JUVENTUDE, FAVELA E A PANDEMIA: CONHEÇA CESAR VARELLA

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JUVENTUDE, FAVELA E A PANDEMIA: CONHEÇA CESAR VARELLA

Cesar Varella, jovem líder do Geração que Move, envia mensagem para uma família que vai receber a cesta de apoio do projeto

O ano era 2018. O local, a Arena Carioca Jovelina Pérola Negra, na Pavuna, onde a equipe da Agência de Redes para Juventude realizava entrevistas com jovens de favelas e periferias para o próximo ciclo. Um dos jovens que apareceu foi Cesar Varella, morador da região. Aos 19 anos, nunca tinha participado de nenhum projeto, mas o desejo estava ali. “Eu queria muito fazer alguma coisa que causasse impacto social, mas não tinha as habilidades que tenho agora”, conta Cesar. Ele voltou à Agência pela terceira vez para integrar o time de jovens líderes do Geração que Move*. Ao longo dos últimos dois anos, se conectou com redes que tiveram um papel crucial na sua trajetória. “A partir de alguns contatos que fiz dentro do meu bairro, vi que tinha gente pensando e promovendo a mudança. Foi muito importante conhecer as pessoas do local em que estou inserido e saber que o que eu estava fazendo não era algo singular”, diz.

O jovem artista ressalta a necessidade do trabalho de base, e diz que o Geração que Move o ajuda nesse sentido. “Agora é a hora que eu me sinto mais preparado a pôr todo esse trabalho de base, que eu já fazia, em prática – um trabalho que é totalmente ligado à questão racial”, relata. Como parte do projeto, as dez duplas de jovens e adolescentes fazem um mapeamento de famílias lideradas por jovens nas zonas Norte e Oeste que tenham ficado mais vulneráveis socialmente durante a pandemia. Essas famílias, que segundo a experiência de Cesar são na maioria das vezes compostas por pessoas negras, são cadastradas e recebem cestas básicas, livros e kits de cuidados de limpeza e proteção – em maio, mil famílias serão contempladas.

O olhar de Cesar em relação ao mapeamento e à entrega das cestas é de muito carinho e afeto. “Me enxergo muito nessas pessoas, porque quando chega um jovem negro se colocando num lugar de pedir ajuda – que é um lugar muito difícil de assumir, assumir que precisa de ajuda para se alimentar -, é como se eu tivesse em contato direto comigo. É como se olhar no espelho, se ver no outro. Isso cria uma empatia muito grande”, explica. Pensando nisso, ele considera a forma de realizar a entrega das cestas um diferencial. “As cestas em si são muito importantes, são uma ajuda nesse lugar muito íntimo da sobrevivência. Mas acho que com o livro e o material de higiene, as pessoas veem que é uma outra coisa, que tem muito afeto envolvido”, comenta.

O afeto mencionado pelo jovem é compartilhado em outras esferas de sua vida. Com o curso de Letras na Unirio interrompido durante a pandemia, ele divide o tempo entre o Geração que Move e o Coletivo Via Light, formado por artistas negros da Zona Norte e Baixada Fluminense. “A pandemia atingiu muito os artistas independentes, mais ainda os do teatro, porque teatro é presença”, diz. Com a linguagem artística mais usada pelo grupo comprometida, a resistência vem em forma de conteúdo. “Estamos estudando muito e buscando ter acesso a vários tipos de conteúdo. Além disso, começamos a fazer lives e a entrevistar outros artistas, assim nos mantemos ativos durante a pandemia”, conta Cesar. Nas ruas, na entrega das cestas, e nas trocas online, o afeto é ponto comum. É com ele que, acompanhado de seus pares, Cesar segue seu caminho.

*O projeto Geração que Move é uma iniciativa do UNICEF em parceria com Fundação Abertis e Arteris e realizado pela Agência de Redes para Juventude na cidade do Rio. A equipe da Agência atua com dez duplas de jovens e adolescentes de favelas e periferias, em duas frentes: produção de conteúdo com informações seguras e mobilização social em seus territórios, com a entrega de cestas básicas e livros. No Rio, o projeto tem apoio do Instituto Unibanco e do People’s Palace Projects.

 

Por Yael Berman

1 Comentário

  1. Rita Maria disse:

    Acho esse tipo de atitude linda de mais quando se é feito ,por vontade própria onde o prêmio é o sorriso no rosto de quem se pode ajudar , conheço Cesar a muito tempo um grande amigo que nunca deixou faltar nem com sua amizade , nem com o q pudia ajudar pessoas perfeitas existem sim parabéns ao projeto também e aos envolvidos lindo de mais .

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