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JUVENTUDE, FAVELA E A PANDEMIA: CONHEÇA JULIANA CARMO

Nascida e criada no Parque Colúmbia e hoje moradora de Honório Gurgel, Juliana Carmo diz que vive um aprendizado constante no campo do ativismo. Ela é ativista há 12 anos, tendo, há três, conhecido a Agência, experiência que define como um marco em sua vida: “Quando conheci a Agência, ampliei muito os meus repertórios e percebi que de fato poderia criar e gerar algo para o meu território. Antes, apesar de já ligada ao meio social, eu ainda era muito crua, principalmente de fala, de como que eu podia me inserir em determinados locais. Por meio da Agência conheci meu lado político, de liderança, que vem muito de como a Agência consegue desenvolver nossas habilidades”, diz.

Juliana participou de quatro ciclos diferentes, como jovem líder e como parte da equipe, e trouxe outros jovens com ela ao longo da trajetória. “As duas coisas de maior peso para mim foram que eu realmente atuei dentro do meu território, fazendo redes aqui, e dei oportunidade para outros jovens viverem o que eu vivi. Trouxe o Big Jaum e a Ana Acioli, e eles estão aí, até hoje comigo”, conta Juliana. Os três são hoje parte do time de jovens que lidera o Geração que Move* em favelas e periferias das zonas Norte e Oeste do Rio de Janeiro.

O grupo inclui dez jovens e dez adolescentes, que em duplas por região, estão mapeando famílias lideradas por jovens e que tenham ficado mais vulneráveis socialmente durante a pandemia. Essas famílias são cadastradas e apoiadas de duas formas: com cestas básicas, kits de higiene e livros, e com a produção de conteúdo com informações acessíveis sobre a pandemia. “Eu acho isso fundamental porque a informação às vezes não chega pra gente. Quando a gente produz conteúdo pensando na juventude, pensando em adolescentes, conteúdos informativos para atravessarmos a pandemia bem e seguros, a gente está impactando muitas vidas. A nossa produção de conteúdo hoje está com um alcance gigante – além das famílias, outras pessoas estão compartilhando e isso é muito importante”, ressalta a jovem.

O alcance a outras pessoas, para além das famílias mapeadas, também acontece nas ruas. “O comércio local e os empreendedores locais começaram a apoiar o Geração que Move. A gente tem diversos parceiros aqui em Honório Gurgel que ajudam a fazer o projeto rodar”, diz Juliana. São parceiros como o dono de uma pizzaria, que cede o espaço para ser ponto fixo no dia de entrega das cestas, uma rádio local, ou os mototaxistas que ajudam a alcançar famílias que não têm telefone. “A gente se deparou muito com isso, com famílias que não têm celular, que não têm esse meio de comunicação com a gente. Aí os mototaxistas pegam e entregam as cestas lá do outro lado de Honório, na Palmeirinha. Foi muito fácil ter esse diálogo com eles, principalmente por ser um projeto social que vai impactar a vida das pessoas do território de forma direta. Alguns são jovens e estão sendo impactados também”, explica.

A articulação com as redes locais fez surgir o Coletivo Criação, que reúne comerciantes e voluntários que apoiam o Geração que Move. Eles buscam implementar novas estratégias para seguir acompanhando as famílias. “Hoje a gente sai na rua e as pessoas reconhecem a gente, sabem que a gente está no território, apoiando as famílias de alguma forma, coisa que a gente não tem do Estado”, diz Juliana. A jovem relembra os relatos vivos que recebe a cada dia, de famílias que durante a pandemia viram o desamparo do governo e uma crise que já existia se intensificarem. “Mas quando trazemos o Geração que Move e colocamos essa sementinha que gera outra iniciativa, de criação, por jovens aqui dentro da favela, isso me dá esperança. É muito importante sabermos que não estamos sozinhos, e que não vamos parar”, ressalta Juliana.

*O projeto Geração que Move é uma iniciativa do UNICEF em parceria com Fundação Abertis e Arteris e realizado pela Agência de Redes para Juventude na cidade do Rio. A equipe da Agência atua com dez duplas de jovens e adolescentes de favelas e periferias, em duas frentes: produção de conteúdo com informações seguras e mobilização social em seus territórios, com a entrega de cestas básicas e livros. No Rio, o projeto tem apoio do Instituto Unibanco e do People’s Palace Projects.

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