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JUVENTUDE, FAVELA E A PANDEMIA: CONHEÇA ANA ACIOLI

Ana Acioli e Allan Ribeiro, a dupla de jovens líderes do Parque Colúmbia, entregam cestas básicas e livros na região, como parte do projeto Geração que Move

Ana Acioli e Allan Ribeiro, jovens líderes do Geração que Move no Parque Colúmbia, entregam cestas básicas e livros na região

No coração do Parque Colúmbia, Zona Norte do Rio de Janeiro, moram Ana Acioli, a mãe e o pai. Os três tiveram suas rotinas drasticamente afetadas com a chegada do novo coronavírus: Ana é produtora cultural, a mãe é camelô e o pai, motorista de ônibus. Ele é o único que teve o trabalho mantido, mas mesmo assim, tem que lidar com a incerteza do salário integral e da própria integridade de sua saúde, uma vez que tem contato direto com os passageiros. A mãe, obesa e hipertensa, está sem renda desde que foram anunciadas as medidas de distanciamento social. Ana trabalha de forma independente, com diferentes projetos, o que deixa tudo muito incerto, mais ainda na situação atual: “Com a pandemia e a proibição de aglomerações, meus trabalhos caíram muito”, diz.

Mas a jovem não está parada. Ela integra o time de dez jovens líderes do Geração que Move, iniciativa do UNICEF em parceria com Fundação Abertis e Arteris, realizado pela Agência de Redes para Juventude na cidade do Rio. Como parte do projeto, Ana está trabalhando no mapeamento de famílias que tenham jovens como responsáveis pela renda, parcialmente ou totalmente. Em abril, 420 famílias foram cadastradas, e receberam cestas básicas e livros, com apoio do Instituto Unibanco. Além do mapeamento, o projeto tem o objetivo de difundir informação segura e de qualidade. Os dez jovens atuam em dupla com adolescentes dos mesmos territórios, nas zonas Norte e Oeste, produzindo conteúdo sobre proteção e conscientização. No Parque Colúmbia, o adolescente Allan Ribeiro, nascido e criado no bairro, compõe a dupla.

Ana ressalta que o Geração que Move está lhe dando a oportunidade de conhecer mais gente e de acessar novas redes dentro do seu território: “Estou conhecendo muito mais pessoas do meu bairro, e vejo que estou ampliando ainda mais as minhas redes. Eu já conhecia pessoas daqui, mas agora estou conhecendo em outro lugar, nesse lugar de cuidado. E focando muito nas oportunidades de diálogos, de trocas”. É desse lugar de cuidado que vem a força para a jovem se fortalecer internamente. “Tenho procurado a cura nas pequenas coisas. A minha ancestralidade sempre mostrou que a cura está nas coisas simples, e é isso que estou fazendo. Minha relação com a cozinha está mudando, estou cuidado do meu jardim em casa, mexendo na terra e me conectando muito com as produções audiovisuais independentes”, diz.

Esse é o terceiro ciclo da jovem na Agência, carregando a singularidade e todas as consequências de uma pandemia. Ana reflete sobre sentimentos múltiplos, sobre a dificuldade de encarar a realidade do seu próprio território com lucidez, e, ao mesmo tempo, sobre a felicidade de poder ajudar. “Quando a gente vê mesmo a realidade do lugar que a gente vive, não é muito fácil de lidar. É difícil ouvir tantas histórias tristes e compreender que é uma realidade sua, que é o seu território. Mas estou muito feliz que estamos nos fortalecendo, e principalmente, nos fortalecendo na prática”, diz. Em um momento em que há tantas famílias em situação de extrema vulnerabilidade social, Ana relembra: “Além de todas as campanhas de conscientização, quando a gente dá cesta básica e livro, a gente dá ferramentas para que as pessoas possam sobreviver”.

 

Por Yael Berman

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