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Jornada do herói é aqui e agora

O que a metodologia da Agência de Redes para Juventude tem a ver com Star Wars, Avatar, Senhor dos Anéis, Batman, Mário Bros e a Odisseia de Homero? Do lado um time de jovens de origem popular e do outro um time de heróis? Joseph Campbell e teoria literária da Jornada do Herói mostram que, como nos sets americanos, no Batan é possível encontrar grandes histórias.

A dramaturgia da Agência

Disputar uma nova narrativa da cidade também é dramaturgia. “Drama” vem do grego e significa ação. A essência de uma ação é o conflito. Em cena, toda ação depende do conflito e da maneira como os diferentes personagens agem para atingir seus diferentes objetivos.

Se organizar ações de forma coerente para provocar emoções (abalo da moral) é dramaturgia, como diz Aristóteles, logo não seria só no teatro, no cinema e nas novelas que poderíamos nos deparar com ela. Na vida sempre apresentamos uma em diversos palcos e para diferentes públicos. Criamos nossa própria arte.

Acreditando nesta potência inventiva, a Agência de Redes para Juventude também cria sua dramaturgia para gerar um novo espaço-tempo onde o jovem de origem popular se reconheça um criador. Essa se desenrola e ganha ambiente artístico aos sábados nos denominados estúdios de criação que acontecem em diferentes territórios do Rio de Janeiro.

E, para mostrar que existe verossimilhança entre vida e dramaturgia, a Agência se inspira na teoria literária da Jornada do Herói, de Joseph Campbell, para articular emoção e metodologia na composição do seu ciclo de cenas também conhecido como Ciclo de estímulos.

 

A trajetória: um entre 300 heróis

Jovens do Batan mostram suas bússolas, primeiro elemento da dramaturgia da Agência produzido no ciclo.

Júnior Santana, de 21 anos, é morador da Vila Kennedy. Estudante de clarinete, instrumento de sopro, o jovem divide atualmente a paixão pela música com o entusiasmo pelo The Sims, jogo eletrônico que simula a vida real. Fora do ambiente virtual, o rapaz tem ainda como projeto de vida cursar direito e abrir um estúdio de música.

Treinando estratégias no seu mundo virtual, até então comum, ele recebeu numa terça-feira um chamado à aventura saltando pelo inbox. “Vamos investir na tua ideia”, disse a produtora da Agência de Redes para Juventude Rebecca Vieira. O convite era para o novo Ciclo de estímulos da Agência. 300 jovens de Santa Cruz a Ipanema foram selecionados para participar de uma jornada onde o objetivo é colocar em ação suas ideias.

A proposta de R$10 mil para começar um projeto foi tentadora, mas causou resistência, a princípio. “Caraca! Eu vou para mais uma entrevista. Deve ser maior furada”, pensou Junior. Essa indecisão começou a diminuir com os conselhos do seu Vladimir de Mello e dona Ana Lúcia. “Vai lá! Vê direito o que é”, falavam os pais que, por transmitirem sempre humildade, são a garantia de bons ensinamentos para Junior. O jeito então seria ver o que era ‘essa coisa de agência’.

A sagacidade aprendida em traçar estratégias com o The Sims foi útil na verificação dessa nova aventura. Visitando páginas, o site da Agência, os perfis de quem já participou e perguntando tudo à Rebecca, foi como Junior começou a se preparar para o dia da sua seleção. No dia 15 de agosto ele compareceu à Casa Missionária Viva a Vida, no Batan, para cruzar o liminar dessa jornada que o reconheceria como criador.

Com uma ideia já forte na cabeça, ele falou em cinco minutos sobre seu desejo de criar uma roda de rima no território para a mediadora Clara Lobo. A potência do jovem e o impacto da ideia rendeu a aprovação para o novo Ciclo de Estímulos da Agência de Redes para a Juventude.

O papo de ‘apostar na sua ideia’ era real e reservava uma maratona de desafios até a Banca avaliadora para os R$10 mil. Cada sábado um estúdio, uma criação. Aproximar o desejo da realidade é possível. Para isso, é preciso traçar as estratégias certas. Cada instrumento usado (Bússola, Inventário, Mapa e ABCdário) tem como objetivo ampliar o repertório para encontrar possibilidades de como fazer isso.

No último sábado (26), ele e mais 299 jovens de diferentes territórios populares do Rio de Janeiro vivenciaram um dos momentos importantes para a conquista da recompensa. Uma Feira de Ideias foi realizada em cada território para combinar ideias, habilidades, afinidades e os pontos de atuação no território. A partir do grupos formados neste sábado, eles começam a criar o projeto que será apresentado a uma banca no dia 05 de dezembro.

Depois de conquistar a recompensa, o caminho de volta ainda reserva bastante trabalho e mais duas etapas nessa trajetória. São elas a depuração – a desencubadora do seu projeto e os desafios de operacionalizar; e o retorno transformado – execução do projeto no território.

A universitária Ana Clara conversa com Júnior no Batan.

 

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