Juventude que faz: Agência na FAU021

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A Agência de Redes para Juventude esteve presente na FAU021, a Feira de Arte Urbana do Rio de Janeiro. Alguns projetos frutos da metodologia compuseram em grande estilo o espaço #Mitei – Juventude que Faz, levando para a feira exposições, vendas, apresentações e rodas de conversas temáticas.

Movimentos em ação na FAU021!

A FEIRA


A FAU021 reuniu, uma programação cultural rica, com temas da arte urbana carioca. Entre as manifestações, teatro, circo, música, dança, skate, moda, discotecagem, exposição de grafitti, artes plásticas, cinema e vídeo instalações puderam ser desfrutadas por quem compareceu à lapa no domingo (7). O evento ocupou a Fundição Progresso e o espaço público dos Arcos da Lapa. Como parte da programação, a Agência de Redes para Juventude levou para a feira o espaço #Mitei – Juventude que Faz. Alguns dos projetos em ação pela cidade participaram do dia. O Providenciando a Favor da Vida, projeto com mulheres grávidas na Providência, expôs os itens da Pedacinho de Mim, que são produzidos pelas mulheres nas oficinas de geração de renda (apenas uma de suas ações), o Estilo Favella – projeto que passou pela Agência entre 2011 e 2013 – levou suas blusas, com estampas que valorizam a cultura de favela, para expor e vender na feira.

Além das vendas, três projetos expuseram seus trabalhos com performances. Ainda na parte da manhã, a galera do Favela em Dança, festival bienal de dança urbana nascido no Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, apresentou-se em frente aos Arcos. O espaço interno da Fundição Progresso foi ocupado pela performance dos jovens do Movimentos, projeto da Cidade de Deus de oficinas e intercâmbio de dança, que cativaram a atenção de quem estava presente. Já Os Descolados, grupo de funk nascido no Fumacê, subiu ao palco para um show em parceria com o Carta na Manga, grupo de RAP alternativo do Rio de Janeiro.

 

Ana Paula Bloch falando sobre comunicação e sua experiência na Sou Dessas

VOZ, VISIBILIDADE E PROTAGONISMO DO JOVEM


A Agência promoveu na feira três rodas de conversa e debates sobre temas importantes para a reinvenção de um lugar da juventude de origem popular na cidade. Os temas foram Empreendedorismo, Comunicação e Mobilização. Os idealizadores dos projetos, compuseram as rodas, além do público presente. Allan Santos (portal AMaréVê), Ana Paula Bloch (revista Sou Dessas) e Michel Silva (Jornal Fala Roça) fizeram parte da conversa sobre comunicação. Os jovens contaram sobre a criação das suas ações nas comunidades e suas impressões sobre o trabalho com comunicação em favela. Ao final da conversa, Ana Paula Lisboa – coordenadora de metodologia da Agência, mediadora da conversa – perguntou aos três sobre seus desejos futuros. Ana Paula Bloch, em sua resposta, revelou que pretende continuar conciliando jornalismo e moda, que são seus interesses principais, mas reconheceu que hoje acredita que pode fazer e ser o que quiser. “É isso, todo mundo pode ser o que quiser. Que bom que vocês perceberam isso, porque é a nossa missão enquanto Agência fazer vocês terem essa percepção. Durante muito tempo, quem nascia ou morava em favela tinha um nicho de opções do que podia ser na vida. Então agora é muito bom ouvir de vocês que vocês podem ser o que quiserem”, celebrou Ana Paula Lisboa após a declaração da jovem comunicadora.

O papo sobre Mobilização contou com as vozes e histórias de vida de Adany Lima (Movimentos), Raquelel Spinelli (Providenciando a Favor da Vida) e Ingrid de Carvalho (Favela em Dança). Os três projetos têm ações consolidadas e relevantes na cidade. Partindo da Cidade de Deus, Providência e Cantagalo (respectivamente) seu impacto tem sido positivo e crescente. Ao final da conversa, os jovens mobilizadores receberam da plateia uma pergunta sobre a importância de seus trabalhos na cidade. “A gente acredita que isso transforma vidas de fato. A partir do momento em que aquela criança, aquele jovem, sai da escola, deixa de ficar à toa na rua e vai pra aula de dança, ou ele se prepara pra batalhar com outros amigos, para ensaiar uma coreografia, isso já está transformando a vida daquela pessoa… É um trabalho demorado, mas de ano em ano a gente já consegue ver essa mudança”, respondeu Ingrid, ressaltando também o fato de que eventos com a qualidade do Favela em Dança sendo realizados dentro da favela transformam o olhar e a vida das pessoas do território.

Cristiano Maciel (Estilo Favella) , Fernando Coock (Os Descolados), Elaine Rosa (Feira Crespa) e Vinicius De Paula Machado (co-fundador da empresa Somos GOMA e parceiro da Agência) participaram do papo sobre empreendedorismo, expondo a experiência e os desafios de suas realizações. “Quando a gente começa a falar que os jovens querem ser mais empreendedores, que eles podem ser aquilo que eles quiserem ser… A gente pode abrir espaço para lojas de roupas, para artistas, para grafiteiros, para grupos de dança e até mesmo para empreendedores que passam por um processo de aceleração como no caso da Agência. Acho que dá mais visibilidade pra todo mundo, porque todo mundo tem interesse de ver narrativas diferentes, novas formas de fazer arte, cultura, culinária…”, comentou Vinicius sobre a roda de conversa.

 

Favela em Dança em performance!

REINVENÇÃO DA CIDADE


“Todos envolvem questão de reconhecimento afetivo do que é o território, de como é que jovens podem não só ressignificar seu relacionamento com o território, mas fazer com que outras coisas (positivas) no território apareçam, como no caso do Fernando”, comentou Vinicius, sobre as ações que estavam presentes no evento, citando o exemplo de Fernando Cook, integrante do grupo de funk Os Descolados, que tem transformado o imaginário a cerca do Fumacê, fazendo a comunidade ganhar visibilidade pelas artes, cultura e potência.

Não apenas os jovens que estiveram presentes na FAU021, mas tantos outros têm sido relevantes em seus territórios, reinventando assim a cidade. É inevitável o reconhecimento desses jovens de favela como potentes e realizadores e a FAU021 é um exemplo do quanto as invenções da periferia são relevantes e podem #mitar a cidade.

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