Encontrão de avatares e ideias

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No último sábado rolou mais um encontrão da Agência de Rede para Juventude! Todos os núcleos da Agência se reuniram na Arena Jovelina Pérola Negra, na Pavuna, para um dia de inspiração a partir de palestras, shows e avatares, um instrumento da metodologia que revela as diferentes posturas e personalidades que cada pessoa pode assumir num grupo.

Para começar a pilhar as ideias dos jovens, o Sebrae está fazendo uma série de bate-papos sobre experiências empreendedoras de periferia. Romario Regis, da Agência PapaGoiaba, foi o convidado do dia e  falou sobre seu trabalho de comunicação em São Gonçalo. Da sua cidade já saíram o rapper Black Alien, o circo Crescer e Viver e, claro, Claudinho e Buchecha. Depois do esvaziamento econômico dos anos 80, o município se reinventou através da associação de moradores e da cena cultural. Foi pensando em impulsionar e dar maior visibilidade a essa cena e aos projetos ali criados que surgiu a PapaGoiaba. Romario ressalta a importância da cultura digital como ferramenta para desenvolver e impulsionar suas ideias. “É difícil, primeiro, você precisa criar um objetivo final, o que você realmente quer, e ter gás pra seguir em frente, por isso, você precisa de muita pesquisa, e bons companheiros de trabalho.”, disse Romario sobre os desafios do empreendedorismo.

Depois desse momento, rolou as orientações sobre os avatares. “Um projeto precisa de personalidades diferentes, ou seja avatares diferentes como o desbravador, o colaborador, o questionador…”, disse Marcus Faustini. “Avatar é a possibilidade de você assumir várias formas. Além de ser é estar” definiu Ana Paula Lisboa. O avatar tem objetivo de mostrar que não só funções são necessárias, mas também personalidades distintas são fundamentais para compor uma equipe.

Avatar, show e bate papo sobre empreendedorismo bombaram as ideias dos jovens

Para finalizar a programação da manhã, Petter MC – cantor, produtor audiovisual e também tutor da Agência – realizou um pocket show, em parceria com Cristiane Oliveira. A performance de rap foi sobre o que é o Brasil na visão de quem está de fora e sobre a realidade das pessoas que vivem no país.

Na parte da tarde, cada núcleo ocupou um espaço diferente da Arena, para a experimentação dos avatares em seus projetos. A dinâmica começou com todo mundo experimentando usar um avatar de acordo com uma situação hipotética. “Vocês estão num ônibus, indo ver um jogo do Brasil, quando de repente o ônibus quebra. O que vocês fazem?”. Essas foi a situação que a mediadora Renata Di Carmo, da Cidade de Deus lançou para o grupo. As reações dos jovens, segundo seus avatares foram: Desbravador — “Sem preguiça, vamos todos andando!!”; questionador: “Mas nem sabemos porque o ônibus não está funcionando, pode ser que ele volte a andar a qualquer minuto…”; realizador — “Devíamos todos rachar um táxi.”; colaborador — “Porque não assistimos o jogo no meu celular?”; neutro — “A vamos sair logo desse ônibus e pedir carona na rua”.

Fernando Motta, de 17 anos, do grupo Rappercussão, da Rocinha, identificou-se de cara com o avatar realizador.  “Eu me sinto muito mais criador”, explica Fernando quando perguntado sobre a sua escolha. Lembrando que os avatares não precisam ser sempre os mesmo, variam de acordo os sentimentos dos jovens, se agora Fernando é um realizador no Rappercussão, pode ser que amanhã ele seja desbravador, feliz, ou qualquer um outro.

No núcleo Pavuna todos os 6 tipos de avatar foram encontrados. “Eu me considero questionadora, mas entendi que não preciso assumir esse avatar necessariamente sempre”, diz Glauci, que percebeu a flexibilidade do uso dos avatares e a importância disso para o trabalho em conjunto”, disse  Glauci Assis, de 20 anos, do Urban Art (aulas de dança e fotografia relacionando as duas práticas).

Andreza Lima, de 27 anos, do grupo Cine Batan, se identificou como desbravadora. “Os avatares ajudam muito. A gente pode saber como cada um está naquele dia, isso ajuda a trabalhar”.

Allan Jorge, do núcleo Centro, viu no avatar questionador uma forma de identificar sua atuação dentro do seu projeto de comunicação, A Maré Vê, concebido junto com Fábio Lohan, de 16 anos. Allan comenta que o projeto pensa em ser uma mídia on line, presente em várias redes sociais, em que os moradores da Maré possam acessar diferentes tipos de notícias, divulgações de projetos e agendas de forma mais descontraída. Por essa razão e por aspirações jornalísticas, Allan se autodenomina como questionador, e essa identidade acaba por compor a essência de seu projeto. “Dizem que pareço outro [avatar], mas gosto mais de observar e fazer análise… Às vezes sou desbravador e realizador também”.

Alexandre Hryhorczuk, mediador do território de Santa Cruz, percebeu que houve um bom entendimento por parte dos jovens sobre a ideia do avatar.  Uma utilização que chamou a atenção do mediador foi quando os jovens ressaltaram o avatar neutro, principalmente porque a imagem desse avatar se parecia muito com um dos jovens do território. Como uma espécie de coringa, o avatar neutro poderia representar qualquer um deles,  permeando vários estados do grupo.

Em grupo, cada núcleo experimentou os avatares a partir de uma situação. Depois, cada grupo pensou os avatares em seus projetos.

A trajetória dessa galera continua nos próximos sábados, na consolidação e amadurecimento de suas ideias e ações na cidade.

 

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