GERAÇÃO QUE MOVE: REDES DE SOLIDARIEDADE, DE JOVEM PARA JOVEM

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GERAÇÃO QUE MOVE: REDES DE SOLIDARIEDADE, DE JOVEM PARA JOVEM

André, seu primo Douglas, e a jovem líder do Geração que Move Juliana Carmo no quarto que serviu de depósito para o projeto

Naquele sábado, o último de maio, o dia de André Queiroz seria diferente. O rapaz de 21 anos trocaria a manhã, tarde, e noite levando e buscando passageiros a cada chamado no aplicativo por um dia dedicado à solidariedade em Honório Gurgel, Zona Norte do Rio de Janeiro. O trabalho começou dias antes, com os preparativos para a entrega das 174 cestas, livros e kits de higiene, do total de mil que seriam entregues naquele fim de semana a famílias lideradas por jovens em regiões de periferia. André se juntou à rede do Geração que Move* depois que seu primo, que já era voluntário, entrou em contato perguntando se ele conhecia algum lugar onde pudessem armazenar as cestas. O jovem e a avó, com quem mora, decidiram transformar um quarto da casa em depósito.

André tem um carro, de onde vem a principal renda da casa atualmente. Já habituado às corridas, antes da pandemia divididas com os trabalhos como fotógrafo, também se colocou à disposição para fazer o transporte das cestas. No dia da entrega, entre a ação e a comemoração pelo dia com a jovem líder Juliana Carmo e os outros voluntários, trabalhou como motorista de aplicativo. “Nós chegamos no ponto da entrega das cestas às 7h e saímos de lá por volta das 18h. Consegui dar umas voltas como Uber até umas 20h30”, diz. No domingo, André também trabalhou. “Comecei às 10h, parei às 16h para almoçar, voltei às 18h30 e fui até meia-noite. Como não estou trabalhando dia de semana por não compensar agora, nos finais de semana estou trabalhando dobrado”, conta o jovem.

Em outro ponto da Zona Norte, no Complexo do Chapadão, mais um jovem líder do Geração que Move engaja outros jovens voluntários. Luciano Pimenta teve o primeiro contato com Diane Carvalho no mapeamento de jovens da região que contribuíssem com a renda de casa e tenham sido afetados durante a pandemia. Diane tem 23 anos e atualmente é quem garante a renda de casa, com o salário do Jovem Aprendiz. Ela mora com o pai, que está desempregado, e a mãe, que teve que fechar o salão de beleza. A mesma jovem que recebeu apoio começou a apoiar. Além da ajuda com o cadastro de jovens da sua região, ela atuou, com a família, no dia da entrega das cestas. “Quando o Luciano me convidou para ajudar, eu comentei com a minha mãe. Foi quando ela ofereceu o salão para ser ponto fixo para a ação. No dia, ela e meu pai me ajudaram também, na organização das filas e na distribuição das cestas”, relata.

Quem também abriu espaço para o projeto entrar foi Rebecca Vieira, jovem que integra a rede da Agência desde 2012, quando entrou como produtora local. Hoje, ela é voluntária do Geração que Move, mapeando famílias em duas das mais de vinte comunidades impactadas pelo projeto na Zona Oeste – Batan e Fumacê. Ela recebeu 50 cestas, livros e kits de higiene em casa, para serem distribuídas em áreas que, de acordo com ela, estavam quase sem nenhum apoio. Na mesma Zona Oeste, outras regiões foram escolhidas como prioritárias para o Geração que Move. Santa Cruz, bairro com comunidades que têm alguns dos menores índices de IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) da cidade, também precisava do apoio que na maioria das vezes não chegava. Foi lá, em doze comunidades de Santa Cruz e adjacências, que Moanan Couto liderou a entrega de 70 cestas, com o apoio de duas jovens voluntárias mobilizadas por ela.

Moanan e a amiga e voluntária Andhressa catalogam livros para serem entregues com as cestas básicas e kits de higiene

Andhressa Inara, com quem Moanan estudou na escola, é uma delas. A jovem de 22 anos descobriu o projeto quando a amiga perguntou se ela conhecia famílias que estavam precisando de apoio no Cesarão, onde as duas moram. “Falei que eu estava precisando. Moro com a minha mãe, meus três irmãos adolescentes e meu marido. Minha mãe e meu marido trabalhavam, e eu fazia bicos com qualquer coisa que encontrasse. Com a pandemia, eles foram dispensados e eu também fiquei sem trabalho. Ficamos totalmente sem renda”, conta Andhressa. Ela tinha pedido o auxílio emergencial, mas ainda não tinha recebido. “Só recebi depois da cesta, então foi de grande ajuda. A gente estava ficando sem nada”, relata.

Ao mesmo tempo em que Andhressa enfrentava a angústia da falta de renda, começou a colaborar com a amiga, mapeando famílias no Cesarão, ajudando a catalogar livros e apoiando no dia da entrega. “Pra mim é muito bom poder ajudar as pessoas, e eu fui uma delas. As pessoas aqui são meio esquecidas, né? Fico feliz de ver uma mulher forte e guerreira como a Moanan enfrentando isso com a gente”, diz. O caso de Andhressa e Moanan é exemplo do quão importantes são as redes de solidariedade do Geração que Move. Redes formadas por jovens e para jovens, em mais uma prova da importância das práticas de rede para a juventude.

*O projeto Geração que Move é uma iniciativa do UNICEF em parceria com Fundação Abertis e Arteris e realizado pela Agência de Redes para Juventude na cidade do Rio. A equipe da Agência atua com dez duplas de jovens e adolescentes de favelas e periferias, em duas frentes: produção de conteúdo com informações seguras e mobilização social em seus territórios, com a entrega de cestas básicas e livros. No Rio, o projeto tem apoio do Instituto Unibanco e do People’s Palace Projects.

1 Comentário

  1. Matheus disse:

    Parabens o trabalho de vcs sao lindos e benificiente sempre ajudando o proximo que deus abencoe cada um de vcs

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