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Encontrão da Agência no Cinema Nosso

por André Emidio e Sandro Henrique

O encontrão do último sábado (01/11) da Agência de Redes para Juventude saudou o início do mês de novembro com a potência realizadora do jovem de periferia. O encontro reuniu equipe e bolsistas da Agência, dessa vez no Cinema Nosso, para um bate-papo sobre experiências empreendedoras – iniciativa em parceria com SEBRAE – com Luis Carlos Nascimento e também para um workshop com a equipe do edital Comunica Diversidade, do Ministério da Cultura (MinC). Foi um dia com troca de ideias entre pessoas que realizam na cidade e sobre processos que ampliam o direito de pensar e agir em seu território. 

Marcus Faustini iniciou o papo com os jovens na sala de cinema da escola chamando atenção para os projetos que acabaram de ser inaugurados, processo que vem acontecendo nas últimas semanas e concretiza a reta final do ciclo da Agência. A ideia é mostrar a importância da relação que projeto precisa estabelecer com as pessoas que participam das ações como ações chaves para o progresso e continuidade do projeto.

O primeiro a inaugurar seu ciclo de ações foi o Cine Batan, das meninas Thaina de Moraes, Mônica Portella, Letícia Alves e Bruna Alves, o primeiro cineclube das comunidade Batan e Fumacê. Foi um dia de muita correria e muitos garotos lá da comunidade viram a gente trabalhando na inauguração e ofereceram tudo que a gente precisava” contou Bruna sobre os preparativos do dia, que contaram com idas no mercado e ao salão de beleza. A primeira sessão levou o filme A Batalha do Passinho, do diretor Emilio Domingos, que estava lá presente para conversar com as mais de 120 pessoas presentes na Quadra do Fumacê. “A agência me fez perceber que o jovem de hoje em dia é capaz de pensar muito além do Facebook. Uma coisa é você estar escrevendo publicações no Facebook, outra é você estar aqui com o microfone na mão discutindo sobre seu projeto”, complementa a jovem sobre sua sensação de colocar uma ação na rua.

 

Luis Carlos Nascimento fala sobre sua trajetória, desde de quando trabalhou como office-boy até a criação do Cinema Nosso.

E assim o cinema foi guiando o papo sobre a criação de iniciativas de impacto na cidade. Luis Carlos Nascimento, cineasta e presidente do Cinema Nosso, contou um pouco de sua história. Nascido em Inhaúma, ele já trabalhou como office-boy, vendedor de plano de saúde, auxiliar de lojas até que em 2002, integrou o elenco do filme Cidade de Deus.

 

Logo após as filmagens, a escola foi fundada por Luis com o objeto que oferecer uma instituição que formasse jovens cineastas de origem popular e os incentivassem a não só fazer cinema, mas também a refleti-lo. Já são mais de dez anos de atividades, com diversos curtas realizados e turmas nas áreas de edição, fotografia, roteiro, além de uma atividade cineclubista em sua sede, que conta com uma sala de cinema com capacidade de 60 lugares.

Depois do almoço, os bolsistas partiram para a segunda parte do Encontrão com Ana Lúcia Pardo e Karina Miranda numa conversa sobre o Edital Comunica Diversidade – Edição Juventude. O processo de seleção vai premiar com R$ 14.000,00 um total de 60 projetos encabeçados por jovens criadores na área de comunicação e é uma parceria entre o Ministério da Cultura, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Fundação Universitária José Bonifácio. 

 

Karina Miranda e Ana Lúcio Pardo conversam com os bolsistas da Agência sobre o edital que vai premiar com R$ 14 mil reais ações de comunicação feitas por jovens.

 

Esse momento é bastante importante para os bolsistas da Rede Agência, tanto para os que estão na Desencubadora, com seus projetos saindo da fase de planejamento e entrando em execução, quanto para aqueles que já passaram por vários ciclos de ação e encontram-se em fase de consolidação. A equipe de redes da Agência tem a missão de ampliar capacidade de criação deles por meio de premiações, investimentos, parcerias e patrocínios, de forma a intensificar o protagonismo deles na cidade. Através da inscrição em editais como esse intiga-se a reflexão e a aproximação das ideias dos jovens com repertórios do mundo – uma das linhas da metodologia da Agência.

Segundo Karina Miranda, da coordenação de comunicação do MinC, a função desse edital é dar visibilidade às iniciativas da juventude “para que se valorize, conheça e fomente o que a juventude está fazendo e o quer fazer.” Esse é um avanço para quem luta pela descentralização do fomento cultural, porque tem um método fácil de inscrição e foi pensado para pessoas físicas de 15 a 29 anos. Segundo Hanier Ferrer, coordenador da equipe de redes, isso se dá principalmente “porque ele [o edital] trabalha com CPF, permite a inscrição de jovens que não são formalizados. Não é só para a classe média. É um passo para estar mais próximo da sociedade civil e entender a necessidade dos jovens.”

Após um dia completo de imersão em histórias e dicas sobre como ampliar seus projetos os jovens da Agência de Redes para Juventude tiveram muitos acréscimos em seus repertórios e, como observou Ana Lúcia Pardo, “estão ainda mais envolvidos nos fazeres culturais” e na criação de uma nova cidade e um novo lugar para o jovem de periferia.

 

 

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