Rappercusom nas ruas: dança e som na Rocinha.

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Rappercusom nas ruas: dança e som na Rocinha.

A juventude da Rocinha invade as ondas de rádio e as ruas da comunidade. O papo é reto e o ritmo frenético. O dia 8 de novembro foi a data de estreia do Rappercusom, um programa de rádio realizado em paralelo a oficinas de percussão, hip-hop e passinho aos jovens da grande Rocinha. O projeto é desenvolvido por Fernando Motta (17), Luís Phellipe (19), Emerson Tiziu (21) e Suelen Ribas (20) durante o ciclo de estímulo da Agência de Redes para a Juventude.

A ideia de fazer um programa de rádio veio do desejo de assumir um lugar de fala que represente a voz da juventude de origem popular, principalmente, ligada à cultura urbana. A parceria para a transmissão do programa veio através de Ivo Moreno, DJ da rádio Destak, uma das maiores da Rocinha, que cedeu o horário das 18h para o projeto. Além disso, as oficinas são uma maneira de trabalhar a musicalidade presente na comunidade e criar intervenções por lá – como a mobilização feita no sábado para divulgar o programa.

Desafiando a intensa circulação de pessoas pelas ruas e a velocidade do cotidiano da maior favela do Brasil, o quarteto organizou duas intervenções artísticas pelos pontos de maior circulação da comunidade, pela manhã e tarde. Entre carros, vans e inúmeros motos-táxi, numa caixa de som começava a rolar o batidão do funk ou o som do hip-hop. E não demorou para que as pessoas se juntassem para ver o que acontecia ali. Para o flash mob, eles tiveram o apoio do grupo de dança Power of Dance, de onde vem um dos professores que dará as oficinas de hip-hop, e do professor de passinho Wirialles, mais conhecido como Buiú. Ele passava pela rua no momento em que a intervenção começou e foi contagiando pela dança e a vontade de ajudar no projeto dos amigos.

A mobilização rolava e a notícia do programa se espalhava pelas ruas da Rocinha. E o horário da estreia chegava. Luíz Phellipe, o Pezin Vegas, apresentaria o programa pela primeira vez naquela noite, mas não estava nervoso. “Já trabalhei com rádio há 3 anos. Lá, eu era DJ. Se a rádio precisasse de um DJ, eu tava lá, contratação pra festa, era tudo comigo”, relembra.

Fernando Motta e Pezin no comando do programa Rappercusom

O tema da estreia foi “Namoro ou Pegação?” e reuniu convidados, como Gabriella Santos, do projeto também desenvolvido na Agência, o Intervem Favela, e Ivo Moreno. A jovem não perdeu tempo e mandou o papo em defesa das mulheres quando o assunto é pegação. “Eu acho que a gente vive numa sociedade machista. Se o homem pode ficar com várias meninas, porque a mulher não pode, se ela tiver vontade?” disse Gabriela. A percepção geral dos integrantes do projeto é que a Rocinha é um lugar de muita pegação. Mostrando o outro lado dos relacionamentos da comunidade, Ivo Moreno fez uma convocação. “Quando você encontrar alguém de verdade vai ver que vale a pena largar a pegação”, conta o DJ.

Além da conversa, rolou também muita música. Cumprindo a missão de fortalecimento e divulgação dos artistas da região, os rappers M. Souza e MC Oz marcaram presença, com free style e cantando suas músicas de trabalho. “Hoje, eu tô na Vidigal, mas morei durante anos na Rocinha. Eu achei bacana [o projeto] e participar é uma forma de incentivo e de apoio. Existem vários programas [de rádio], mas nenhum deles com instrução pra galera chegar a uma parada maneira” contou M. Souza.

M. Souza e MC Oz ao lado de Ivo Moreno no Rappercusom

Quando uma ideia sai da desencubadora da Agência de Redes para Juventude e se torna ação na cidade é inevitável não lembrar de como todo esse plano ganhou corpo durante nossa metodologia. Fernando conseguiu identificar um instrumento muito importante para o dia, enquanto apresentava o programa. “O avatar, no caso, o feliz e o colaborador, foram interessantes. O avatar feliz pra mim foi o que mais aconteceu hoje no programa da rádio, e o colaborador porque cada um colaborou com o seu tempo na programação e flash mob”, analisa o jovem.

Acreditando no uso das expressões artísticas locais, o programa Rappercusom cria um novo espaço para a juventude e infância da favela, através das oficinas oferecidas que complementam os papos e interações do programa da rádio. Para acompanhar o trabalho dessa galera, você pode curtir a fanpage do programa.

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