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Novas visões das favelas através do turismo

Na última quarta-feira (27), João Batista, coordenador do Protourism, projeto desenvolvido na desencubadora da Agência de Redes para Juventude visitou a Rocinha pela primeira vez. E não foi uma visita qualquer. Ele e a tutora que acompanha o projeto, Rafaelle de Castro, foram guiados por Zezinho da Rocinha e Dembore Silva, do Favela Adventures, que cederam um pouco de seu tempo e muito de seu conhecimento para apoiar esta nova iniciativa de turismo em favela no Rio de Janeiro.

“Você gosta da Rocinha?”, é a primeira pergunta que Zezinho faz para um futuro guia de turismo de seu projeto.
“É preciso fazer a diferença no lugar onde mora”, completou Dembore, mineiro, que há seis anos mora no Rio de Janeiro.
O amor pela Rocinha é evidente em cada passo do roteiro. Para chegar na comunidade, o Favela Adventures faz questão de usar as vans que circulam na Rocinha. Esta é uma forma de gerar renda e valorizar o trabalho da população local.

Zezinho da Rocinha (51 anos), na verdade chama-se Renato Josevaldo da Silva.
Filho de mãe norte-americana e pai brasileiro, ainda jovem foi morar nos Estados Unidos e lá permaneceu por mais de 20 anos. Somente em 2007 ele voltou definitivamente para Rocinha e decidiu criar uma maneira de potencializar seu território.
“Eu não gosto desses turismos que colocam as pessoas num ônibus. Como se a favela não fosse segura. Nós fazemos visitas, uma educação cultural”, disse Zezinho.

João Batista se impressiona ao ver que a Rocinha se estende para o outro lado do morro.

O Protourism será um curso de guias de turismo na Providência. A primeira turma atenderá cinco jovens da comunidade que, durante quatro meses, terão formações sobre a história da favela e técnicas de turismo. No último mês, eles participarão de um estágio.

João Batista, também estudante de turismo na Universidade Federal Fluminense, montou dois roteiros dentro da comunidade: um liga a Central do Brasil até o Mirante, ponto alto da Providência, e o outro se inicia pela rua Barão da Gamboa. Nesses percursos ele que incluir quem mora na Provi.
“Os moradores vão falar sobre a experiência de morar no morro, sobre as histórias. Eu sou novo, eles sabem mais”, disse João que, durante a visita à Rocinha, falou em ampliar as horas de seu roteiro, pois o cotidiano pode entrar na rota.

Durante a visita, Zezinho e Dembore deram diversas dicas a João: desde como falar com o turista, até como se posicionar com o grupo nas ruas, de modo a não atrapalhar o trânsito normal de pessoas no dia-a-dia da favela. Segundo eles, o sucesso da iniciativa está no bom trabalho, no preço acessível e no boca-a-boca virtual, através do site Trip Advisor.

Zezinho monta um mapa de parceiros, mostrando a potência da comunidade.

No final do dia, os guias levararam João Batista e a tutora Rafaelle de Castro para a sede da Spin Rocinha, escola de DJ criada por Zezinho em 2011. As aulas são gratuitas para jovens da comunidade.

Zezinho conta que já fez um tour sem cobrar nada, pois um dos integrantes do grupo de turistas doou uma mesa digital de som para escola.

Uma visita à Providência ficou marcada para depois da banca do selo, na qual o Protourism e todos os 24 projetos da desencubadora defenderão suas ideias para colocá-las em ação.
A conexões entre Rocinha e Providência não param!

 

 

 

 

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