Encontro de parceria: Jovens criadoras do Cine Batan visitam o Ponto Cine.

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Encontro de parceria: Jovens criadoras do Cine Batan visitam o Ponto Cine.

Na manhã do dia 15 de outubro, Bruna Alves e Letícia Alves, duas das criadoras do Cine Batan foram até o Ponto Cine para se encontrar com produtores do lugar. O encontro teve o objetivo de aumentar o repertório sobre o mercado audiovisual, buscar dicas e inspiração na história do espaço que hoje é -assim como deseja ser o primeiro cineclube do Batan -referência como exibidor de filmes nacionais.

A ideia de criar o Cine Batan teve origem na percepção do baixo acesso às salas de cinema entre os moradores do Batan e região. Desde então, o grupo que Letícia e Bruna fazem parte começou a planejar como levar o cinema pra dentro do Batan e, indo além, como levá-lo para dentro da casa dos moradores.

— Um cineclube tem objetivo pedagógico, por exemplo. Ele não lucra. É um espaço de aprender sobre cinema. — Janine Moraes, produtora do Ponto Cine, iniciou a conversa com essa explicação.

Junto de Janine, o produtor William Fernandes também participou desse encontro. Para William, os feitos que um cineclube é capaz de provocar não tem como serem medidos. O Ponto cine, além do reconhecimento nacional e formação de público, contribuiu para a melhoria estética e funcional do bairro Guadalupe, onde fica localizado.

— O cineclube tem essa possibilidade de vocês estarem sempre exercitando um novo olhar. Imagine chegar para uma moradora do Batan de 50 anos que tá acostumada a ver a vida inteira aqueles filmes de romance americano e você apresentar algo diferente. — disse William.

Bruna, Letícia foram acompanhadas pelo universitário da Agência de Redes.

Cine Batan está na fase desencubadora da metodologia da Agência de Redes, a fase final de formulação do projeto e de pré-produção. Foram planejadas dez sessões: duas em lugares públicos da comunidade e oito na casa de moradores. Todas abertas ao público e sem cobrar ingresso.

Uma das maiores dúvidas das meninas sobre realizar um cineclube era sobre as permissões necessária para exibir um filme e foi esclarecida pelos produtores.

— Tem vários filmes que não estão em circuito e se você entrar em contato com os diretores ou produtores eles terão o maior prazer em mandar [uma cópia do filme]. A exibição não é maior complicador [em um cine clube]. — avaliou William, que foi complementado por Janine explicando que, pelos cine clubes não cobrarem ingresso e serem exibidos em círculo fechado, exibir não será um problema.

Um outro ponto mostrado para a dupla do Batan é a real importância que deve se dar ao público.

— Uma coisa que aqui é fundamental para a gente, e vocês podem levar isso, é o respeito ao público. Independente do número de pessoas que participe…exiba. A gente exibe para uma. Esse é um dos segredos para atrair o público. Essa uma pessoa quando sai, sai muito feliz, se sentindo o máximo. — refletiu o produtor William.

— É importante manter um trabalho periódico para vocês irem criando um nome. Para que as pessoas vejam que aquele trabalho tem uma continuidade, é sério, tem um público e tá ajudando a modificar a realidade ali para melhor. Uma coisa boa também é promover debates sempre porque a função do cine clube é essa. — esclareceu Janine.

— Quando a gente começou a ideia, a gente quis diferenciar um pouco e veio a história do debate.  A nossa inauguração vai ser dia 31. Vai exibir o filme “A Batalha do Passinho”, o diretor e dois meninos que dançam no filme vão lá fazer um debate e no final vai ter nossa festa de inauguração. — contou Bruna.

Para que o cineclube seja um espaço que entre para agenda dos moradores e alcance um lugar na memória afetiva do Batan é preciso que sejam realizadas ações que façam os moradores se sentirem parte do cine clube e da história do cinema.

— É legal pegar o povo do Batan e mostrar o que tem de realidade fora, pelo mundo, mas também é legal que as pessoas se vejam na tela do cinema. É legal que as pessoas vejam que o passinnho chegou na tela do cinema, que é uma coisa que a molecada todo faz. Todo mundo dança passinho e o passinho dá cinema, faz o cara ser artista. (…) Essa geração esta completamente ligada na internet, celular, tudo vira vídeo e vocês podem usar isso para transformar a molecada moradora do Batan em cineastas. — William chamou atenção para as ações que podem incentivar a criação da juventude local.

Letícia e Bruna com a lista de títulos que o Ponto Cine vai disponibilizar para o Cine Batan.

As jovens saíram do encontro levando pôsteres de filmes nacionais para divulgação de suas sessões, uma lista com títulos que o Ponto Cine vai disponibilizar para compor a grade do Cine Batan, além de um novo contato: uma escola do bairro para ser parceira local.

Ao fim do mês de outubro o projeto terá sua sessão de inauguração na quadra do Fumacê, marcando o início de mais uma ação criada e executado pelos jovens de periferia. Vem muita coisa boa por aí.

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