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Linguagens para a vida, linguagens para a cidade

Por Jeandson Moreno, Carolina Lourenço e Mayara Ximenes. Com a colaboração de Juliana Sá e Marina Moreira.

Quais os códigos, gírias e hashtags são fundamentais para entender as conversas no seu território ou no seu grupo de amigos? Esses elementos que podem ser virtuais, verbais ou até mesmo visuais, mostram como qualquer pessoa, em um ambiente, cria formas (linguagens) para se comunicar, para ter identidade e diferenciação.

A cidade com sua multiplicidade de estilos é o lugar que reúne essas diversas linguagens. Algumas são mais restritas a determinados locais ou públicos e outras estão destinadas a alcançar todas as pessoas. É o caso do Estado, que tem, por exemplo, nos editais, nos processos burocráticos, nas formas de atendimento o seu modo distinto de se comunicar. Os veículos de comunicação, com sua linguagem formal para produzir notícias e reportagens, também estão entre as instituições que criaram um modo particular para expandir seu alcance.

Saber como acessar essas diferentes linguagens é o que possibilita circular mais pela cidade e se conectar com o maior número de agentes para conseguir realizar um projeto. O Victor Vieira, bolsista da #AgênciaVeridiana, entendeu o papo e já passou a visão sobre como precisa se portar para desenvolver sua ideia de projeto que consiste em um Festival de Arte Urbana.

“O jeito que vou desenrolar parceria para o projeto com algum comerciante ou amigo aqui da localidade não é o mesmo jeito que vou apresentar meu projeto para a banca, por exemplo. Em algumas situações eu preciso ser mais sério, usar uma linguagem mais formal”, explica Victor.

LINGUAGEM PARA PROJETOS DE VIDA

Isabela Santos, 23 anos, é bolsista da Agência desde 2012. Ela nasceu e mora até hoje no Borel, favela onde desenvolve o Boreart – uma galeria de arte contemporânea a céu aberto e um futuro centro de formação de artes visuais. Antes de entrar no mundo das artes, a jovem, desde muito nova, nutria uma paixão por Geografia – curso que escolheu na Universidade Federal Fluminense.

Isabela, à esquerda, desenvolveu diversas formas de se agenciar na cidade. A foto mostra a inauguração da Escadaria Boreart no início de 2015.

“Lidar com o aprendizado foi o primeiro baque. Você precisa pesquisar mais sozinho, lidar com novas normas que antes você não tinha”, lembra Isabela sobre os primeiros repertórios com os quais teve que se relacionar no início da faculdade. Enquanto estava no quarto período do curso ela ingressou na Agência. “Eu queria uma coisa da faculdade que era geografia política e com a Agência eu me apaixonei por políticas de cidade” conta Isabela. Ela destaca ainda que sua passagem pela Agência a ajudou a entender outras formas de trabalhar a geografia nas linguagens que o território se reconhece. Criar a Escadaria Boreart  foi uma das maneiras de reoperar os conceitos da faculdade com os do dia-a-dia do Borel.

Essa outra forma de transitar pelas linguagens a fizeram redirecionar sua atuação dentro da Agência. “Nunca pensei em trabalhar com cultura”, conta a jovem que, na Agência, realizou primeiramente o projeto S.Rio. A iniciativa de revitalização de espaços públicos realizou o desenvolvimento da ideia no Ciclo de Estímulos de 2012 e a implementou durante a Desencubadora. Quase um ano depois, o projeto encerrou suas atividades. Mas Isabela e sua irmã, Ana Clara, ingressaram numa outra empreitada na comunidade: o Boreart, que permanece até hoje na Rede Agência. “A cultura também mobiliza questões de política”, observa Isabela quanto à sua trajetória de realização.

Além de redefinir (e alinhar) seus interesses de vida, a jovem também adquiriu algumas habilidade importantes para os mais diversos âmbitos, como falar em público e aprender a lidar com traduções mais pragmáticas dos objetivos de seu projeto, como o orçamento.

LINGUAGEM PARA AS IDEIAS DE PROJETO

Durante a construção do Inventário, instrumento utilizado na metodologia da Agência, os jovens observaram as características dos seus territórios e buscaram por referências que pudessem ajudar na construção da melhor linguagem para dialogar com o público-alvo da sua ideia de projeto.

Na Rocinha, o grupo formado por Miriam Santos, Cíntia Martins, Deborah Silva, Diziane e Gabriela deseja realizar esquetes teatrais para divulgar em escolas informações sobre dislexia. Para ter domínio do assunto e conseguir uma linguagem que dialogue bem com o público, as meninas estão buscando conversar com profissionais especializados na área.

O grupo RAID, que deseja promover a inclusão digital em comunidades sem acesso à internet e oferecer oficinas técnicas, enxerga que o próprio ambiente abordado é uma fonte de informações. Para dominar ainda mais os códigos desse universo, os integrantes João Pedro Paulino, Daniel Alves e Cristian de Oliveira, da Agência Centro, não pensam duas vezes antes de dar uma “Googleada” para pesquisar sites e conteúdos relacionados.

Pink e Yagho Henrique, da #AgênciaRocinha

Fernanda Diorato, Pink e Yagho Henrique, também da Rocinha, estão apostando em conhecer pessoas ou projetos que tenham vivência na causa que querem defender na cidade. Com o objetivo de realizar uma campanha contra a homofobia nos territórios populares, eles marcaram de ir com a universitária Amanda Barbosa à parada gay de Niteroi para ver como o evento é feito e o que não pode faltar na ideia de projeto.

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