JUVENTUDE, FAVELA E A PANDEMIA: CONHEÇA MOANAN COUTO

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JUVENTUDE, FAVELA E A PANDEMIA: CONHEÇA MOANAN COUTO

“Se não fosse o trabalho voluntário na nossa região, muita coisa não aconteceria, inclusive essa questão da mobilização das cestas”, pontua Moanan Couto, moradora do Cesarão, em Santa Cruz, e uma das jovens líderes do Geração que Move*. A estudante de direito da UERJ foi impactada por uma dessas iniciativas – o curso de pré-vestibular social Santa Cruz Universitário – e hoje atua com outros jovens e adolescentes do seu território. Em dezembro de 2019, ajudou a fundar o Levante Aço, nome que faz referência à favela vizinha do Cesarão.

O projeto busca apoiar adolescentes e jovens, com atividades culturais e educativas e um sistema de tutorias, com acompanhamento de perto. A inauguração foi em janeiro, mas as atividades tiveram que ser interrompidas por causa da pandemia. “São oito jovens negros, que mesmo com faculdade e estágio, estariam fazendo essas atividades com eles. Tudo isso sem nenhum tipo de apoio do governo e da prefeitura”, desabafa Moanan. Isso se reflete na percepção que ela vem amadurecendo por meio do Geração que Move, de que no seu território há muitos talentos escondidos pela falta de oportunidades. “Tem muito jovem e adolescente que tem muita potência, mas isso não é aproveitado. Gente que tinha tudo pra ser e não é porque não tem essa mão, esse suporte”, diz.

A jovem está conhecendo alguns desses adolescentes na nova etapa do projeto, que tem foco em grupos no Whatsapp. O objetivo é reunir adolescentes de diferentes regiões e estimular a troca de informações e a produção de conteúdo no contexto da pandemia. Moanan está mapeando jovens do eixo Cesarão, Rolas e Aço, e descobrindo muitos adolescentes e jovens que não conhecia. “Tem muita gente boa no grupo, que pode produzir, estar numa rede como a Agência, ser uma liderança na comunidade, e às vezes essas pessoas não são descobertas”, diz ela.

O fato de o projeto estar acontecendo virtualmente tem colaborado para isso, possibilitando a conexão entre jovens moradores de áreas divididas em muitas favelas. É o caso da favela do Aço, onde uma subida divide as localidades De Alta e Vagão. “É uma outra realidade que a gente está alcançando. Se eu chegasse na casa deles na De Alta falando que ia ter uma atividade no Vagão, talvez eles não fossem, não teria essa conexão que estamos desenvolvendo. A partir de agora vai ter e não vai acabar nem tão cedo. É uma rede que vai ser difícil de ser cortada, de se desfazer”, afirma Moanan.

A jovem que divide o tempo entre os estudos para a faculdade, as ações sociais e a paixão pelos livros e pelos filmes – que assiste com o pai pelo menos duas vezes por semana – por um lado se sente triste com o que vê acontecer a sua volta. Mas, por outro, percebe que as redes de solidariedade estão se fortalecendo: “As pessoas estão cada vez mais solidárias, um ajudando o outro, trabalhando dia e noite nesse momento de pandemia. É por um motivo negativo, mas que me dá alguma esperança, de ter uma lição positiva, da solidariedade mesmo”.

*O projeto Geração que Move é uma iniciativa do UNICEF em parceria com Fundação Abertis e Arteris e realizado pela Agência de Redes para Juventude na cidade do Rio. A equipe da Agência atua com dez duplas de jovens e adolescentes de favelas e periferias, em duas frentes: produção de conteúdo com informações seguras e mobilização social em seus territórios, com a entrega de cestas básicas e livros. No Rio, o projeto tem apoio do Instituto Unibanco e do People’s Palace Projects.

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