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Novos olhares para a população em situação de rua

Entre a correria da Av. Rio Branco, tanto de carros quanto de gente que sai para almoçar, um restaurante japonês recebe clientes diferentes. Uma jovem de origem popular, uma equipe de filmagem, a equipe da Agência de Redes para Juventude, o gerente de projetos Mauro Sarleno e Marco Carvalho, um dos hóspedes do Hotel Santana II, um abrigo para homens em situações de risco. Esses dois homens, de vidas diferentes, se encontraram no primeiro almoço da Agência ProFuturo.

Wylliana Lopes é coordenadora do ProFuturo, um projeto desenvolvido na Agência que vai promover 10 almoços entre pessoas em situação de rua e convidados. “Eu acho que fui muito corajosa. A mãe de uma amiga minha debochava, dizendo ‘a Wylliana vai trabalhar com mendingo’. Mas quando viu as coisas do projeto chegando, ficou impressionada”, diz a jovem de 23 anos, moradora da Providência. “No início foi difícil, tinha a questão da pessoa estar na rua ou não. Talvez tendo um lugar como referência teria mais confiança, seria melhor para interagir”, completa Wylliana.

Formar duplas

O objetivo desses encontros é colocar em contato uma pessoa em situação de risco e alguém que possa ajudá-la a sair desta situação.

No dia 25 de maio, o ProFuturo promoveu um café da manhã de confraternização e as entrevistas com os moradores do Hotel Santana II para selecioná-los para os almoços. Um dos escolhidos foi Marco Carvalho, 35 anos. “Por problemas familiares, de um dizer que a ‘essa casa é minha’, decidi tomar meu rumo. Mas nunca roubei ninguém, sempre catei minhas latinhas”, conta Marco.

Os moradores sugeriram possíveis convidados para o almoço. Um deles pediu a presença da presidenta Dilma Rousseff (assista ao vídeo). Por outro lado, o projeto também abriu inscrições para que outras pessoas pudessem participar. “Eu vi em alguma rede social e mandei um e-mail. Nunca dei sorte nessas coisas, achava um pouco armação. Mas quando a Willyana me ligou eu pulei de alegria. No telefone, ela estava preocupada em me mostrar que era uma iniciativa séria”, conta Mauro.

Documentário

Os almoços acontecem no restaurante Kimochii.  Todo o processo será registrado por Bruna Rafaela, Leandro Calixto e Caio Neves, estudantes de cinema na Universidade Federal Fluminense (UFF). “A ideia do documentário foi uma surpresa que veio da Banca. A gente tinha a ideia de registrar, mas com uma câmera dessas simples. Dai a Vanessa (Vanessa Sousa, tutora do projeto na Agência) conversou com os universitários e pensei que quanto mais visibilidade para o encontro, mais vamos mostrar a realidade dos moradores”, disse Wylliana.

“Pensei no início que a gente ia filmar no lugar onde a pessoa vive. Mas agora a gente tá lidando com a história de vida. Na montagem a gente vai descobrir como mostrar isso”, disse Leandro. “Nas entrevistas, descobri que não era só mais um projeto legal. Nem fizemos perguntas para um dos moradores que entrevistamos, parecia que ninguém nunca o quis ouvir”, conta Bruna, que vê no cinema uma ferramenta de apoio às ações do projeto.

Futuro

Marco Carvalho saiu do almoço com esperanças. “Já até sonhei que estava soldando navio, fazendo uma viga. Eu quero criar uma família, levar minha esposa para o cinema”, disse Marco. “Eu vou dar um celular para ele e vamos ver um curso de soldador”, disse Mauro. Para as próximas etapas do projeto, Wylliana quer trabalhar com mulheres. A ideia do nome de projetar um futuro diferente não poderia ser mais certeira.

Acompanhe as ações do projeto através do blog http://agenciaprofuturo.blogspot.com.br e na página do Facebook fb.com/agenciaprofuturo.

 

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