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JUVENTUDE, FAVELA E A PANDEMIA: CONHEÇA LUCIANO PIMENTA

“Tudo começa na minha interação com a minha rua”, diz o produtor cultural e estudante de gastronomia Luciano Pimenta, sobre as memórias com o seu território. Ele cresceu na Pavuna, brincando com os amigos em casa ou na rua, jogando bola. A rua também era o lugar das festas que organizava com a família – festa junina, festa de dia das crianças, festa na Copa do Mundo, tudo era motivo. Hoje com 24 anos, Luciano mistura a memória afetiva com os projetos que realiza na região. “Estou sempre trazendo a questão da Pavuna, é a minha bandeira mesmo”, afirma o jovem.

O Geração que Move* é um desses projetos. Luciano é jovem líder da Pavuna, e durante a pandemia, produz conteúdo e atua na distribuição de cestas básicas, kits de higiene e livros para famílias lideradas por jovens na região. Ao mesmo tempo em que impacta jovens em situação de vulnerabilidade social, ele se conecta com a própria rede. “Tem sido muito importante para fortalecer laços que eu já tinha com as pessoas daqui”, diz Luciano. São amigos que oferecem o carro para distribuir as doações, outros que ajudam a mobilizar espaços que sirvam de depósito, ou que colocam o próprio corpo à disposição.

Foi no Festival Todo Jovem É Rio, em 2017, que Luciano conheceu um deles, Felipe Rocha. O morador de Costa Barros virou amigo e hoje é um dos voluntários do Geração que Move. Foi também nessa época que Luciano começou a se engajar mais com questões sociais. “Fazia a roda cultural de rap da região, trabalhava na Feira Crespa. Mas o primeiro engajamento de pensar em questões sociais mais a fundo foi no Todo Jovem É Rio, quando eu conheci a Agência”, conta.

Luciano, Felipe e Pamela, também voluntária do Geração que Move na Pavuna

Além das redes na região e do engajamento social, Luciano ressalta os repertórios a que foi apresentado durante a trajetória na Agência: “Em 2016 eu era um menino da Pavuna que trabalhava na batalha de rap e era cozinheiro. Apesar de ter conseguido acessar muitos lugares, a mentalidade sempre foi muito pequena, a gente fica meio limitado. É difícil quebrar algumas barreiras, chegar em outros lugares, e a Agência apresenta a gente para isso”, diz. Desde então, ele participou de projetos e de cursos como o de Ciências Políticas da Casa Fluminense, onde estreitou laços com o atual chefe.

Hoje, Luciano soma ao trabalho na agência de estratégia e marketing e à atuação no Geração que Move seu próprio projeto, o Coletivo Viralata. Ele quer explorar os meios de comunicação e as mídias sociais, com engajamento em causas e mobilizações culturais – um momento muito forte, de ecoar as experiências de sua trajetória em criação, com base em tudo o que acredita. “Foi muito nessa vontade de me comunicar com grupos culturais e sociais, com tudo que tenha a ver com cultura de rua, periférica e urbana, por onde passam as minhas primeiras memórias”, explica Luciano.

*O projeto Geração que Move é uma iniciativa do UNICEF em parceria com Fundação Abertis e Arteris e realizado pela Agência de Redes para Juventude na cidade do Rio. A equipe da Agência atua com dez duplas de jovens e adolescentes de favelas e periferias, em duas frentes: produção de conteúdo com informações seguras e mobilização social em seus territórios, com a entrega de cestas básicas e livros. No Rio, o projeto tem apoio do Instituto Unibanco e do People’s Palace Projects.

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