Expectativas e Redes: pré-banca em Santa Cruz

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Os meninos do Favela Fight em concentração antes das apresentações começarem.

O quintal gramado da capela de CEB Santa Veridiana é grande. Satisfaz os passos e os olhos até mesmo em dias de chuva, como no último sábado. Ao entrar pelo portão do local onde acontecem os encontros da Agência de Redes para Juventude em Santa Cruz, no breve caminho entre o gramado e a capela, não se imagina o tanto de coisas que pode estar acontecendo lá dentro. Jovens de diferentes personalidades se preparando para o trabalho em equipe, expectativas e ansiedade por parte de todos para apresentações das ideias para convidados super gabaritados do território. A sensação é de que as ideias estão tomando forma e podem finalmente virar realidade, redes e parcerias para desenvolvimento de projetos no território de Santa Cruz sendo estabelecidas. O dia de pré-banca é assim, intenso.

Mas, com um quintal daqueles, não é só do lado de dentro da sala que acontecem coisas. Quem assistiu à apresentação dos meninos do Favela Fight, projeto de aulas de artes marciais no Cesarão, não imaginaria que instantes antes eles, os cinco, estavam sentados a céu aberto, longe de todos os outros, num momento de concentração do grupo antes das apresentações começarem. Afinal, esses oito dias compreendidos entre de 26 de julho a 2 de agosto (dia da Banca) são decisivos para os jovens deste ciclo da Agência. É no mínimo compreensível que Wagner, Derik, Felipe, Vitor e Diego tenham sentido a pressão da última semana, instantes antes de apresentarem estavam discutindo se continuariam com o projeto ou não.

O time de convidados para a pré-banca: (da esquerda para a direita) Silvia, Katiuska, Camila, Binho, Alex, Mariana e Sandro.

Enquanto isso, os convidados que comporiam a banca chegavam. Sandro D’França, diretor da Cia Teatral Última Estação, Mariana Xavier, mobilizadora da ONG Ser Cidadão, Binho Cultura, escritor e criador da FLIZO, Camila Loren, estilista parceira da FLIZO, Alex Nanin, diretor teatral da Cia do Invisível, além de duas convidadas especiais de Santa Cruz, Silvia, artesã local e Katiuska, membro da Pastoral da Criança. Era boa expectativa desse time do que veriam ali. “Eu espero ver bastante coisa surpreendente, principalmente na área da cultura, porque a demanda de Santa Cruz é grande” dizia Mariana enquanto conversava com Sandro. “Ainda bem que a gente vai poder falar, porque nessa fase eles precisam da opinião de quem está de fora”, conta o diretor que estava empolgado por saber que poderia fazer considerações para os jovens sobre os projetos,

Falando em expectativas, por melhor que fossem as de Myllena Silva, jovem de 15 anos que tem um projeto de customização de roupas em parceria com Ruth Oliveira, ela não esperava receber tantas boas sugestões e já firmar uma nova parceria naquele dia. O projeto Custominação foi o último do dia a ser apresentar e um item em especial chamou a atenção da estilista Camila: as meninas pretendem usar uma Kombi estilizada para andar pela comunidade oferecendo suas roupas, como um brechó ambulante, além de ser também um carro de som, para ambientação do brechó e divulgação do trabalho. Camila considerou a Kombi o ponto chave do projeto, mas não deixou de ressaltar outros pontos, como a necessidade de estudo. “Tem que se dedicar, procurar cursos. Moda tem que ter design. Podem contar comigo”. Binho Cultura também reforçou a parceria com uma novidade. “Ano que vem a FLIZO vai fazer a primeira semana de moda da Zona Oeste e eu quero vocês lá. Então cola na Camila, estilista da FLIZO”.

Myllena apresentando seu projeto "Custominação".

Já os meninos do Favela Fight, depois da leve tensão no início do dia, decidiram apresentar seu projeto e seguir acreditando no seu desejo. Valeu a pena chegar até o final da apresentação e poder ouvir de Alex Nanin que eles, sendo jovens e espontâneos no jeito de falar, podem se tornar referência para a juventude da comunidade. Um projeto que ofereça aulas de luta para crianças e adolescentes no Cesarão, segundo Sandro D’França, seria muito bem vindo por diversos motivos, um deles é a valorização do seu território, “Tá mais do que na hora de a gente colocar Santa Cruz no mapa!”, diz Sandro, afirmando que iniciativas como essa, partida da juventude local, colabora no reconhecimento de Santa Cruz como uma região que produz e é potente.

Depois das apresentações os jovens ainda aproveitaram a presença de tantas pessoas experientes e continuaram conversando, recolhendo dicas, sugestões e críticas para o aperfeiçoamento dos seus projetos. O dia foi produtivo, até mais do que se podia esperar. Mas as expectativas não acabam por aí, só mudam de direção. Cada grupo está nos seus últimos dias de ajuste para o passo final do ciclo de estímulos.

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