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É POSSÍVEL

foto: Matheus Beserra

13 líderes, 39 territórios, 80 casas, 1600 jovens debatendo e duas urgências: promover mudança na educação e na segurança pública do Rio de Janeiro.

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É possível mobilizar a juventude de favela do Rio de Janeiro para falar de política. Entre 28 de novembro e 28 de abril a Agência realizou o Festival Todo Jovem é Rio, que mobilizou 1600 jovens, em 80 casas de 39 comunidades do Rio para debater sobre política, cidade e direitos.

Foram duas jornadas de encontros dentro das casas de periferia. Ao todo, 13 jovens participaram de uma formação de liderança oferecida pela Agência. Esses jovens produziram e lideraram os debates, além de mobilizarem o público da região junto com os anfitriões que selecionaram.

 

COMO QUEBRAR ESSE PENSAMENTO?

Dentro da metodologia dos encontros, provocações eram feitas para nortear os debates. Nas primeiras 40 casas, lançamos a questão “é possível que alguém que vem de favela assuma a prefeitura do Rio nos próximos 20 anos?”, e os participantes elencaram pontos positivos e negativos dessa candidatura hipotética. Os três pontos negativos que mais surgiram nas conversas com os jovens foram levados para outras 40 casas, na segunda jornada do Festival. Dessa vez, fizemos a pergunta: “como quebrar esse pensamento?”.
Não será capaz de pensar a cidade toda; sofrerá preconceito por vir de favela; Quem é da favela vai duvidar se o compromisso com elas vai continuar depois da eleição. O desafio era pensar em estratégias para quebrar esses três pensamentos muito comuns entre a população.

Uma das soluções que os jovens apresentaram para as questões foi a de criar mandatos com mais participação do povo e da juventude, de forma que a representatividade dos territórios populares seja garantida no governo da cidade. “É importante também que essa chapa tenha um porta-voz em cada canto da cidade, tenha lideranças comunitárias para passar para o prefeito tudo que acontece em cada território.  Além disso, que o próprio prefeito ou prefeita circule pela cidade, que não faça isso só no período das eleições para conquistar votos segurando bebês”, observou Carla Cristine, de 17 anos, moradora do Cesarão, durante um encontro do festival que aconteceu na Favela do Aço.

 

O QUE MAIS ATINGE A VIDA DO JOVEM DE PERIFERIA?

foto: Matheus Beserra

Outra provocação era feita: “o que mais atinge a minha vida?”. Na primeira jornada do festival, os jovens escreveram sobre um corpo desenhado num cartaz as necessidades que existem nos seus bairros e favelas. Na segunda jornada, separamos os pontos que mais apareceram para serem discutidos: segurança, educação, emprego, fomento ao empreendedorismo, saúde, arte e cultura, mobilidade e lazer.

Dentre os oito pontos, cada jovem votou em dois que considerava mais urgentes no seu bairro.

O tema da segurança (com 32,5% dos votos) e o da educação (27,5%) foram considerados pelos jovens como mais urgentes para a cidade.

Além da violência por armas de fogo e assaltos, a discussão sobre os assédios contra as mulheres estiveram presentes na maioria das reuniões. Durante um encontro no Batan, a jovem Evelyn Falcão (22), anfitriã do dia, trouxe um relato pessoal para o grupo: “eu tive que escolher entre assédio verbal ou ser assaltada e provavelmente estuprada”, disse ela sobre um episódio em que desviou de um caminho por medo de um possível assaltante e escolheu andar ao lado de um assediador. “Teu corpo na rua é política o tempo inteiro”, declarou Jéssica Santos, 27, moradora do Batan, na mesma reunião.

Educação foi um dos pontos mais votados na casa de Matheus Theobaldo, na comunidade do Dreno (Santa Cruz). “O ensino médio foi feito para ratificar e manter a máquina funcionando, sendo essas máquinas os alunos, principalmente os pobres” disse Phelipe Gomes (21), morador de Santa Cruz. O jovem completa: “a faculdade pública não é para pobre”. De Santa Cruz à Rocinha os jovens observam a falta de investimento em educação e na formação continuada dos professores da rede pública de ensino.

 

É APENAS O COMEÇO…

foto: Paulo Rhasta

Brindamos  – dentro de 80 casas diferentes –  a capacidade de discussão da juventude popular carioca. Chegamos ao fim dessa jornada ainda mais confiantes e com uma certeza reafirmada: não haverá renovação política sem a participação dos jovens de favela.

O Ciclo 2018 da Agência será desenvolvido a partir da experiência do Festival Todo Jovem É Rio. Dentre os 1600 jovens envolvidos no debate, foram selecionados 75, divididos em 3 núcleos, para pensarem em ideias dentro dos temas de segurança e educação.

O ciclo de estímulos começou em maio, em Santa Cruz [núcleo ZO 1], Batan [núcleo ZO 2] e Pavuna [núcleo ZN]. As melhores ideias irão compartilhar um prêmio de 30 mil reais para serem executadas até agosto.

#TODOJOVEMÉRIO

Esse texto foi escrito com a colaboração das relatoras voluntárias Klaysa Borges, Cássia Bittar, Jéssica Galdino e Luara Miranda.

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