Mostrando a Potência: A Banca da CDD

Ciclo se encerra na Rocinha
7 de agosto de 2014
Banca em Santa Cruz: bons resultados para todos.
7 de agosto de 2014
Exibir Tudo

Mostrando a Potência: A Banca da CDD

 

A praça em frente à Associação Sementes da Vida na Cidade de Deus (ASVI) serviu como sala de espera para os grupos antes de se apresentarem para a banca da Agência de Redes para Juventude. O esquema era ficar na praça com os outros companheiros do grupo aproveitando o tempo para afinar a apresentação ou colocar a conversa em dia. Quando fosse a sua vez os grupos subiriam até o segundo andar da ASVI para convencer os avaliadores que o projeto que idealizaram merecia receber o financiamento de 10 mil reais.

Depois de mais de três meses de empenho era natural que o nervosismo desse o ar da graça, mas os bolsistas enfrentaram a espera com muito bom humor e risadas. Outro subterfúgio para a ansiedade foi a presença de Gilmar Ferreira e Roberto Senna, artistas locais que organizam o evento Arte na Praça, que é itinerante no bairro e oferece oficinas de pintura para os moradores da CDD gratuitamente. Essa semana o evento foi na praça do 15, justamente onde os bolsistas esperavam. A galera, então, botou a mão na massa e coloriu os papéis dados pelos oficineiros.

Os jovens da CDD aproveitando o tempo de espera para participar do Arte na Praça.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bolsistas e suas estratégias de apresentação

Ao longo dos encontros precedentes, os desejos dos jovens ficaram cada dia mais pulsantes. Eles botaram fé que as suas ideias são ações que impactarão o seu território e usaram toda a sua energia para dar um gás no final dessa etapa.  “Nessa semana eu aproveitei para treinar para apresentação. Apesar de estar acostumado de fazer isso na escola, eu treinei no espelho o que eu achava que tinha que falar para ficar legal na apresentação”, confessou Jefferson da Rocha (15) que defendeu a ideia da Batalha de Rap, evento que promete agitar o cenário de rap e hip-hop da Cidade de Deus.

Lívia Tavares, integrante do grupo Fênix, também se dedicou nessa reta final a potencializar a apresentação. Ela fez anotações sobre os tópicos que  iria apresentar para os avaliadores e minutos antes de subir para o segundo andar da ASVI ela, sorrateiramente, achou um cantinho mais isolado na praça e foi estudar, com toda atenção e foco que aquele momento pedia. Assim, junto com o grupo, subiu com o pé direito as escadas e muito alinhados começaram a apresentação.

Tentar agradar a banca pelo estômago foi a tática do grupo Mini Chefe. Para convencer os avaliadores que é possível comer de forma saudável e prazerosa, eles fizeram mouse de maracujá light. “Sério que isso é light?!”, exclamou a produtora e assessora do Favela em Dança Ingrid de Carvalho.

A Banca da Cidade de Deus

Ingrid estava ocupando o lugar na banca de jovens que participam da Rede Agência – rede que apoia projetos que foram aprovados em ciclos passados e que agora retornam a Agência para se concretizarem na cidade. As outras duas cadeiras foram preenchidas por Eduardo Alves, sociólogo e diretor de comunicação do Observatório das Favelas; e Joana Henning, sócia diretora da ISSO, produtora que atua como conectora, criando metodologias de execução de projetos que comunicam cultura, sociedade, esporte, business e formação de conteúdos.

Os avaliadores foram convidados a participar da banca pela equipe de coordenação da Agência e não tem nenhuma ligação prévia com os grupos que se apresentaram. A intenção é manter a escolha o mais imparcial  possível.  Antes de irem para o local onde foram realizadas a banca, os convidados se encontraram na sede da  Agência para que a coordenação informasse o esboço dos projetos que iriam avaliar e  alinhasse os avaliadores aos critérios importantes da metodologia como redes e ligação com o território.

Depois desse breve mergulho na metodologia e conhecimento sobre os projetos que iriam avaliar, os convidados receberam as ficham de avaliação e partiram para o território para cumprir a sua missão.

O sorriso já dá uma pista das impressões da Banca da CDD que contou com a presença de (esquerda p/ direita) : Ingrid de Carvalho, Joana Henning e Eduardo Alves.

 

Todos os três afirmaram vir sem expectativas para realmente se deixarem envolver naquilo que os jovens queriam apresentar e se surpreenderam. “Todos estão articulados com determinados problemas e isso é muito legal”, revelou Eduardo Alves que ficou muito empolgado com a potência que os bolsistas demonstraram em suas apresentações. Eduardo também achou curioso o fato de todos os projetos da Cidade de Deus estarem conectados de alguma forma.

A potência dos jovens também chamou atenção de Joana Henning. “ Ver uma situação que te mobiliza e motiva a agir ajuda a construir o protagonismo”, afirmou Joana, lembrando que os projetos são tão importantes para o território quanto para a trajetória desses jovens.

E o Resultado?

Depois da ultima apresentação que na Cidade de Deus foi o Brink’art, a banca se reuniu para chegar ao veredito de quais projetos receberiam o financiamento da Agência. O resultado será divulgado pela equipe dos territórios no próximo sábado.

Como a Joana Henning afirmou, a criação de protagonismo é também importante, por isso a Agência organizou um “plano b” para todos os projetos que não foram aprovados pela banca. Assim, no próximo sábado de ação na Agência, a equipe da CDD dará o feedback do que os grupos precisam para que a caminhada e construção de novas ideias não parem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *