NOVOS CORPOS, VOZES E TERRITÓRIOS NO INSTITUTO MOREIRA SALLES

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NOVOS CORPOS, VOZES E TERRITÓRIOS NO INSTITUTO MOREIRA SALLES

Um novo exercício de escuta, trazendo arte, periferia e ativismo para a Zona Sul do Rio

 

O que leva um público a deslocar-se rumo a um festival, a uma palestra, a uma roda de conversa? Quem fala nesse festival? O local e sua posição no espaço-tempo? As questões a serem debatidas? O Instituto Moreira Salles se juntou à Agência de Redes Para Juventude em busca de refletir sobre essas perguntas. Da imersão com agentes culturais de diversas regiões periféricas do Rio de Janeiro, surgiu uma nova dimensão do que seria relevante para esse evento: a fala e a escuta. A pergunta disparadora do festival, “Quem fala e quem escuta?”, traz consigo a importância de ressignificar os espaços ocupados em muitos festivais.  No Escuta Festival, festival de arte, periferia e ativismo que acontecerá no Instituto Moreira Salles nos dias 13, 14 e 15 de dezembro, novos corpos, vozes e artes vão ocupar a fala, ao passo que um novo público de escuta também se formará. A novidade do público vem tanto de artistas, ativistas e acadêmicos de favelas e territórios periféricos, quanto de artistas, articuladores e produtores culturais que comumente ocupam o espaço da fala.

Pensadores e realizadores de diversas áreas do Rio em imersão no Instituto Moreira Salles

Além de ser a pergunta disparadora do festival, “Quem fala e quem escuta?” é a própria estrutura dele. Na mesa de abertura, artistas de vários campos e de várias periferias do Rio de Janeiro falarão sobre a presença de novos corpos, vozes e territórios no sistema da arte, e receberão a escuta de pessoas com notoriedade nesse campo. Na Resenha das Maravilhosidades da Palavra Falada, quem fala e quem escuta se misturam, em um momento de prática de afeto, com um local especial de cenário: a piscina do Instituto Moreira Salles, que pela primeira vez será aberta ao público. A poeta e organizadora do Slam das Minas RJ Geise Gênesis será a Mestre de Cerimônias da Resenha, e abrirá o espaço da piscina como esse espaço de trocas e de acolhimento, assim como são os espaços de resenhas nas periferias das grandes cidades do Brasil.

A abertura da piscina, dos jardins, e de tantos outros espaços do Instituto Moreira Salles representa a vontade de aproximar-se da cidade, de pensá-la na sua totalidade. O IMS fica situado na Zona Sul do Rio de Janeiro, no Alto Gávea – muito próximo à Rocinha, mas não tão próximo a outras favelas e periferias das zonas Norte e Oeste. No processo para a construção do festival, refletiu-se sobre a importância de pensar a cidade como um todo, de fazer com que essa cidade esteja presente no IMS, como ressalta o cineasta Emílio Domingos, um dos agentes culturais que participou da imersão: “Acho que é um desafio por conta de questões de mobilidade e até mesmo de hábito – as pessoas da Zona Norte e da Zona Oeste, da periferia da cidade, não costumam ir ao IMS. Mas a chegada da Agência vai gerar essa mobilização, essa nova perspectiva em relação ao Instituto, que tem uma importância grande na cena cultural da cidade”, diz.

A nova perspectiva a que o cineasta se refere vem a partir dos novos corpos e territórios que ocuparão a casa nos três dias de festival, e também de seus olhares e pensamentos: o IMS Acervos Abertos propõe que três artistas de periferia opinem sobre possíveis projetos a partir do acervo do IMS. Já no Piquenique das Ideias Perigosas, artistas e ativistas de territórios periféricos falarão sobre seus sonhos para o ativismo e para a arte no futuro. Tudo isso sempre pensando a escuta, a regente do festival, que também dá nome à outra atividade importante: a Escuta de Portfólio. Artistas de periferia do cinema, da música, da literatura e da fotografia terão seus portfólios lidos por quatro representantes do IMS, cada uma de uma área. A programação inclui ainda um ato de celebração ao audiovisual da periferia, com homenagens a realizadores, pensadores e produtores de audiovisual que demonstram a força de renovação da periferia através dessa linguagem.

