Popular Juraci Nascimento, e Felipe Salsa, d’Os Descolados, com os jovens do João XXIII. Com a experiência de quem já passou pelo Ciclo de Estímulos e agora integra a Rede Agência, Guilherme e Felipe frisaram a importância dos bolsistas estarem atentos ao seguinte questionamento: Quais seriam as melhores redes para o meu projeto?

Para exemplificar a importância de focar neste momento de agenciamento, Felipe destacou alguns exemplos. “As pessoas que estão perto podem nos ajudar a estabelecer redes e com isso não precisamos gastar dinheiro. Por exemplo, um projeto de contação de histórias pode atuar em parceria com a mediadora Sinara Rúbia que, há muito tempo, trabalha com literatura africana.”

||| SEGUE O FLUXO |||

Durante o Ciclo, Ellena Cassia, de Santa Veridiana, desenvolveu o Cíntegra, ideia de projeto que deseja fomentar o turismo histórico em Santa Cruz. Na lista das “Redes para o meu projeto”, a universitária Flávia Patrocínio indicou o NOPH-Ecomuseu de Santa Cruz como importante fonte de pesquisa para ela e o grupo que espera fortalecer aspectos históricos do bairro.

“A Agência está sempre mostrando que se preocupa com o rumo que vamos seguir, seja com os projetos, seja na vida pessoal. A identificação das redes facilita na hora da gente conseguir enxergar o que e quem pode vir para somar junto ao nosso projeto”, compartilhou Ellena Cassia.

 

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