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Encontro entre formadores de opinião

Nesta manhã de sábado, aconteceu o encontro entre jovens da Agência de Redes para Juventude, ativistas culturais e editores de jornalismo da Globo News.  A conversa faz parte do workshop para jornalistas do canal sobre a “nova classe média”. A reunião de pessoas tão diversas evidenciou a importância de novos espaços de troca e levantou questões sobre o papel do telejornalismo na abordagem de diferentes realidades.

Marcus Faustini, coordenador da Agência, proprôs diferente disposição do espaço da sala. Misturou a equipe da Globo News com as equipes e os jovens da Agência. Logo depois, pequenos grupos de conversa foram estabelecidos. Por coincidência, Juliana Almeida, do projeto de meio ambiente Estação Rociclagem, sentou-se com Klara Duccini, produtora e editora do programa Cidades e Soluções. Juliana assiste com frequência ao programa e  ressaltou que as iniciativas das favelas cariocas sobre o meio ambiente precisam aparecer mais.

Nestes grupos, várias situações de jovens da favela surgiram como um panorama de uma realidade em reconstrução. No grupo composto por Vera Iris Paternostro, gerente de desenvolvimento de jornalismo da TV Globo, Eduardo Batista, da Maneh Produções e Carolina Meirelles, do Conexão Cultural a discussão foi em torno da capacidade do jovem de garantir a sua existência trabalhando no território.

“A ideia de trabalho é aquela de ter carteira assinada”, diz Carolina, mas somente com a possibilidade de desenvolver um projeto em sua comunidade que ela pôde descobrir outras potências do território. Foi assim que conheceu dona Tuca, pintora e musicista da Cidade de Deus, que morava em frente a sua casa, mas que até pouco tempo não conhecia.

Dos ativistas culturais presentes, o cineasta Wagner Novais destacou que uma nova geração está surgindo para ocupar espaços de protagonismo no país, capaz não só de ter um bom emprego, mas de “trabalhar no seu campo cognitivo”, afirma com empolgação o diretor. Leandra Perfects, mediadora das principais redes do Passinho na internet, mostrou que a grande rede é um poderoso meio comunicação e mobilização das periferias.

Em comum, os dois fazem parte de um movimento audiovisual nascido nas periferias. “É o resultado das lan houses”, destaca Faustini, analisando o clipe da música Passinho do Volante (“Ah, lelek, lek, lek…“) de MC Federado e Os Leleques, exibido no encontro. A juventude criou um modo de produzir e consumir produtos audiovisuais. Um elemento importante para ser aprendido por produtores de conteúdo televisivo. Não só emergem novas formas de consumo ou de estilo musical: existem novos discursos audiovisuais reproduzidos em novas janelas, como neste caso do passinho, na internet.

Faustini destaca que “Classe C” é “um fenômeno que passa mais por atravessamentos culturais do que somente pelo empoderamento de consumo”. No jornalismo, se apresenta um desafio: como contar novas histórias, de maneiras diferentes, sem tratar somente como pauta, sem nenhuma integração. “Tratar os assuntos como uma notícia, sem etiquetar ninguém como ‘classe média’ ou ‘pobre'”, afirmou Cristina Aragão, editora executiva da Globo News.

Igor Melo, Welbert Coni, Wagner Novais, Cristina Aragão e Carla Moreyra conversam sobre o cotidiano da juventude na Cidade de Deus

O objetivo desses encontros, de acordo com Eugenia Moreyra, diretora do canal, “é fazer com que o veículo deixe de ser janela e vire ponte”. Afinal, “a televisão é composta por pessoas”, completa Renée Castelo Branco, editora-chefe do programa Sem Fronteiras. Para isso, os jornalistas precisam incorporar realidades diferentes das suas e criar novos formatos para novas histórias.

Os desafios da comunicação são os mesmos desafios de toda sociedade: saber reconhecer o que é diverso em sua integridade para garantir direitos. A televisão, tanto a aberta quanto aquela por assinatura, tem tentado inovar na linguagem e no conteúdo principalmente através do reconhecimento de um novo perfil de audiência. É interessante que o jornalismo também entre nesta tarefa. Como disse Carol Campos, do projeto A História dos Outros, “pra agregar, tem que ser avassalador”.

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