É a força da periferia ocupando novos espaços, é a potência da periferia chegando para ser escutada. É a renovação do Instituto Moreira Salles, à procura de novos caminhos, que pensem a cidade como um todo, que discutam a presença de novos corpos e vozes no campo da arte. É um grande encontro de arte e de periferia em um ponto de cultura conhecido por muitos; nem tanto por outros. Pois, agora é hora de abrir-se para esses que lhes faltavam. “Buscamos escutar essa demanda que era muito constante, de que artistas e realizadores periféricos não queriam estar no Instituto Moreira Salles apenas como público, mas como propositores de ações”, explica Ana Luiza de Abreu, supervisora da área de Ação Social da instituição. O festival de arte, periferia e ativismo que encontrou na escuta sua base quer ser esse espaço de reconhecimento da potência da arte periférica e dos artistas que a movimentam, promovendo conexões, trocas, reflexão e acolhimento. Esse é o Escuta Festival.

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Veja a programação completa do Escuta Festival!

13/12 – SEXTA

16H – [ABERTURA] MESA QUEM FALA? QUEM ESCUTA?

Quando novos corpos, territórios e vozes chegam no sistema das artes 

Quem fala – Taisa Machado, Dandara Vital, Otávio Júnior e Big Jaum

Quem escuta – Ivana Bentes, Rosângela Rennó, Fred Coelho e Batman Zavareze

Mediação – Marcus Faustini

18H – RESENHA DAS MARAVILHOSIDADES DA PALAVRA FALADA 

Mestres de cerimônias: Gênesis (Slam das Minas)

Oficina de Afrofunk com Taisa Machado 

DJ Bion

Intervenções de Viviane Potiguara (Esquina Editorial), Binho Cultura, Enraizados no Vagão; Sabrina Azevedo (Slam Laje) e Mery Onírica (Universidade das Quebradas)

14/12 – SÁBADO

11H – ATO DE CELEBRAÇÃO AO AUDIOVISUAL DA PERIFERIA

Homenagem a 100 realizadores, pensadores, produtores de audiovisual

Exibição de curta-homenagem realizado por Cavi Borges

14H – ESCUTA DE PORTFÓLIO 

12 artistas nas áreas de cinema, música, literatura e fotografia apresentam seus portfólios para 6 leitoras da equipe do IMS: Bárbara Rangel (audiovisual), Ângelo Monjabosco (fotografia contemporânea), Ileana Pradilla (fotografia), Mariana Newlands (fotografia), Elizama (literatura) e Mário e Isadora (música). 

14H – OFICINA “O RIO PUNK DE LARRY ANTHA” 

16H – MOSTRA AUDIOVISUAL DA BXD 

Exibição de 5 curtas de realizadores da Baixada Fluminense (com bate papo no final)

Cascudos, de Igor Barradas – 18’ – 2018 – 10 anos

Cineclubismo na BF, Carol Vilamaro – 21’33’’ – 2018 – Livre

Eu Preciso Destas Palavras Escrita, Milena Manfredini e Raquel Fernandes – 19’ – 2017 – Livre

Mente Aberta, de Getulio Ribeiro – 9’ – 2019 – 14 anos

(PRÉ-ESTREIA) Joãosinho da Goméa – O Rei do Candomblé, de Janaina Oliveira Refem e Rodrigo Dutra – 14’24’’- 2019 – Livre

Mediação – Cavi Borges

14H ÀS 20H – FEIRA CRESPA 

18H – RODA DE SAMBA com Margarete Mandes, a Negona do Axé 

15/12 – DOMINGO

11H – PIQUENIQUE DAS IDEIAS PERIGOSAS 

Quais são seus sonhos para o Ativismo e a Arte no futuro?

Participação de Sinara Rúbia (Panteras Negras), Luciana Bezerra (Nós do Morro), Quitta Pinheiro (Baphos Periféricos), Manaíra Carneiro (Fluxos Urbanos), Juliana França (Grupo Código), David Amen (Raízes em Movimento), Julio Barroso (produtor) e Ana Chagas (Saravá Bien)

Mediação: Luana Pinheiro

15H – MONÓLOGO “LIMA ENTRE NÓS – ESTUDO COMPARTILHADO A ATUALIDADE DE LIMA BARRETO” 

16H – MESA QUEM FALA? QUEM ESCUTA? 

IMS: Acervos Abertos 

 

18H – EU AMO BAILE FUNK com DJ Grandmaster Raphael 

 

SÁBADO E DOMINGO – 14 E 15/12

16H – “FAMÍLIA EM FOCO” 

Ação Educativa IMS

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LUGAR DE PAUSA 

> Cobogó

FEIRA CRESPA GASTRONÔMICA

> 4 empreendedores vendem comida e bebida nos 3 dias de evento.

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SOBRE AS ATIVIDADES

MESAS – QUEM FALA? QUEM ESCUTA?

Durante o Festival, realizaremos duas mesas dentro da pergunta disparadora “Quem Fala? Quem Escuta?”. A primeira abre o Festival com o tema “Quando novos corpos, territórios e vozes chegam no sistema das artes”, a segunda “IMS: Acervos Abertos” convida artistas das periferias para apresentarem possíveis leituras e proposições a partir das obras dos acervos do instituto cultural.  Nas duas ocasiões, participam ativamente artistas de diversas periferias da metrópole do Rio, realizadores em várias linguagens. Artistas, jornalistas e professores  são convidados para escutarem e, a partir de diálogos traçados, realizarem perguntas ao final de cada mesa. 

RESENHA DAS MARAVILHOSIDADES DA PALAVRA FALADA

A resenha é uma prática das juventudes urbanas nas grandes cidades do Brasil, é afeto, expressão de habilidades artísticas e pertencimento territorial. Elas acontecem em espaços que promovem sensação de acolhimento. No espírito das melhores resenhas que acontecem nas periferias, o Escuta Festival realiza uma resenha na piscina para abrir os caminhos com poetas, MC’s, dramaturgos, slammers e DJ, que comandam duas horas de piscina aberta com música e apresentações. É um convite generoso para uma relação com um dos lugares mais especiais da casa que abriga o IMS Rio.

 

ATO DE CELEBRAÇÃO AO AUDIOVISUAL DA PERIFERIA

Celebrar a linguagem do audiovisual produzido pela periferia do Rio nos últimos 15 anos: é o desejo desta ação dentro do Escuta Festival. Cavi Borges exibe um curta-homenagem dedicado a 100 realizadores, promovendo um encontro de comparsas, gerações de fazedores, pensadores, produtores, diretores, técnicos, cineclubistas, oficineiros, professores – gente que faz do audiovisual o movimento  da renovação periférica em seu fazer artístico e estético.

 

MOSTRA AUDIOVISUAL DA BXD

A Baixada Fluminense é uma região central da cena do audiovisual na metrópole, com um histórico potente na linguagem e iniciativas que foram fundamentais para este desenvolvimento. A Mostra reúne a exibição de cinco curtas (com uma pré-estreia!) que traz para o nosso Festival uma prova da produção cinematográfica baixadense.

ESCUTA DE PORTFÓLIO

Doze artistas inscreveram seus portfólios através de chamada pública nas redes da Agência e do IMS e foram selecionados para dialogar com profissionais da fotografia, do audiovisual, da música e da literatura do Instituto Moreira Salles. A partir de falas e escutas, os selecionados e os leitores dos portfólios se encontram para pensarem, juntos, possíveis direcionamentos para os trabalhos. Este é um exercício de olhar e aprimoramento do fazer artístico promovidos pelo Festival. 

PIQUENIQUE DAS IDEIAS PERIGOSAS

Artistas e ativistas de diversas periferias da metrópole do Rio são convocados para um piquenique e claro, debaterem sobre seus sonhos futuros dentro do campo da Arte e do Ativismo. E você? Quais são seus sonhos para a Arte e o Ativismo no futuro?

 

OFICINAS E AÇÕES POÉTICAS 

O Festival traz para compor a sua programação oficinas e ações poéticas.

A oficina “O Rio Punk de Larry Antha”, propõe compartilhar as memórias sobre a cena punk carioca, dos anos 80 e 90. Larry Antha é facilitador da oficina e faz parte da história viva deste movimento. A apresentação do monólogo “Lima Entre Nós – estudo compartilhado a atualidade de Lima Barreto” com Leandro Santanna, ator indicado ao Prêmio Shell em 2018. 

A Ação Educativa do IMS realizará o programa “Família em Foco” de novembro, onde os visitantes são instigados a trilhar o percurso criado pela área de educação do IMS observando os aspectos do paisagismo e das espécies do jardim, com o intuito de promover uma aproximação curiosa e interessada dos elementos da arquitetura e da paisagem natural que compõe a cena da Casa do instituto cultural.

FESTAS!

Além da Resenha na abertura, a celebração estará presente em todos os dias do Festival. A Feira Crespa, ação afirmativa que tem como mote principal a valorização da mulher negra; a roda de samba com Margarete Mendes, que em 29 anos de carreira une uma voz marcante e a dança ancestral que conduzem o público por uma viagem pelos caminhos do Samba; e o Eu Amo Baile Funk, que com 15 anos de história já colocou muito funkeiro pra dançar: todos e todas se juntam ao Festival para festejar a periferia! Porque prazer é também poder. 

TODAS AS ATIVIDADES DO ESCUTA FESTIVAL SÃO GRATUITAS!

 

 

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