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Uma equipe de filmagem sobe o Morro dos Cabritos. Mas não pense que era uma grande produção, à procura de imagens de adrenalina e ação. Assim como aqueles filmes realizados por quem vive nos espaços populares, o projeto História dos Outros, idealizado pelos jovens Caroline Campos, João Jefferson, Kauane Freitas, Luiz Henrique e Raquel Silva, propõe mostrar sua história, através da memória dos seus moradores mais antigos.

“A maioria dos moradores do Seiscentos (Morro dos Cabritos) nunca tinham visto uma câmera entrar aqui. A gente tinha que criar uma relação de confiança e por isso fizemos mapeamentos e convites afetivos”, conta Caroline. “O conceito do projeto é sobre memória. As lendas do morro não podem se perder, a gente não tem museu pra registrar”.

A ideia surgiu no último ciclo da Agência, no núcleo do Centro de Artes Calouste Gulbenkian, que reuniu jovens de mais de 17 comunidades do Rio de Janeiro. Durante o mês de maio, a equipe do projeto subiu as escadarias da Ladeira dos Tabajaras, até os Cabritos, mais precisamente na região conhecida como Seiscentos. Na última incursão ao Morro dos Cabritos, o objetivo do dia era capturar imagens de cobertura para o filme. Mas deu tempo de encontrar alguns personagens e descobrir mais acontecimentos.

A sra. Maria Rodrigues, 74, colecionadora de fotos, jornais e documentos antigos, é filha de um dos primeiros moradores do Morro dos Cabritos. “Nós chegamos de Campina Grande em 1956. Nosso pai fundou a associação de moradores. Aqui não tinha água, nem luz. O ferro era de brasa”, conta Maria que junto de seu irmão Hernani José, mantém a primeira casa dos pais, da década de 1950.

Ruth de Morais, 87 anos, fã de Altaufo Alves

 

 

 

 

 

 

 

 

A sra. Ruth de Morais, de 87 anos, estava almoçando quando a equipe chegou para devolver o DVD da sua festa de 80 anos. Foi quando ela resolveu contar a história do nascimento de sua filha Vera. “Ao invés de chamarem a ambulância, chamaram a patrulinha. Foi de repente. Quando cheguei no hospital, não gostaram muito não, porque estava tudo bem. Até disseram que ela pode se chamar Patrulina”, relembra Ruth, que mora nos Cabritos há aproximadamente 65 anos. Ela é fã de Cartola, Noel Rosa e de Ataulfo Alves. O olhar curioso de Felipe Motta (fotógrafo que auxilou nas filmagens do dia) encontrou uma raridade: o vinil pertenceu a Jorge do Pandeiro, um respeitado sambista.

Os vinis também são a paixão do sr. Vicente, 81 anos. Ele veio morar no Rio de Janeiro, vindo de Sergipe, em 1959. Mas viajou o Brasil inteiro realizando obras, como em Brasília e Minas Gerais. “Operário não é quebra galho. A gente faz prédio, ponte, metrô, trabalha até embaixo d’água”, conta Vicente, que na capital federal, chegou a trabalhar das 7h da manhã até 10h da noite. O dia terminou com imagens do cemitério São João Batista, onde existiu uma mina de água, onde os moradores iam lavar roupa.

Lançamento

O filme entra nessa semana em processo de montagem. O lançamento está marcado para do dia 13 de julho, no Lajão, e haverá exibições também nos próximos sábados de julho, dia 20 na quadra do Seiscentos, e dia 27 na quadra da Vila Rica. Veja mais fotos do dia aqui.

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