O abecedário da Cidade de Deus

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O abecedário da Cidade de Deus

O frio e a chuva não estavam nada convidativos para sair da cama às 8h da manhã no último sábado. Porém os jovens da Cidade de Deus venceram a doce preguiça e foram em peso para o estúdio de criação. O Abecedário é mais um instrumento disparador da metodologia da Agência de Redes para a Juventude e tem o objetivo de fazer com que os jovens em poucas palavras consigam expressar as suas ideias, tornando os seus projetos de fácil entendimento para os ouvintes e, consequentemente, para a Banca. Essa foi a missão do dia.

O Orkut e suas lições

Para começar a agitar o estúdio de criação, os jovens foram dispostos em roda e cada um teve que responder como foi a sua noite anterior, iniciando a sua frase com uma letra da ordem alfabética. Claro que na letra B não poderia faltar “Beijei muito”, na letra Z “Zuei com meus amigos” e na letra D o do “Dormi cedo” – caô mandado por um dos bolsistas que logo foi desmentido pela turma, com muito humor. Depois da galera empolgada, partiu aplicar a metodologia!

A segunda tarefa iniciou-se com a divisão da turma em dois grupos. A missão era a criar um acróstico da Cidade de Deus. Como nos depoimentos enviados para os amigos por intermédio do Orkut, os jovens resignificaram cada letra do nome do seu território com uma palavra ou frase que caracterizasse o local. A letra D de um dos grupos foi preenchida por Jéssica Silva com a palavra “desigualdade” pois, segundo a bolsista, existem diferenças dentro do próprio território, como por exemplo, a presença de projetos sociais.

Um dos acrósticos que os jovens fizeram sobre o que acham da Cidade de Deus

Como os jovens sempre fazem brincadeiras e adoram pegar no pé do produtor Márcio Gomes, um acróstico com o seu nome da CDD não poderia faltar. Maneiro, rico e até carinhoso foram qualidades ditas pelos bolsistas mostrando que zuação é sinônimo de afeto. O produtor local é a figura da Agência mais próxima do território, é responsável pela organização do local do estúdio de criação e todos as missões necessárias para as coisas aconteçam nos núcleos.

Aplicando o Abecedário

Após a descontração e entendimento do que é Abecedário, os jovens organizaram-se em seus respectivos grupos para criarem os Abecedários das suas ideias. Eles tinham que mostrar por intermédio desse instrumento: o objetivo do projeto; o público alvo; o local e, por último, a justificativa do projeto. No final do dia, tudo isso seria apresentada para a turma.

O grupo Minicheffe formou-se após a Feira de Ideias já que os seus integrantes faziam parte de outro grupo. Jullyana Ribeiro e Rodrigo Felix têm o desejo de realizar oficinas de culinária para crianças na Cidade de Deus. No abecedário do grupo, além de legumes e utensílios de cozinha,  a expressão “Zero acidentes” preencheu a letra Z. Afinal, um dos objetivos do grupo é ensinar as crianças cuidados que tem que ser tomados na cozinha para que não se machuquem enquanto preparam alimentos.

A letra J do abecedário do Brink’art significa “Juntos formamos jovens do futuro”. O grupo tem a ideia de fazer oficinas de idiomas e atividades de educação ambiental e alimentar para crianças na Cidade de Deus. “Juntos” também pode fazer parte do Abecedário da parceria de Marcos Mello e Caroline Ribeiro, integrantes do grupo, já que a parceria dos dois iniciou-se no ciclo passando quando foram aprovados pela Banca com a ideia do Spa Esportivo.

O grupo Por Quê Não? também utilizou a letra J para expressar um conteúdo importante da ideia. Eles preencheram com “Jogos para desenvolvimento cognitivo”, uma da ações do projeto que vai trabalhar a integração entre as crianças com necessidades especiais e crianças sem esse tipo de necessidade. A criação de um Blog foi mais uma ação revelada pelo abecedário. Na página do Facebook, o grupo pretende discutir sobre questões que envolvam os direitos de crianças especiais.

O grupo Fênix apresentando o seu abecedário e treinando a apresentação para a Banca

Pensar em como o grupo pode utilizar a internet para impulsionar o projeto foi justamente a sugestão dada ao Criando Futuros. Uma página no Facebook com muitos seguidores pode ser um dos argumentos para conquistar a Banca.

O dia fechou com as apresentações de cada projeto. O grupo Fênix levou desse momento a sugestão de melhorar sua exposição, pois foram muito extensos – afinal, não falta dedicação e motivo para que eles recebam os R$ 10 mil. 

O abecedário na Cidade de Deus serviu para os jovens ficarem mais confiantes com as suas ideias e tornarem cada vez mais obstinados conseguirem a aprovação da Banca e expandirem duas ideias no território. Falta pouco para o grande dia e será difícil  para os avaliadores escolherem apenas dois grupos no núcleo da CDD.

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