Papo de criança: Cecip e a participação da criança na cidade

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Uma das grandes missões do Pontão de Cultura Rede de Formação e Articulação dos Pontos para o Trabalho com Infância e Juventude é ampliar direitos das crianças e impedir a violação dos mesmos através da participação da criança no seu território. Para isso, a metodologia da Escola Livre de Cinema é a base das formações, pois permite a criança construir uma narrativa sobre si e o território. Diversas iniciativa no país procuram proporcionar a autonomia das crianças e neste boletim vamos conhecer um pouco mais sobre o trabalho do Centro de Criação de Imagem Popular (CECIP) é de fundamental importância para essa caminhada.

Histórico: comunicação e infância

Em 1986, o CECIP nasce na Baixada Fluminense com a TV Maxambomba, que até 2000 realizou diversas obras audiovisuais e exibições ao ar livre em Nova Iguaçu (com o apoio de uma kombi) e câmera aberta através da qual os presentes poderiam emitir sua opinião sobre qualquer assunto e ter sua imagem exibida na telona. Paralelo a isso, diversos filmes (como Boca de Lixo e Santo Forte) de Eduardo Coutinho (que foi presidente da ONG em 2012 e 2013) foram desenvolvidos ao longo dos anos com a equipe da ONG. Entre 1994 e 2006, além de diversas outras ações, incluindo a mudança da sede para o centro do Rio de Janeiro e a participação na criação da TV Pinel, o Centro elaborou diversos materiais, em diferentes plataformas, sobre a infância no país como Criança que trabalha compromete seu futuro; A Creche Saudável e Trocando em Miúdos as Diretrizes Curriculares Nacionais.

Em 2005 é fundado o Centro Cultural da Criança no Morro dos Macacos em parceria com o Centro Comunitário Lídia dos Santos, com atividades livres para crianças. Em 2008, começam as atividades da Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia do Rio de Janeiro com cursos de fotografia, vídeo, design (em diversas áreas) e computação. Em 2012, a ONG torna-se responsável pela praça do Conhecimento de Nova Brasília, que oferece oficinas e cursos gratuitos de arte e comunicação e de eventos comunitários.

Conheça mais sobre a história do CECIP aqui

 

TV Maxambomba, uma das pioneiras na TV comunitária no país (foto: Divulgação)

Em 2011, tem início o Criança Pequena em Foco com o objetivo de criar ações piloto (atualmente em Manguinhos, no Rio de Janeiro) para redução da violência contra a criança. Como desdobramento, o Prêmio Nacional de Projetos com Participação Infantil tem como objetivo dar visibilidade e ampliar a rede de projetos que levam em consideração a participação da criança em ações nas comunidades.

“No Santa Marta, trabalhamos a fotografia como dispositivo. Depois a abrimos uma discussão sobre as coisas boas e ruins da comunidade e chamamos os moradores para conhecer o olhar da infância. Na Babilônia, uma praça foi ocupada pelas bikes e era um espaço das crianças para jogar queimado. As crianças trouxeram um olhar específico para esse espaço”, conta Beatriz Pérez, coordenadora do Núcleo Infância do CECIP.

Núcleo de Infância

Além do Projeto Criança Pequena em Foco, o núcleo de Infância do CECIP tem as iniciativas De Mãos Dadas para uma Creche de Qualidade (voltada para a formação de profissionais para atuar em creches) e, em 2015, o Centro assumiu a secretaria executiva da Rede Nacional da Primeira Infância. Um dos objetivos dessa última linha de ação é influenciar em políticas públicas para a primeira infância (período da vida de um ser humano entre 0 a 6 anos de idade). Uma das principais pautas é a aprovação da PLC 14/2015 (antiga PL 6998/2013), conhecida como o “marco da primeira infância”.

O projeto de lei visa alterar artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para incluir pontos incluir diretrizes de políticas públicas para a primeira infância. Um dos pontos mais importantes é ampliação da licença paternidade para garantir uma presença qualificada dos pais nos início da vida dos filhos. Com essa mudança será possível também pensar em políticas integradas em diversas áreas (educação, cultura, lazer, esporte) para trabalhar com crianças que não estão ligadas a instituições como creches e escolas. Além de garantir uma infância mais segura, a aprovação do PL pode amenizar diversas outras questões sociais e vem com uma proposta construtiva diante de uma cenário de criminalizarão da pobreza. “A gente tem se envolvido e se posicionado contra [a redução da maioridade penal] porque o que a gente levanta é que esse adolescente cometeu um delito é porque teve um direito desrespeitado na primeira infância”, conta Beatriz Pérez, que aponta também a criação de um núcleo estadual da Rede.

O CECIP tem diversos materiais online, incluindo as metodologias de trabalho de seus projetos. Para conhecer mais, acesse o site oficial e assine também o boletim Criança em Foco.

 

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