Mapa de projetos no Batan e em Santa Cruz: Está nascendo novidade!

Pavuna e Cidade de Deus: o mapa e a visibilidade
7 de julho de 2014
Mapear é ampliar redes: Rocinha e Centro mapeando ideias
8 de julho de 2014
Exibir Tudo

Mapa de projetos no Batan e em Santa Cruz: Está nascendo novidade!

“Um serviço de alto falante no morro do pau da bandeira / Quem avisa é o Zé do caroço, que amanhã vai fazer alvoroço alertando a favela inteira…”

(Ouça a música completa aqui http://youtu.be/vqAR8nggQ3Y)

Não falta favela no Rio de Janeiro. E isso é uma constatação muito evidente para os jovens da Agência de Redes para Juventude, de Santa Cruz e Batan, que discutiram “o que é favela?” no estúdio de criação do último sábado. A partir desse debate, a galera remapeou seus territórios a partir da projeção de suas ações nas comunidades em que vivem

Não falta músicas na favelas. E isso é claro até para quem conhece pouco sobre elas. Não falta favela na música. E isso os jovens do Batan, também no último sábado, puderam provar. Nos dois territórios foi feita uma provocação sobre o tema “favela”. Em Santa Cruz, os jovens expressaram o que pensavam discutindo na fala e no papel, escrevendo o que quisessem em cartazes. No Batan, o debate deu espaço a um jogo musical. O grupo foi dividido em duas equipes em que cada uma pensava em músicas que falassem de favela, recitava ou cantava um trecho e desafiava a outra equipe a completar a sequência da música.

“… É que o Zé bota a boca no mundo, ele faz um discurso profundo, ele quer ver o bem da favela / Está nascendo um novo líder no morro do pau da bandeira…” A música Zé do Caroço (composição de Dando Gordo) foi uma que surgiu durante o jogo no Batan. Enquanto que em Santa Cruz, uma quantidade enorme de estereótipos foi registrada no papel, os jovens anotaram não só o que eles pensam, mas também o que imaginam que pessoas de fora da favela pensem. Surgiram nos cartazes expressões como “lado oposto do mundo”, “debochados para uns, retardados para outros” e “fim da linha” – essa última e suas variações aparece muitas vezes.

O objetivo do debate é a provocação da fala, da discussão, é a revelação das visões que os jovens têm sobre favela em geral e sobre seu próprio território. A partir desses momentos de discussão, o senso crítico já presente nos jovens favelados é apurado por eles mesmos e, cada vez mais, passam a enxergar seu território como um lugar potente – e não carente – a partir do qual podem dar vazão ao seus desejos e suas ideias, basta estabelecerem as redes certas, conhecerem o que (ou quem) pode dar suporte aos seus projetos dentro do território e mapearem essas possibilidades.

Grupo UFB produz seu mapa.

À essa altura do ciclo de estímulos, no sétimo sábado, as ideias estão caminhando para uma consolidação e reparação para banca. As discussões e dinâmicas promovidas no início do encontro foram uma introdução para o instrumento que seria usado: o Mapa. Como parte da metodologia da Agência, o mapa organiza no papel as redes que já foram criadas, ou as possíveis, e orienta passos práticos para a concretização do projeto. Os próprios jovens produzem seus mapas, colocam no papel, de maneira livre, textos, desenhos e cores enfim, o que está nas suas cabeças.

No Batan, após a produção dos mapas, rolou uma apresentação do que cada grupo produziu. Os jovens do UBF (Union Fighters Batan), projeto que pretende oferecer aulas de luta para a comunidade, usaram o mapa para organizar as informações sobre as parcerias já estabelecidas, o local das aulas, equipamentos necessários, descrição de público alvo e de um evento que pretendem promover, e, é claro, as lutas que pretendem oferecer: capoeira, capoeira muay-thai e taekwondo. “As três lutas prezam muito pela disciplina e cordialidade. E também são três lutas que trabalham com partes diferentes do corpo” , disse Lucas Eduardo, de 18 anos.

Carol produz o mapa de sua ideia.

Ana Carolina Rebecchi, bolsista de Santa Cruz, tem 16 anos e está desenvolvendo um projeto de horta comunitária, o “Utopia Verde”. Carol construiu o mapa da sua ideia sem poupar recursos visuais, representando as conquistas e produções já feitas: logotipo, página no Facebook, algumas boas parcerias garantidas e o espaço onde acontecerá.

É prazeroso e estimulante ver o quanto a ideia está andando, independente do que cada um já desenvolveu. A metodologia permite que eles experimentem o nascimento de algo real a partir das suas próprias mãos. No Batan e em Santa Cruz, estão nascendo novas ideias, mas também novas trajetórias para esses jovens na cidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *