Novas vozes na II Conferência Municipal de Cultura do Rio

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Trinta jovens produtores culturais que desenvolvem projetos na Agência de Redes para Juventude participaram da II Conferência Municipal de Cultura do Rio de Janeiro (CMC-Rio) realizada nos dias 5 e 6 de agosto, no Centro Cultural João Nogueira – Imperator, no Méier. Mais de 500 produtores culturais, artistas, coletivos, projetos e representantes do poder público – entre eles o secretário municipal de cultura e presidente da RioFilme Sérgio Sá Leitão – debateram propostas e metas para a democratização dos meios de produção, fomento e circulação da produção cultural carioca.

Na ocasião, foram eleitos em plenária 16 representantes da sociedade civil para participarem como delegados na próxima Conferência Estadual de Cultura do Rio de Janeiro. Veruska Delfino, 25 anos, atriz e produtora da Cia. Teatral Última Estação, baseada em Santa Cruz, e articuladora da equipe de produção da Agência foi eleita delegada com 150 votos. Ana Carolina Lima, 16 anos, moradora do Complexo do Alemão e uma das produtoras do projeto Conexão Cultural, um espaço para as artes embaixo do viaduto da Cidade de Deus, é a mais jovem delegada eleita com 144 votos.

A plenária composta por setores diversos das artes e da produção cultural, revelou a ecologia de novos agentes de cultura que atuam na cidade do Rio de Janeiro, seja em coletivos, projetos, pequenas produtoras ou de forma autônoma. Em sua maioria, grupos de pequeno e médio porte que realizam seus trabalhos em rede e se organizaram em encontros preparatórios deram o tom da Conferência: a democratização dos meios de produção cultural através do estabelecimento de metas claras para o poder público, executadas com transparência e ampla participação popular.

Uma reivindicação realizada em plenária alterou o artigo 14 do quinto capítulo do regimento da Conferência, que estabelecia as regras para a eleição de delegados para a Conferência Estadual. Além da exclusão da idade mínima de 18 anos para a candidatura, foi contemplada a garantia da representatividade dos povos originários (de matriz africana, indígena e cigana), juventude, mulheres e pessoas com deficiência.

Que jovem é esse?

Eles têm entre 15 e 29 anos, são moradores de territórios populares da cidade, disputam o campo do empreendedorismo, foram às ruas pelo direito a mobilidade urbana, ao aumento da participação popular direta na democracia, à livre manifestação e levantaram suas vozes contra os abusos das políticas de segurança pública ineficazes em suas comunidades. Participar da Conferência Municipal de Cultura, um espaço institucionalizado de diálogo para discutir e avaliar as ações da Secretaria Municipal de Cultura da sua cidade é mais uma demonstração de que existem novos atores exercitando novos códigos e tecnologia sociais para a radicalização da democracia.

No sábado (03/08), a Agência realizou um encontro preparatório para a CMC Rio. Jovens e equipe se reuniram na Lapa para fazerem um supletivo sobre as questões que envolvem a cultura na cidade e a própria estrutura da Conferência. Cada um trouxe sua experiência enquanto disparador de ações nas favelas e chegaram a quatro propostas que a Agência levaria para os grupos de trabalho da Conferência.

A primeira delas foi a necessidade da desmilitarização da cultura nas favelas. A ideia é retirar da polícia o poder de decidir sobre as atividades culturais nas comunidades e trazer essa responsabilidade para Secretaria Municipal de Cultura. A próxima foi o direito a produção e não apenas a recepção de atividades culturais nos territórios, que consiste em fazer a produção das periferias circularem pela cidade toda. Para isso, a territorialização do orçamento da cultura é um dos passos fundamentais para que novas formas, narrativas e modelos de produção possam surgir. A terceira proposta foi a criação da Bolsa Jovem de Cultura, para que os jovens possam ter acesso a diferentes espaços de cultura na cidade. Essa seria uma maneira de colocar a juventude na pauta das políticas públicas da Prefeitura do Rio de Janeiro, que não possui um programa claro para este grupo social. A reformulação do Conselho Municipal de Cultura também esteve na pauta, onde se propôs a criação de uma cadeira para juventude popular, responsável pelo impulso da produção cultural contemporânea na periferia.

Após discutir pautas no âmbito dos direitos da juventude, os agenciados seguiram para uma tarde de discussões na Desconferência Livre de Cultura, no Circo Crescer e Viver, onde grupos e instituições como o ‘Reage, Artista!’, Observatório de Favelas, Povos Tradicionais de Terreiro, Circuito Carioca de Feiras Orgânicas, Fábrica de Artes de Cidadania, Witness, Norte Comum, Fora do Eixo, Pontão da Eco, entre outros, se encontraram para pensar a II Conferência Municipal de Cultura. Neste encontro, a Agência se dividiu em vários grupos de trabalho para apresentar e discutir suas propostas sobre os rumos da atividade cultural na cidade do Rio. O resultado destes encontros de rede se refletiu no resultado da CMC Rio, que expandiu pautas e garantiu a participação de novos agentes de cultura da cidade no encontro estadual.

Agora é hora de aprimorar as propostas da sociedade civil em diálogo com o poder público e manter as lutas pelo direito à cidade, direitos culturais e sociais.

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