Realizar na cidade

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Realizar na cidade

Encarar a juventude de origem popular como uma potência da cidade é um desafio pequenas grandes conquistas a cada momento. Segundo dados do Instituto Pereira Passos, nos bairros mais populosos do Rio de Janeiro (concentrados nas Áreas de Planejamento 4 e 5, na Zona Oeste) são mais de 180 mil jovens na composição de sua população.

Lançar um novo olhar para esse grupo social, para além de seus dilemas e com foco nas diversas dinâmicas inventivas, é a missão na qual a Agência se debruça. Mas não sem duas instituições próximas: o Instituto Eixo Rio e o SEBRAE-RJ. Trabalhar junto com jovens de origem popular faz aparecer diversas novas soluções para a cidade e nesta matéria você confere como essas organizações pensam esse campo.

Qual cultura procuramos valorizar?

Em 2015, a Agência de Redes para Juventude passou a ser conveniada à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através do Instituto Eixo Rio. O convênio foi um marco para a metodologia que, ao ser reconhecida pela cidade do Rio de Janeiro, mostra que a juventude tem menos questões e sim mais respostas para uma cidade menos desigual.

Segundo Vanessa Andrade, coordenadora de Articulação Institucional do Instituto, conta que a influência da metodologia em ações da prefeitura já acontece há algum tempo. “Já tiveram ações que vieram pela Prefeitura que tiveram colaboração entre o Eixo e a Agência. O  edital de Ações Locais é um exemplo. A Agência pontua a necessidade de você olhar para determinados territórios menos valorizados”, conta Vanessa que destaca ainda a necessidade do poder público acompanhar e entender que a cidade é viva. “O que existe em comum entre a Agência e o Eixo é a vontade de fazer e entender que há uma dinâmica em constante mutação na cidade. A cultura do Rio de Janeiro é uma cultura viva, sempre foi. E acompanhar essa dinâmica, mas acompanhar fazendo, potencializar a atividade”, completa Vanessa.

O Instituto tem outras iniciativas de apoio e também de articulação dos artistas de rua, grafiteiros, sambistas, empreendedores jovens e outros setores da sociedade civil. A missão é também estreitar a relação com o poder público., todas balizadas pelo lema: fale por si. Através deste setor, a Prefeitura que representa o respeito e o estímulo ao protagonismo destes realizadores na construção de outras narrativas e ações na cidade.

Uma delas é o EmpreedeRio, plataforma de capacitação e articulação de jovens empreendedores com parceiros internacionais; o Prêmio I.E.S de Moda; o GaleRio, espaço para exposição de arte urbana e um programa articulado a esse, o Circuito Escolar. Jovens de escolas públicas vão toda semana até a sede do Instituto, em Botafogo, para visitar as exposições do espaço. Além do apoio à Rede de Rodas de Samba do Rio de Janeiro.

Experimentar: agir e empreender no território

As interações entre poder público e ações no âmbito privado, sobretudo empreendedoras, são diversas. Desde o ambiente de negócios gerado pelas legislação, passando pelo contato direto através da contração de serviço ou produtos até a colaboração para a construção de outras políticas. Quem esclarece essas interfaces é Carla Teixeira Panisset, coordenadora do Comunidade Sebrae. O SEBRAE -RJ é parceiro da Agência desde seu início e dá suporte para a formação em empreendedorismo para os bolsistas.

“O outro papel do poder público é esse de um observador que pode transformar uma ideia de negócio num política pública. Ou mesmo que não transforme uma política, mas que se aproveite do que esse negócio gera para construir políticas mais relacionadas com o local onde ele quer construir”, conta Carla

Segundo a Pesquisa sobre Microempreendedorismo em Domicílios nas Favelas com UPP, feita em 2012 pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), 2/3 dos empreendedores de territórios com experiência de UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) nascidos no município do Rio de Janeiro provêm da própria comunidade. Esse dado aponta que empreendedores de favelas e demais territórios populares possuem relação afetiva com território e percebem dinâmicas que podem estar fora de uma compreensão hegemônica.

E a grande chance desse realizador ser jovem é alta: os pequenos empreendedores analisados na pesquisa se concentra na faixa etária de 25 a 59 anos.

Carla Panisset em um dos encontros com jovens realizadores da cidade.

Conciliar os diversos fatores que levam o jovem a empreender é uma tarefa desafiadora. Para Carla, diferente de gerações anteriores, os jovens com quais a Agência coopera já encaram o empreendedorismo como uma forma possibilidade de ganhar a vida.

As diversas experiências de pequenos negócios e prestação de serviço – como vender bala em transporte coletivo ou entregar quentinha –  criam um ambiente propício para esse desejo. E a metodologia da Agência, ao valorizar a vivência dos jovens e estimular o trabalho dentro do território, se conecta ao que existe de mais novo no âmbito dos processo formativos: aprender pela experiência.

“Esse formato da experiência é muito importante. E empreender está muito relacionado à habilidade pessoais. Então se você de fato é empoderado como a Agência faz e mostra pro jovem que é dele que vem esse poder de achar as duas possibilidades você consegue virar essa chave. Você além de um beneficiário, um usuário de um programa de capacitação pra jovens é um construtor disso”, conta Carla Teixeira Panisset, coordenadora do Comunidade Sebrae.

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