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POTÊNCIA E IMPULSO NO ESPÍRITO SANTO

Ação de impelir, de lançar com força para algum lugar; O que incentiva alguém a fazer algo; estímulo, incitamento; Intenção natural que provoca uma ação ou a vontade de expressar sentimentos: Impulso. É o que dá nome ao projeto Impulso Jovem – Educação Empreendedora e Cidadã, criado pela Estação Conhecimento – Serra, de quem somos parceiros, com a metodologia A Prática da Potência. Trabalhamos com jovens de três favelas diferentes – Diamantina, Carapina Grande e Central Carapina -, desenvolvendo o processo criativo que vai resultar em ação.  

Danielly interage em um dos estúdios do Impulso com os colegas, a partir do instrumento Avatar | Foto: Naira Pinudo – AYA Fotonarrativas

Nossa coordenadora Veruska Delfino, que acompanha o projeto, aponta que a escuta e a atenção minuciosa ao desenvolvimento de cada um dos 100 jovens que participa do Impulso tem sido parte importante do processo: “A gente percebe o desenvolvimento deles mesmo com o processo ainda em andamento, desde  um jovem que não conseguia falar em público no primeiro dia e que hoje levanta e fala, sem medo de errar, até um jovem que passou a usar a internet como ferramenta pra aprofundar suas habilidades e seu projeto”, explica Veruska. Danielly Vitorino, do território de Carapina Grande, é uma dessas jovens. Durante os dois meses que passou no Impulso, ela já percebeu mudanças na forma de olhar para si e para o seu território: “Tem muita gente lá em Carapina Grande que se sente inútil, acha que não tem como ajudar em nada. Antes eu me via desse jeito, mas agora, depois do Impulso, vejo que posso mudar o meu dia a dia e a realidade à minha volta”, conta. 

O processo pelo qual Danielly está passando faz todo sentido dentro do desenvolvimento da metodologia, como pontua o mediador Stel Miranda: “O Impulso trabalha a promoção, o acesso, e o pertencimento, sabendo que só se pode trabalhar isso fortalecendo a potência da juventude e dos atores envolvidos com as ações e com o território dessa juventude”, reforça. E acrescenta: “São jovens que têm desejos, que querem consumir. Consumir arte, diversão, entretenimento, nem que tenham que construir isso. E esse é o grande barato: você começa a descobrir esses produtores que ainda não sabem que o são. E quando você descobre eles e os potencializa, eles trocam a ótica que tinham de si e do próprio território”, completa. 

Equipe do Impulso Jovem | Foto: Naira Pinudo – AYA Fotonarrativas

Outro processo fundamental que levamos da experiência da Agência de Rede Para Juventude para o Impulso é a formação de redes – tanto entre os próprios jovens, quanto entre os jovens e outros moradores das três favelas. Um exemplo disso é a relação entre Álvaro e sua mãe, Valdirene, que é dona de um restaurante. A ideia do jovem é trabalhar com a questão da alimentação dos moradores de rua, e ele pensa na possibilidade de aplicá-la junto com a mãe no restaurante: Eu já pensava nisso, mas com o Impulso, comecei a pensar de outra forma, me aprofundando metodologia”, afirmou Álvaro. 

Álvaro atento à explicação sobre o Abecedário, instrumento da metodologia | Foto: Naira Pinudo – AYA Fotonarrativas

O desenvolvimento de projetos como o de Álvaro é crucial num território como Serra, que abriga uma das taxas de  homicídio mais violentas do país. O Atlas da Violência 2019, levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que Serra foi um dos 120 municípios brasileiros que acumularam 50% dos homicídios estimados em 2017, com uma taxa 65,2 homicídios a cada 100.000 habitantes. O trabalho do Impulso nesse contexto é justamente o de criar novas narrativas pra esse território, estimulando as potências que existem ali. Era isso que a Vale e a Estação Conhecimento – Serra, parceiras da Agência na implementação da metodologia no Espírito Santo, buscavam na formulação do projeto: “Tomamos cuidado pra não ficarmos na posição de levar para os territórios aquilo que nós considerávamos importante. Ao contrário, queríamos escutar as demandas dos jovens e dos territórios e pensar em como poderíamos acrescentar nesse sentido”, explica Andressa Azevedo, gerente de sustentabilidade da Vale do Espírito Santo. 

O diferencial da Agência, e agora do Impulso, é essa abordagem, essa imersão de dentro pra fora. É isso que tem motivado a outra mediadora do projeto, Gabriela Santos: “Existem vários projetos sociais aqui na Serra, mas um projeto como o Impulso, voltado para o processo criativo e para o desenvolvimento das ideias dos jovens, mostrando que elas são possíveis, me motivou muito”, diz. Ela conta que ao longo dos últimos anos já tem visto um processo de mudança nos territórios em que o Impulso atua, e que agora a esperança é ainda maior: “Eles estão me fazendo acreditar que é possível”, completa. 

Por Yael Berman, da Agência de Redes Para Juventude, e Mylena Ferro, do Impulso Jovem

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