JACAREZINHO: TERRITÓRIO DE JOVENS CRIADORES

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JACAREZINHO: TERRITÓRIO DE JOVENS CRIADORES

A Chacina do Jacarezinho de 6 de maio de 2021, marcada pela operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, mostra a face mais violenta da estigmatização dos moradores de favela – especialmente a dos jovens. É preciso, porém, questionar esse estereótipo e reafirmar que a juventude do Jacarezinho cria ações e projetos que mudam a realidade do território, estimulando a potência dos moradores.

Os jovens representam 28% da população do Jacarezinho (são 10.610, de acordo com o Censo Demográfico de 2010 do IBGE). Projetos como o Guia Favela, Nica Jacarezinho, Lab Jaca e Jacaré Basquete demonstram a diversidade de atividades criadas e realizadas por jovens dentro do território. São esses projetos e essas vozes que precisam estar em destaque. Por isso, dividimos este espaço com Thiago Nascimento, morador do Jacarezinho, criador do LabJaca e do Jacaré Basquete e jovem do Ciclo 2021 da Agência:

“Somos maiores que essa chacina, é terrível ver a favela ser representada a partir da violência quando ela poderia estar sendo vista a partir das nossas potências. Ver o banho de sangue protagonizado no Jacarezinho, dói. Ver a juventude morta pela bala da polícia, dói. Pensar que nessa operação falou-se em garantir direitos fundamentais da criança e do adolescente é ainda mais triste. Garantir direitos com tiro? Com águia? Com caveirão?

O Estado se ausenta ao não promover cultura, esporte e lazer, mas ele aparece com a bala, com o fuzil e com a brutalidade. Quero um Jacarezinho que de fato seja melhor que Paris, em que o direito ao lazer seja garantido, onde as crianças tenham a opção de ir jogar basquete ou estar no teatro, que os jovens possam ter acesso à universidade, possam empreender ou ter um emprego formal. Esse Jacarezinho não vai ser possível com esse tipo de política pública, não é com a violência que se faz mudança estrutural, é com saúde, educação, esporte e lazer. ”.

* Foto de capa: Thiago Nascimento em ação do Jaca Contra o Corona. / Crédito: Thiago Lima 

1 Comentário

  1. Doni Santiago disse:

    “Somos maiores que essa chacina, é terrível ver a favela ser representada a partir da violência quando ela poderia estar sendo vista a partir das nossas potências”.
    essa fala foi muito bem colocada, faço inclusive, dessas, as minhas palavras.
    Tenho 28 anos, sempre promovi e incentivei ações sociais voltadas as comunidades menos favorecidas. Com muito esforço, estou em busca de realizar o sonho de me formar em jornalismo, e espero através deste sonho, contribuir para a mudança desta realidade (Triste Realidade aliás), principalmente e sobretudo do povo negro, mulheres pretas, lgbtqia+, idosos, portadores de necessidades especiais, não importando a condição destas pessoas, espero logo e em breve poder estar realizando trabalhos sociais juntamente com vocês ai no Jacarezinho, ou em qualquer outra periferia desse Brasil. Pois eu acredito nesta visão do meu amigo Thiago Nascimento, que temos muitos taletos transformadores, dentro das nossas comunidades, e juntos esses talentos, iremos nos multiplicar, ao ponto de Arte, a Cultura e a Educação, ser mais forte que qualquer fascismo , e mais poderoso que qualquer força contraria, e ainda imune a toda e qualquer forma de violência, repressão, desrespeito, intimidamento, genocídio, homicídio, femininístico, trans fobia, lgbtqfobia, racismo, hipocrisia, mortes, assassinatos, e interrupções de sonhos, de vidas, e de futuro; o nosso Futuro.

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