Produzindo Inventários na Pavuna

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Produzindo Inventários na Pavuna

Enumeração, alistamento, arrolamento, catálogo, lista, relação, rol… Inventário.

No último sábado (24 de maio) os jovens do ciclo 2014 da Agência de Redes para Juventude da Pavuna, produziram inventários relacionados às suas ideias para o território onde vivem. A discussão sobre o que já existe na Pavuna e pode contribuir para a realização dos seus projetos faz parte da metodologia da Agência. Além do amadurecimento das ideias, que ocorre durante todo o ciclo de estímulos, o objetivo desta etapa é também estimular o diálogo entre o desejo do jovem e seu território, disparar conteúdo para sua ideia e começar um levantamento de possíveis redes a serem estabelecidas.

Carlos Michael organizando o "Museu do Nada" criado a partir dos objetos pessoais de cada um.

As atividades começaram com uma dinâmica desafiadora. Cada jovem da roda deveria se apresentar para o grupo de uma maneira diferente, falando sobre si usando um objeto que estivesse carregando. Surgiu de tudo: relógio, boné, isqueiro, fone de ouvido, lenço, caderno, casaco, chaves, celulares… Cada objeto falava um pouco sobre seu dono, sua personalidade ou algum fato ocorrido na sua vida. Depois de todos se apresentarem, surgiu um “Museu do Nada”, numa estante no canto da sala foram expostos todos os objetos usados. Ali estava um inventário: partes de cada jovem presente naquela sala, objetos importantes para cada um e carregados de significado (principalmente após a dinâmica), todos devidamente dispostos sobre a prateleira.

O mediador Thainã de Medeiros deu continuidade à conversa mostrando para a galera exemplos de colagens, instalações, obras de arte que podem ser consideradas inventários. Aumentar o repertório geral dos jovens, fazê-los conhecer o trabalho de artistas dos mais variados tipos, também é um desafio do Ciclo de Estímulos e está presente de maneira livre em todas as etapas da metodologia.

Chega, então, a hora de praticar montando um inventário qualquer em grupo. A única orientação da equipe é: sejam criativos! Dois grupos foram formados, reuniram-se por poucos minutos e apresentaram suas criações. A proposta era que o outro grupo descobrisse sobre o que se tratava a “lista” feita. Algumas pessoas enfileiradas se organizaram pelo tamanho dos pés, outros pelo tipo de cabelo, outros se dividiram entre os que vestiam calça e os que vestiam short ou bermuda e rolou até uma relação escrita de nomes esquisitos.

Thainã (à direita), mediador da Agência, e Robson Santana apresentando seu inventário.Como exercício para a produção de inventários, os jovens se organizaram pelo tamanho dos pés.

Após serem estimulados com todos esses exercícios, os jovens foram desafiados a se concentrarem e prepararem um inventário diretamente relacionado às suas ideias. Mais do que isso, deveriam apresentar seu trabalho para o grupo – desde já vão se familiarizando com a fala em público, com a defesa de suas ideias. Alexandre de Oliveira, 22 anos, pretende desenvolver um projeto de reciclagem. Para isso, relacionou escolas, lanchonetes e restaurantes que possam ser apoiadores do projeto, além de contar com o apoio de catadores de lixo e moradores da Pavuna. Robson Santana, também de 22 anos, teve a ideia da “Batalha das Navalhas”, um evento nunca antes realizado na Pavuna, em torno do tema de cortes de cabelo estilizados, próprios da cultura da periferia carioca. Fez um inventário dos nomes de cortes que conhece e de suas possíveis redes: salões, barbeiros, etc.

A criação de inventários não para por aí. Sempre em torno de uma provocação única, lançada não apenas para a Pavuna, mas para todos os núcleos – “onde minha ideia já existe no território? ” – os jovens deverão continuar suas pesquisas, observando o lugar onde moram e contando com o apoio dos mediadores e universitários locais da Agência.

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