NOS TERRITÓRIOS! – #TodoJovemÉRio

40 CASAS – PRIMEIRO ENCONTRO COM OS ANFITRIÕES DO FESTIVAL
1 de novembro de 2017

Na primeira fase de execução do Festival Todo Jovem é Rio, a Agência esteve em 20 casas e até janeiro de 2018, 40 casas terão aberto suas portas aos encontros. Não se trata apenas de números, mas do alcance de diferentes territórios. Uma das propostas de conversa é pensar a nossa cidade a partir das juventudes de origem popular, daí a importância de estar em lugares diferentes, reunindo jovens com percepções diversas.

VÁRIOS TERRITÓRIOS, VÁRIOS OLHARES

Como parte da metodologia proposta pela Agência, os 10 jovens que estão participando da formação de liderança desse ciclo conversaram previamente com os convidados dos encontros e a partir dessas conversas surgiram temas específicos dos territórios, para serem debatidos nos encontros.

TODO JOVEM É RIO

Encontro na casa da Andressa, na Pavuna.

Arte e segurança foram os temas principais da nossa primeira noite de festival, na casa da jovem Andressa Gandra e com a condução do Luciano Pimenta. Andressa tem 18 anos e mora na Pavuna, na rua com o maior índice de roubo de cargas do Brasil. Entre os jovens reunidos nessa casa tinha poeta, ator, diretor de teatro, mototaxista, músico, artista circense, rapper. A anfitriã Andressa, que nunca antes havia participado de um debate como esse, frequenta as oficinas de teatro e circo e os saraus promovidos pela Arena Jovelina Pérola, onde quase sempre se apresenta com sua banda.

Os jovens presentes no encontro são potentes em suas realizações, mesmo vivendo em um dos bairros da cidade com os índices mais críticos em relação à segurança. Como desdobramento da noite, o grupo se comprometeu em definir possíveis pautas para apresentarem na reunião do conselho de segurança do 41° Batalhão e reconheceu a necessidade de existir um trabalho de reeducação política totalmente não partidário nos territórios.

PERTENCIMENTO IMPORTA!

Outra das atividades propostas pela metodologia do Festival é listar os pontos positivos e negativos de um possível prefeito vindo de periferia. Na Rocinha, com o debate mediado por Thais Antunes [18], enquanto a lista de pontos negativos ia ganhando volume, o anfitrião da noite, João Eliel [19], lembrou: “a gente é uma potência, a gente mora na maior favela da América Latina”.  A reunião foi atraindo a atenção de quem passava pelo local. Um morador de repente parou para observar o debate e deixou seu recado: “eu acho que uma questão problemática é a questão interna de cada favela”. Erik Martins de Sousa, 28 anos, sobre o sistema político viciado dentro das favelas do Rio.

Um dos encontros realizado por Rebecca Vieira aconteceu no Conjunto habitacional Cardeal Dom Jaime Câmara (Padre Miguel), na casa de Raphael Zulu. Construído em 1969, o “Conjuntão”, como é conhecido, é o maior conjunto habitacional do Rio em número de habitantes e já foi considerado o maior da América Latina. Pessoas vindas de favelas do Leblon, Lagoa e Maracanã foram reassentadas lá durante o governo de Carlos Lacerda. Não coincidentemente, um dos temas abordados no debate foi o pertencimento ao território. A artista Diamante Negro, 28 anos, poeta e produtora, encerrou o encontro declamando uma poesia autoral, não somente como fechamento do evento e sim como portas abertas, por através da poesia, para a percepção, a reflexão e valorização de missão que cada um tem com sua identidade e seu território.

CIRCULAR ENSINA

Aline Bicalho mediando o encontro na casa de Daniel e Raissa em Sepetiba.

“Eu ando de ônibus, eu vou pra Santa Cruz de ônibus, eu rodo tudo lá, eu conheço lá, mais que alguém que anda de Uber. É preciso ter conhecimento de favela e de cidade, saber circular”, Carol Santana, 23, moradora da Vila Kennedy, sobre as vantagens de um prefeito vindo de periferia, no papo mediado por Rebecca que aconteceu no Batan. Em Sepetiba, Aline Bicalho conversou com os jovens convidados, chegando à conclusão de que um dos assuntos mais importantes para a região eram mobilidade e educação. Um ponto importante desse encontro, na casa do Daniel Barreiros e Raissa Cortes, foi a fala do Rodrigo Cortes: “a gente também tem que se perguntar porquê a gente precisa sair daqui pra ir em um lugar que está a duas horas de distância” e todos complementaram com o questionamento de qual seria o motivo de não ter tantas atividades culturais e geração de emprego ali na região. Na discussão sobre mobilidade, assuntos abordados foram a precariedade do transporte e a grande quantidade de baldeação necessária para chegarem a lugares mais distantes, o que torna a viagem cansativa.

PEÇAS DO TODO

Ainda na metade do Festival, quase 400 jovens já discutiram política trazendo seus diferentes olhares, construídos pelas vivências de vários territórios: conjuntos habitacionais formados a partir de remoções, bairros ao extremo oeste do município, a maior favela da América Latina, entre outros.  A agência acredita, e reafirma com o Todo Jovem É Rio, que políticas para a cidade precisam observar as subjetividades territoriais. Cada lugar é peça de um todo que é o Rio de Janeiro. As diferentes juventudes começando a conversar e agir por onde estão já é um bom caminho para a redução das desigualdades e a invenção de uma nova política.

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Esse texto foi escrito com a colaboração das voluntárias Ana Clara Costa, Nathacha Regazzini, Debora Santos Oliveira e Valéria Milanês, que fizeram a relatoria dos encontros citados.

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