Letra a letra: produção de abecedários na Pavuna

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Letra a letra: produção de abecedários na Pavuna

A: Abecedário – O “Abecedário” foi o instrumento utilizado no Estúdio de Criação do último sábado. Para mais essa etapa da metodologia da Agência de Redes para Juventude os jovens da Pavuna compareceram ao encontro na Arena Jovelina, mesmo sendo uma manhã de chuva por lá.

B: Boas Ideias – Os jovens têm percebido que as boas ideias são muitas, mas para virarem projetos reais precisam ser trabalhadas e aperfeiçoadas. Isso é o que fazem a cada sábado, com instrumentos diferentes e úteis no desenvolvimento das ideias.

C: Criatividade – A criatividade dos jovens da Pavuna foi aguçada, recebendo estímulos em todos os momentos do encontro, não apenas durante aplicação do instrumento. Para começar o dia, a mediadora Ana Paula Lisboa propôs exercícios de respiração em que a galera deveria se imaginar em momentos de tensão, alegria, ou até mesmo respirar como se estivessem na praia ou perdidos numa floresta. Depois disso, em roda eles tiveram que cantar a música “parabéns pra você” de uma maneira muito diferente: cada um só poderia cantar uma sílaba.

D: Discussão, E: Exemplos – A discussão sobre o que é um abecedário veio logo após os exercícios e a dinâmica, como uma introdução ao tema do dia. Ao serem perguntados se lembravam de algum exemplo de abecedário, logo lembraram da música da Xuxa e do funk “Abecedário da Alegria”, dos Havaianos. Além desses, os jovens puderam assistir vídeos de outros exemplos: o abecedário de Deleuze (série de entrevistas em que o filósofo explica alguns dos seus conceitos), a paródia de humor “Gaiola das Cabeçudas” e um comercial de jeans em que para cada letra do alfabeto há um movimento de dança.

Pedro conversa sobre a produção do seu abecedário com a mediadora Ana Paula.

F: Fazer, G: Grupo, H: Heterogêneo – Fazer é sempre uma maneira boa de se aprender. Por isso, como exercício, um acróstico da palavra Pavuna foi feito por toda turma e todos podiam dar sugestões. Talvez por isso o resultado tenha sido tão diverso, pelo grupo heterogêneo que há na Pavuna. Surgiram palavras como: paz, polícia, pavunense; amigos, animal, amor; valão, vitória; união, unidos da Ponte; negro, natureza; Arena, Agência, adolescente, etc.

I: Instrumento, J: Juventude, K: Kriação, (mas criação com “k”?) L: Liberdade – Já na hora de fazerem os abecedários de seus projetos, os jovens tiveram liberdade também para criar palavras e usarem seus fonemas. Rigidez no uso do instrumento não é o foco do exercício. Caso tenha dúvidas, volte para letra “C”, de criatividade.

M: Mente; N: Nuvem de informações; O: Organização – O Abecedário ajuda os autores dos projetos a organizarem e expressarem suas ideias. Mais do que guardar tudo mentalmente, passar para o papel é fundamental.

P: Programa Jovelina Arte e Educação – Pedro Miranda produziu o abecedário do seu projeto Programa Jovelina Arte e Educação. Pedro percebeu que na escola os alunos “aprendem conteúdos formais e reproduzem, mas sem relação com a vida prática”.

Q: Qualidade vs. Quantidade; R: Resolução de Problemas; S: Soma; T: Teoria vs prática – Segundo o jovem, de 24 anos, a baixa qualidade do ensino tem também relação com pouca prática. Seu projeto pretende solucionar parte desse problema somando palestras, discussões, oficinas e passeios ao que é feito dentro de sala de aula. O público alvo são os estudantes de um colégio na Pavuna e a intenção é que seja realizado na Arena Jovelina. Lá, Pedro pretende oferecer um ambiente diferente da escola, onde se possa “criar, produzir, filosofar sobre as experiências”, nas suas palavras.

O Urban Art apresenta seu abecedário. Da esquerda para a direita: Larissa, Tati, Juliana, Carol e Glauci.

U: Urban Art – O Urban Art também teve seu abecedário produzido por suas idealizadoras. O projeto consiste em oficinas de dança para os moradores da Pavuna.  Carolina Ramos, de 16 anos, enfatiza que “não são aulas, são oficinas” que acontecerão quinzenalmente na Praça do Metrô.

V: Versatilidade, W: Workshop, X: xaxado, Y: You Tube, Z: zoom – As oficinas serão versáteis o suficiente para se adaptarem ao ambiente em que serão realizadas, pois como diz Juliana Lage, podem “trazer uma nova utilização para a praça e um outro tipo de arte para a Pavuna”. Glauci Assis, 19 anos, explicou que pretendem fazer uma intervenção com um Flash Mob para “atrair as pessoas e divulgar as oficinas”. Em seu abecedário a palavra xaxado apareceu como sendo parte do universo da dança. Todo o encontro foi produtivo para as meninas do Urban Art, que, já no começo do dia, aproveitaram para pedir o link do You Tube do exemplo de um abecedário em dança que foi levado. Além da dança, a fotografia também é um gosto especial para o grupo – composto também por Larissa Marques (16) e Tatiane Noronha (18), além das já citadas – e elas pretendem usar desse recurso para registro interno e divulgação do projeto, conforme seu andamento.

Mais uma etapa da metodologia foi experimentada no sábado, e agora, a poucas semanas da banca de avaliação dos projetos (onde dois de cada território serão escolhidos para receber financiamento), a correria dos jovens continua, trabalhando suas ideias e aperfeiçoando sua apresentação.

 

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