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Fazer ideia virar projeto: da criação à realização

Por Barbara Horrana (João XXIII), Carolina Lorenço (Cidade de Deus), Jeandson Moreno (Centro e Rocinha), Juliana Sá (Batan), Mayara Ximenes (Veridiana – Santa Cruz), Maycom Brum (Pavuna).

Em mais um sábado de desenvolvimento de projetos da juventude popular a partir da metodologia da Agência de Redes Para Juventude, os bolsistas estão revisitando e refazendo os quatro principais instrumentos experimentados até então (Inventário, Mapa, Um dia do meu projeto e Abecedário). Os grupos estão voltando às suas produções – quando a ideia ainda estava mais no campo do desejo – de acordo com as necessidades atuais do futuro projeto.

Este sábado é mais um dedicado à preparação da Banca. A dedicação intensa para o momento final do ciclo de estímulos da Agência começou em 31 de outubro, dia em que os estúdios passaram ser menos lúdicos e mais pragmáticos quanto ao aprimoramento das ideias. O objetivo deste período é trazer a noção de realização mais forte para os jovens bolsistas, uma vez já estimulados quanto criadores (o resgate dos instrumentos traz essa noção!).

#AGÊNCIABATAN

Os bolsistas do GYC Project estão planejando um jogo que combina interações virtuais e reais no território do Batan.

Uma banca surpresa formada pelos universitários foi a recepção dos jovens do Batan. Com a apresentação e os questionamentos recebidos, os grupos sentiram a necessidade de refazer alguns instrumentos para objetivar as ideias de projeto.

Os jovens do GYC Project estão construindo novamente ‘Um dia no meu Projeto’, mas focados em desenvolver a primeira fase do jogo que eles estão pensando. A proposta é envolver 20 jovens, de 15 a 18 anos, do Batan num jogo que funcionaria sob a perspectiva da realidade ampliada que envolve ações virtuais e reais.

Para isso, Alan de Freitas, de 17 anos, Daniel Matheus, de 15, e Andrey Paulino, de 16, já mapearam os locais do território onde os participantes seriam encaminhados pelo jogo e inventariaram as informações que seriam achadas nesses locais para mudar de fase.

A teora literária da Jornada do herói, que também é usada na metodologia da Agência,  é o que está inspirando a organização das informações levantadas com o mapa e o inventário no instrumento que eles estão refazendo, uma espécie de storyboard das fases do jogo.

O objetivo do grupo é fazer com que os participantes conheçam melhor seu território descobrindo novas histórias e atividades.

#AGÊNCIACENTRO

Yasmin Lima, de 20 anos e Flávio Patrick, 21, dois dos idealizadores do The Brooklyn Rec.

O núcleo Centro, na sede da Agência, incorporou o espírito de banca e a parada ficou mais séria. A meta do dia foi adiantar o máximo de detalhes do projeto e determinar melhor as ações objetivas nos grupos para finalizar o preenchimento da ficha para a banca.

O projeto é direcionado para artistas de territórios populares, principalmente de Manguinhos. A manutenção das redes que serão estabelecidas pelo grupo, crowdfunding ou a procura de editais públicos para microprojetos são saídas que foram consideradas na ficha para tornar as ações mais tangíveis. “Vejo que a Associação de Moradores de Manguinhos, por exemplo, pode ajudar a facilitar o nosso acesso ao poder público”, pontua Flávio sobre as parcerias.

A tangibilidade das ideias nessa etapa é fundamental para os grupos, pois com os objetivos mais estruturados, o projeto ganha corpo. Fazer registros audiovisuais e sketches de organização de ideias, por exemplo, são ações estruturantes.

#AGÊNCIACIDADEDEDEUS

As criadoras do Sem Barreiras, junto com a universitária Mayare Teixeira e Hanier Ferrer, coordenador de redes da Agência, levantaram outros possíveis parceiros para o projeto, como o Movimento Down.

Mapa, entre outros instrumentos plásticos vistos ao longo do Ciclo de Estímulos, está sendo resgatado e trabalhado na Cidade de Deus.

O Sem Barreiras, projeto que pretende trabalhar com crianças com Síndrome de Down – voltou ao mapa para identificar novos parceiros e confirmá-los para as próximas semanas de modo a mostrar segurança e certeza na frente da banca. Idealizado por Iasmin Sant’Anna, Simone Souza, Agata Lima, Thatiany Guanabara e Wandressa Cristina o grupo está mapeando crianças na comunidade e escolas da região que podem colaborar com o projeto. Junto com a universitária Mayare Teixeira e Hanier Ferrer, coordenador de redes da Agência, levantaram outros possíveis parceiros, como o Movimento Down.

Já o Salão Social definiu hoje sua principal ação: o projeto promoverá batalha de salões num concurso. As integrantes do grupo Josilaine Santos, Dandhara Gomes, Gabrielle Gomes e Mayara Cristina vão junto com a universitária Thais Moura procurar profissionais que desejam fazer parte, e os serviços oferecidos por eles.

Após estudar as dificuldades das mulheres da comunidade, Jeane Cristina e Myllena Santos definiram que A arte de lutar oferecerá aulas de defesa pessoal às mulheres da Cidade de Deus. Os próximos passos serão o mapeamento das academias de luta da região e o levantamento de quantas mulheres são atendidas por elas.

#AGÊNCIAJOÃOXXIII

Um dos principais debates que está rolando no núcleo João XXIII, em Santa Cruz, é sobre os reais impactos que os projetos dos jovens bolsistas podem gerar no território.

O Agindo em Movimento, projeto idealizado por Luiza Ignácio, Ysabele Christiny, Carla Souza e Ravynne Baptista, deseja dar um novo significado à Santa Cruz. Segundo elas, o local é culturalmente taxado como um lugar da ausência de oportunidades e, na verdade, o que muitas vezes ocorre é a falta de divulgação das ações que acontecem internamente.

