Jovens articulam a rede cultural da Rocinha

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O InterVem Favela reuniu centenas de pessoas em sua primeira intervenção artística na Rocinha, na pracinha da RS. Resultado de uma mobilização estratégica feita em mídias sociais, do infalível boca a boca pelas ruas do bairro e de uma programação pra não deixar ninguém parado. E, segundo definição do próprio grupo, o palco foi o mais democrático do mundo: a rua. A inauguração desse projeto, fruto da metodologia da Agência de Redes para Juventude, mostra que o jovem de periferia é um articulador e que pode movimentar e democratizar a cidade a partir dos repertórios do seu território.

O coletivo é formado por Lucas Pablo (25), Gabriella Santos (19), Érica Luz (21), Deocleciano Alves (21) e Rodrigo Franscisco (21). Os cinco jovens foram unidos pela percepção que tiveram em comum durante o ciclo de estímulos da Agência: era preciso desenvolver uma rede forte entre os artistas da Rocinha. Foi a partir desse pensamento que eles tiveram a ideia de reunir artistas e moradores nas ruas da favela, por meio de intervenções artísticas, com a proposta de dar visibilidade ao que é inventado lá, sem barreiras físicas (como as ladeiras) ou simbólicas (misturar estilos e expressões artísticas é uma das ações chaves do projeto).

“A ideia é fazer da rua esse espaço de troca, para potencializar os artistas do território, os que ainda não são vistos ”, contam Pablo e Érica.

Quando a noite foi chegando, um dos Djs mais sagazes da Rocinha, o DJ-ST Implacável, soltou o primeiro som da noite. O ritmo era de rap e hip-hop e quem passava já ia parando em torno do palco, se sentando nas barraquinhas de comida espalhadas no entorno, ansiosos pelo que ia acontecer. Logo em seguida, a primeira atração a subir no palco foi Eliete Miranda, professora de dança afro, que deu um aulão no ritmo hip-hop para esquentar a noite. Nessa primeira hora, cerca de cem pessoas se juntaram na praça e o número foi crescendo ao longo da noite. Enquanto rolava muita música e dança, um outro palco era ocupado pela Rocinha Surfe Escola, com uma sessão de cinema infantil, atraindo a atenção da criançada. O evento ainda teve a participação da escritora Bibi Perigosa, que mantém um blog com cotidiano e contos sobre a comunidade.

Circular e conhecer a cidade, principalmente o seu território, é peça fundamental na missão que o projeto adotou. “Por eu estar no meio cultural da Rocinha desde novo, tenho contatos e isso facilita muito. Eu sou bem eclético e sempre quis quebrar paradigmas. A galera do funk não queria se juntar com o hip-hop, por exemplo. Eu penso: vamos fazer uma roda que junte todo mundo”, conta Rodrigo.

Com esse pensamento e olhar sensível de integrar movimentos artísticos para potencializar o território, InterVem Favela já tem ação planejada até o fim do ano. A luta pela democratização da cultura e expressão artística da juventude é o combustível dessas lideranças que surgem nas periferias. Para ficar por dentro de toda a programação do coletivo, curta a fanpage.

 

 

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