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JUVENTUDE, FAVELA E A PANDEMIA: CONHEÇA MATHEUS AMERICANO

Matheus Americano sempre trabalhou no meio artístico. No seu território, a favela do Para-Pedro, na Zona Norte do Rio, organiza a Batalha do Para-Paz e o Slam do Cultura Parapedrense. Em 2020, pretendia seguir por esse caminho, mas a pandemia provocada pelo novo coronavírus obrigou o jovem de 23 anos a mudar seus planos.

Matheus foi um dos dez jovens selecionados para o projeto Geração que Move, uma iniciativa do UNICEF em parceria com Fundação Abertis e Arteris, realizado pela Agência de Redes para Juventude na cidade do Rio. Ele e seus colegas, de favelas das zonas Norte e Oeste, estão mapeando famílias em que jovens contribuam financeiramente e que, com a pandemia, ficaram em situação vulnerável. Eles distribuem cestas básicas e livros para essas famílias – em abril foram 420 cestas, com apoio do Instituto Unibanco, que contribui também com as bolsas dos jovens. “No momento é o que está fazendo a diferença na minha vida. Chegar e entregar uma cesta básica pra uma criança e ela vir com um sorriso de orelha a orelha porque estava com fome… É quando a gente vê que tem gente pior que gente”, conta Matheus.

Outra frente do projeto é a produção de conteúdo acessível com informações seguras sobre a pandemia, como o combate à desinformação e formas de proteção. Em um intervalo de três semanas, Matheus perdeu dois tios, os dois com covid-19. Ele teme que a falta de prevenção cause mais mortes nas favelas e periferias. “Dá um sentimento de tristeza pensar que mais gente pode pegar e mais gente pode morrer, sendo que a gente podia muito bem se prevenir. A dor que eu sinto agora eu não quero pra ninguém”, desabafa. Os jovens já produziram um vídeo desmentindo boatos sobre o coronavírus que soma quase cem mil visualizações nas redes sociais e estão trabalhando em outros conteúdos.

Além da atuação no Geração que Move, Matheus divide o tempo com outra atividade. Durante a pandemia, se juntou à mãe e às três irmãs para vender cachorro-quente na favela, a nova fonte de renda da família. Eles só saem de casa para trabalhar, tomando os cuidados necessários. “Aqui em casa todo mundo está se prevenindo. Elas estão acreditando muito, né, por causa da morte dos meus dois tios e de um que está internado com covid-19”, diz. Ele, como tantos outros jovens de territórios periféricos, sente a pressão causada pela pandemia. Ele é um dos muitos rostos que o Estado e a sociedade devem enxergar e escutar, para que o combate à pandemia chegue, de fato, a todos.

 

Por Yael Berman

2 Comentários

  1. Bel disse:

    Conheço o Mateus e acompanho sua evolução a algum tempo. Por morará na mesma comunidade, também me preocupo com a falta de cuidados que vivemos aqui.

  2. Anônimo disse:

    Quando conheci está agência recebi o convite da minha amiga Carol Du Pré, olha foi maravilhoso o primeiro encontro lá no Cesarão, e quem diria que essa menina tão certa do que quer seria impactante multiplicadora na minha vida e na comunidade Vila Kennedy conhecida como VK que tanto vive prisioneira do sistema e de suas próprias falhas como cidadãos na hora de ir às urnas, e isso me deixa com uma reflexão, eu sempre a conheci desde pequena aquela menininha franzina querendo seu espaço e oportunidades de ser ela mesmo sem rótulos ou algo redundante, e daí que ela entra na minha vida diretamente me trouxe até aqui só pelo simples fato de me levar até aquela reunião, na casa de uma moça onde todos estavam ali pra impactar positivamente a vida das pessoas, e eu amei conhecer a cada um por exemplo esse camarada aí na foto com a cesta o Americano muleque bom demais sensacional intervenção cultural que faz na sua comunidade, a gente se conheceu exatamente a caminho do encontro lá no Cesarão dentro do coletivo e dali já foi se estabelecendo uma conexão uma rede genial, pq na hora que ele viu Carol ela me apresentou a ele e vice versa, logo foi o despertar de que eu realmente estava no caminho certo confesso que ainda inseguro com relacionamento ao que ela estava me levando nossa o que será que estava me esperando né, ali eu realmente estava me dando ao luxo de descobrir o novo de sair da bolha a minha zona de conforto e saber o que o mundo tinha a me dizer através da ponte da Carol, foi massa pq logo me identifiquei com a Rede e já cheguei ouvindo sendo ouvido e daí foi batata, quando me vi estava lá no encontro dos produtores periféricos em Santa Teresa, foi um dia surreal mega incrível onde pude falar um pouquinho de mim e de onde vim Vk, para todos ali e conheci o amigo Bruno Black poeta escritor periférico também e hoje vou fazer parte de seu livro de poesias e assim minha rede segui crescendo pq só tem sido vitória, parabéns Rede nós juventude da VILA Kennedy precisamos de vocês, por favor socorram nós estamos morrendo cada dia a cada dia a cada dia, pelo genocídio aparato do sistema, de ambas as formas.

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