"É necessário mostrar para as pessoas que as oportunidades de trabalho e estudo não estão tão longe de onde elas moram. Santa Cruz é um bairro muito grande e muita coisa acontece aqui, mas as pessoas costumam ir pro centro da cidade, por exemplo", conta Luiza Ignácio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As jovens relatam uma realidade bastante comum nessas áreas pertencentes à Zona Oeste: o desdobramento que os moradores fazem para ter acesso a um emprego ou curso. “É necessário mostrar para as pessoas que as oportunidades de trabalho e estudo não estão tão longe de onde elas moram. Santa Cruz é um bairro muito grande e muita coisa acontece aqui, mas as pessoas costumam ir pro centro da cidade, por exemplo”, conta Luiza.

Considerando as observações feitas a cerca do território, elas desejam oferecer um mapa de oportunidades, sobretudo para a juventude local, para que as pessoas saibam onde encontrar lugares que ofertem vagas de empregos, cursos e consultoria (para empreendedores locais) de acordo com suas necessidades.

#AGÊNCIAPAVUNA

O NoDivisionClan pretende atender jovens artistas da Pavuna.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais um dia de trabalho pesado e de novas (e importantes) percepções sobre os projetos. Os bolsistas estão sentindo aquela tensão pré-banca e tendo que amadurecer os seus projetos rapidamente.

Um dos projetos da Pavuna que quer chegar com tudo para levar os R$ 10 mil é o NoDivisionClan. A missão é potencializar uma das grandes característica da Pavuna: os artistas do campo da música. Entre as ações planejadas pelo grupo gravação de músicas, gerenciamento de carreiras e profissionalização musical de jovens da Pavuna.

A ideia já existe desde 2014 e os responsáveis por levá-la à Agência é Sheik, 23 anos e Camila, 18. NoDivisionClan funciona, atualmente, apenas como produtora de eventos e gerenciamento de carreiras. “A dificuldade dos MC’s de encontrar estúdios acessíveis foi o motivador do projeto” conta Sheik. Pamela, 17 anos e Caique, de 16, se juntaram ao clã. Ela na feira de idéias e ele um pouco depois.

Gerenciar as diferentes trajetórias e desejos dos integrantes, quando à própria vida e à Pavuna, é um dos grandes desafios dessa reta final do ‪#‎CicloDeEstímulos‬.

#AGÊNCIAROCINHA

O grupo pretende fechar parcerias com grafiteiros da comunidade para ensinar as técnicas de grafite e grafismos nas escolas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na Rocinha, na C4 – Biblioteca Parque da Rocinha, os bolsistas, junto com a  equipe, continuaram com o aprimoramento dos projetos para objetivar ainda mais as ideias.

Arthur Araújo, de 18 anos, Gustavo Silva, de 15 anos e John Lennon Pereira, de 17 anos, que estão projetando uma marca de camisas da Rocinha na linguagem de grafite. Oficinas sobre esta arte nas escolas da Rocinha para jovens também estão previstas no projeto. O trio refez o mapa da ideia e o inventário para reforçar os links no território para o fortalecimento da marca de camisa e das oficinas.

O grupo pretende fechar parcerias com grafiteiros da comunidade para ensinar as técnicas de grafite e grafismos nas escolas, como o grafiteiro Wark, e outros que já atuam no território. Arthur, Gustavo e John, coordenadores das oficinas, também irão planejar as aulas e as vendas de camisas que serão distribuídas nas lojas com estilo street para jovens.

#AGÊNCIAVERIDIANA

Eu participei do ciclo no ano passado, e este ano estou me apegando muito mais à metodologia pra chegar com tudo na banca, e desta vez, ter o meu projeto premiado com os 10 mil", conta Kethelen Santos, 18 anos, do FUNK-SE.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A metodologia da Agência ajuda a objetivar e guiar os projetos até a apresentação para a banca, ou por que não, durante toda a sua trajetória de ações na cidade!?

Na CEB (Comunidade Eclesial de Base) – local do Estúdio de Criação em Veridian, Santa Cruz – os jovens aproveitam a volta aos instrumentos plásticos produzidos em etapas anteriores do ciclo para fazer ajustes e resgatar ideias que se perderam no caminho.

“A gente tinha a ideia de fazer tipo um “balãozaço” uma semana antes do evento para divulgar. A proposta era soltar balões personalizados com o nome do projeto, o endereço nas redes sociais e um panfleto do evento que iria ser realizado dentro desse balão. Acho essa ideia de divulgação muito legal, mas ela acabou caindo no esquecimento conforme as semanas foram passando. Estar voltando hoje ao Abcdário fez a gente se reconectar com as nossas ideias iniciais”, comenta Evelyn Dias, 15 anos.

Kethelen Santos, 18 anos, idealizadora do FUNK-SE – projeto de batalha do passinho só com mulheres – que ainda tem como integrantes Evelyn , Ana Beatriz e Camila Neves, falou sobre a importância de se solidificar a partir da metodologia para garantir uma boa apresentação no dia da banca. “No começo não entendemos muito bem como os instrumentos vão servir pra fazer com que a gente consiga escrever um projeto. Mas a cada semana vemos que a maneira como os instrumentos são trabalhados, sempre de forma prática, fazem com que a gente pense cada detalhe do projeto, estimulando nossa autonomia. Faz toda a diferença. Eu participei do ciclo no ano passado, e este ano estou me apegando muito mais à metodologia pra chegar com tudo na banca, e desta vez, ter o meu projeto premiado com os 10 mil”, completou Kethelen.

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