INVENTÁRIO E FEIRA DE IDEIAS

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INVENTÁRIO E FEIRA DE IDEIAS

No segundo dia de estúdio de criação, jovens do Batan, de Santa Cruz e da Pavuna avançaram para mais uma etapa da metodologia. Além de aprofundarem no instrumento Inventário, visto na semana anterior, descobriram e aplicaram a Feira de Ideias.

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No Batan, o café da manhã é colaborativo. Alguém traz um biscoito, outro traz os pães, outro a mortadela, o suco… e antes de começarem os trabalhos a energia já está alta!

O mediador Igor Rosa e o assistente de metodologia Felipe Salsa chamam todos, pontualmente, para tirarem os sapatos e fazerem uma roda para dar início às atividades. Depois de um aquecimento, cada jovem sorteou uma palavra para fazer uma mímica diante do grupo. Igor explicou o sentido desse exercício: aprofundar o inventário sobre sentimentos que foi feito no primeiro sábado. “Criar também é voltar no objeto que a gente já fez, então a gente volta nessas palavras, para aumentar nosso repertório”, explica.

 

O QUE É IDEIA?

Santa Cruz trabalhando 'o que é ideia?'

Foto: Aline Bicalho

Não é apenas quem estuda que tem ideias. Ter ideias não é coisa para gênios ou para jovens mais privilegiados. Ideia é visão de mundo, é entender algo e é também ação. Em duplas, os jovens conversaram sobre o que eles acham que significa a palavra “ideia”.

Mariana Rosa deu um exemplo, ela pensou que poderia fazer um brigadeiro e comentou com outra jovem, isso já é ideia compartilhada. “Resumimos ideia em uma palavra: concepção” – diz Mariana.

Evelyn Falcão e Yasmin Gomes disseram que ideia é “criar uma solução para algo, um pensamento, é criatividade e ideia também é vivência pessoal.” Yasmin explica que, por terem vivências parecidas, várias pessoas podem ter ideias parecidas sem terem combinado antes e acabarem trabalhando juntas por um mesmo propósito. Afinal, uma ideia não nasce do nada, nasce do nosso contato com os outros e com o território.

 

FEIRA DE IDEIAS

Grupos desenvolvendo as ideias na Pavuna

Foto: Elaine Rosa

No sábado anterior, divididos em 4 grupos, os jovens construíram inventários respondendo a algumas perguntas: O que você sente ou pensa quando fica sabendo que algum jovem desistiu da escola? E quando presencia alguma violência contra a mulher? O que podemos fazer para manter os jovens na escola? E para inibir atos contra a mulher? Mantendo os mesmos grupos, no último sábado os jovens pensaram em ideias para a educação e a violência contra mulheres, a partir desses inventários.

Os criadores da Pavuna expuseram suas ideias. César Damázio (19), morador da Pavuna explica o que “quando a gente vê um caso de assédio no jornal, é diferente de um caso de assédio que acontece bem próximo de você, na sua casa, com a sua irmã… e você sabendo que isso acontece no meio da sua vivência, isso causa um impacto maior do que você ver no jornal”. Considerando esse pensamento, o grupo teve a ideia de uma rádio que contasse casos de assédio dentro de escolas públicas, paralelamente a um grupo de apoio anônimo para meninas relatarem violências que já sofreram, contando com o voluntariado de psicólogos e assistentes sociais.

Apresentação de ideias no Batan

Foto: Rebecca Vieira

Ao todo foram 12 grupos criando soluções, surgiram possibilidades de aplicativos de celular para a proteção da mulher, intervenções em escolas públicas, campanhas contra a evasão escolar, campanhas de sensibilização da sociedade contra o assédio etc. No Batan, após um dos grupos pesquisarem estatísticas sobre evasão escolar e sobre a redução do números de professores que têm se formado, Josué Jardim (27), morador da Vila Kennedy concluiu juntando os dados: “é a matemática da explosão. Vai explodir essa bomba em algum momento, a gente tá aqui pra desarmar”.

O QUÊ E POR QUÊ?

Para aprofundar e qualificar o conceito de inventário, o final do estúdio os jovens passaram para o instrumento e explicaram três sentimentos que já tiveram na Agência, narrando inclusive o momento em que sentiram. Não basta saber enumerar, é preciso que os elementos inventariados sejam qualificados para que o inventário seja um instrumento útil na formulação de ideias e projetos.

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Nesta etapa do processo, as ideias estão começando a brotar e serem compartilhadas. Durante os próximos 5 sábados veremos outros instrumentos serem aplicados, para transformar os projetos criados por jovens de origem popular em poder para intervir na educação e na segurança da cidade.

#TodoJovemÉRio

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