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JUVENTUDE, FAVELA E A PANDEMIA: CONHEÇA STHEFANY ANDRADE

“Aqui na Zona Oeste tem muita gente que faz vídeo para a internet mas não é reconhecido, não é visto, não é falado”, diz Sthefany Andrade, jovem de 19 anos e moradora do conjunto João XXIII, em Santa Cruz. Há mais de dois anos, ela filma e edita vídeos para as redes sociais. Ganhou as habilidades sozinha, pesquisando na mesma internet que muitas vezes a esconde. Se falta visibilidade na internet, com projetos não é diferente. É por isso que a Zona Oeste é uma das regiões prioritárias do Geração que Move, iniciativa do UNICEF em parceria com Fundação Abertis e Arteris, realizado pela Agência na cidade do Rio, com apoio do Instituto Unibanco.

São dez duplas de jovens e adolescentes de favelas e periferias, que atuam em duas frentes: produção de conteúdo com informações seguras e mobilização social em seus territórios, com a entrega de cestas básicas e livros. Uma das jovens representando a Zona Oeste é Sthefany. Ela entrou na Agência em 2015, e agora volta pela quarta vez. “A Agência me abriu os olhos para muita coisa relacionada à comunidade onde eu moro, para a pessoa que eu sou hoje em dia”, diz ela. Mas Sthefany continua aprendendo sobre a realidade de seu território. Durante a entrega das cestas, ela se deparou com pessoas que via na rua e conversava, mas não sabia que estavam passando necessidade. “Tem pessoas que eu já cheguei a estudar na mesma sala e não fazia ideia que estavam precisando. No Geração que Move, abri mais meu olho para enxergar o próximo na comunidade em que moro”, conta a jovem.

No mesmo ano em que começou na Agência, Sthefany e alguns colegas da mesma região criaram a Batalha de Mc’s do João XXIII. “Aqui em Santa Cruz e no João não acontecia nada relacionado a isso”, diz ela. A batalha aconteceu por três anos, e em 2018, os jovens deram uma pausa nas atividades. Foi quando Sthefany começou a fazer os vídeos. “Isso está em mim desde nova, sempre gostei de vídeo e de foto”, conta. Ela tem feito vídeos curtos e divertidos sobre maquiagem e gravado desafios surgidos nas redes sociais.

Sthefany também usa as habilidades em produção de conteúdo no Geração que Move. Ela está dando dicas de proteção durante a pandemia, em vídeos que são postados nas redes sociais e compartilhados em grupos com outros jovens. Recentemente, Sthefany se juntou a uma iniciativa que também usa as redes para promover criadores de conteúdos de comunidades do Rio, principalmente da Zona Oeste. O contato aconteceu porque um dos fundadores da Nós da Favela, Patrick Caline, participou de um ciclo da Agência com ela. A rede foi firmada, e agora, usada para alcançar mais jovens.

 

Por Yael Berman

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