Primeiro Cine Debate Agência na Cidade

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Tem espaço para tudo nas ruas do Complexo do Alemão. Enquanto nos bares e nas casas, aconteciam festas ao som de diferentes estilos musicais. Ao lado do Campo do Sargento, no qual crianças jogavam bola, acontecia o 1º Cine Debate Agência na Cidade, no EDUCAP,  sobre a necessidade da desmilitarização da cultura nas favelas.

O debate contou com a participação dos convidados Adriana Facina, professora da UFRJ, João Lima e Pamela Souzza, do coletivo Ocupa Alemão, Lúcia Cabral, fundadora do Educap e René Silva, do portal Voz das Comunidades, com mediação de Hanier Ferrer, da Agência de Redes para Juventude.

O encontro girou em torno das mudanças que aconteceram na produção cultural das favelas ao longo dos anos. Passando pelas manifestações dos últimos meses e pela dificuldade dos coletivos jovens das favelas em se organizarem em seus territórios, todos os presentes discutiram a necessidade de encontrar um meio efetivo de diálogo e ação com o poder público, uma vez que, como apontou Lucia “A questão é que esse prefeito ouve, mas só ouve, né?”, sobre a abertura do governo municipal à sociedade civil. “Lei do artista de rua, aqui?”, ironiza Pamela Souzza. É preciso que os mesmos direitos que outros territórios da cidade tem para criar e se expressar sejam garantidos e que as políticas públicas .

“O que é proibido? O que se narra ou quem narra?”. Essa questão foi levantada por Adriana Facina, quando a pauta era a cultura funk, que vive um duplo processo, de repressão e apropriação pela sociedade. “A dança funk conseguiu quebrar mais barreiras. Mas a música ainda é marginalizada”, completou Thainã de Medeiros, tutor da Agência e integrante do Ocupa Alemão, ao relatar a programação de uma emissora de TV. “Por que foi feito o proibidão? A arte é uma expressão e se algo foi falado é preciso saber o porquê. A sociedade se preocupa muito em julgar”, disse Joel Lopes, morador do Alemão.

“O abandono da cultura começa dentro da escola. A criança começa a ser alienada lá. O jovem entra com sua vivência, mas é tudo desfeito lá dentro”, diz Pamela Souzza sobre a falta de interação entre o território e o modelo educacional estabelecido não só nas comunidades, mas em outros lugares da cidade. “Muitos dos meus alunos já têm vergonha de ouvir funk”, completa Ítala Isis, professora de artes da rede pública de ensino.

O debate foi transmitido pela Mídia Ninja e está disponível aqui. O próximo Cine debate Agência na Cidade acontece na Faculdade Nacional de Direito, no dia 23 de agosto, às 18h30 e com o tema ‘Direito à Cidade’.

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