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Novas definições para o Batan

“Se vocês acham que nunca falaram de política, agora estão falando”. Parafraseando a mediadora Rafaelle de Castro, defino assim este terceiro estúdio de criação da Agência de Redes para Juventude no Batan. Neste sábado, discutimos redes, mapa e representações do jovem da favela.

No sábado anterior, de alguma forma discutimos redes, mas sem nomeá-la. Na produção de inventários, cada bolsista identificou o que precisaria conseguir para ver seu projeto sair do papel. Hoje, ficou claro que todos nós possuímos redes e que elas podem nos mostrar uma outra maneira de ver nosso território. E aqui chegamos na construção dos mapas.

Foram dois tipos de mapeamento: o de potências, aquilo que o jovem tem certeza que pode conseguir para o projeto; e o mapa de agenciamentos, ou seja, aquilo que ainda era preciso estudar para ver o projeto acontecer. Maisa Lira, identificou como potência sua avó Adelir, que é costureira e pode lhe ensinar a confeccionar roupas. Um de seus agenciamentos é o tempo, pois é preciso estudar as épocas de calor e frio do ano para produzir as roupas adequadas e pensar em como serão os desfiles.

Após o exercício individual, é hora de montar um mapa coletivo. Os corpos dos jovens preencheram o mapa do Batan desenhado no chão da sala. As ideias, os corpos e as ações dos jovens, de fato, podem mudar o que se diz sobre a favela. Investigar esses discursos sobre o jovem de favela foi a atividade seguinte.

A palavra favela mobilizou uma série de opiniões. Arthur Barbosa, trouxe a definição do IBGE que diz que as favelas surgiram por problemas causados pelo desemprego e o subemprego. Para Léo Barbosa, a favela é um lugar sem expressão. Apesar da conversa ter começado pelas carências da favela identificamos que essa ideia foi uma incorporação de um discurso que não pertence à realidade da comunidade. Na favela circula dinheiro, lazer, comércio e vidas como em qualquer outro lugar na cidade.

Para Fernando, o que falta hoje na favela é só infraestrutura, como saneamento básico.

Para Calos Gabriel, antigamente existiu sim a falta de possibilidades, mas hoje isso está mudando. Ainda existe o preconceito que, segundo ele, é uma maneira inventada para impedir que as pessoas que moram em favelas sejam vistas como cidadãos comuns da cidade.

Identificamos que a grande potência do jovem da favela é que ele possui muita experiência de vida. É mais descolado e mais agente na sua própria vida. E que é preciso conquistar novas ferramentas de ação na vida e no território.

No final do dia, cada um escreveu sua opinião sobre ser jovem na favela. Os textos deles vão ajudar a ampliar o verbete do Batan na Wikipedia.

Por fim, gostaria de agradecer aos bolsistas Carlos Gabriel, Mariana Rosa e Lucas Viana que me ajudaram a montar o post dessa semana através das fotos, vídeos e conversas. Os três estão com ideias de montar mídias comunitárias e achei interessante que de alguma maneira eles pudessem participar de construção de uma matéria que fale sobre o dia deles.

 

 

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