DO PARA-PEDRO À VILA KENNEDY, JOVENS E ADOLESCENTES DE TERRITÓRIOS PERIFÉRICOS REAFIRMAM QUE DIREITO NÃO É FAVOR

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DO PARA-PEDRO À VILA KENNEDY, JOVENS E ADOLESCENTES DE TERRITÓRIOS PERIFÉRICOS REAFIRMAM QUE DIREITO NÃO É FAVOR

Thavin, adolescente que participa do Geração que Move, contribui com a ação Direito não é favor na favela do Para-Pedro, em Colégio

O nome da ação é categórico: Direito não é favor. Mas, a realidade encontrada por jovens e adolescentes moradores de favelas e periferias muitas vezes é outra. O acesso a direitos fica ainda mais escasso se consideradas as barreiras para acessar um direito primordial: o direito à informação. “Tem coisas que a gente passa, mas a gente não sabe por que a gente está passando. Às vezes é um simples detalhe e a gente pensa que é o maior problemão. [O projeto Geração que Move] me deu tipo um ‘acorda, jovem!’, ‘desperta, jovem!’. Me despertou, né?”, refletia Jean Gustavo dos Santos, mais conhecido como Thavin, enquanto colava lambe-lambes no muro da favela do Para-Pedro, onde mora.

Em curso entre fevereiro e março, a ação é fruto das formações do Geração que Move, uma parceria entre o UNICEF e a Agência de Redes para Juventude que tem como objetivo debater os direitos de jovens e adolescentes. Como resultado, os dez líderes do projeto e outros 40 adolescentes mobilizados por eles criaram lambe-lambes com frases abordando as dificuldades deles para acessar direitos nas mais diversas áreas. “Ter um posto de saúde no meu bairro não deveria ser encarado como um favor”, diz um dos lambes. Outros chamam atenção para a falta de acesso à educação, segurança ou cultura, como o criado por uma adolescente moradora da favela do Aço, em Santa Cruz: “Ter equipamentos culturais dentro do meu território e conseguir acessá-los é um direito que me é negado”.

Cesar Varella cola lambes no muro da Escola Municipal Deputado Hilton Gama, onde estudou

Além do Aço e do Para-Pedro, outros quatro territórios das zonas Norte e Oeste receberam a intervenção: Pavuna, Guadalupe, Vila Kennedy e Cesarão. A escolha desses locais foi pautada na circulação de pessoas – principalmente de jovens e adolescentes que possam ser impactados pelo o que virem nos muros. Para isso, os líderes do projeto se conectaram com parceiros locais, como associações de moradores e escolas públicas das regiões. “A gente tem um carinho muito grande por projetos que tenham ex-alunos, como o Cesar [jovem líder do Geração que Move]”, diz João Paulo Moço, diretor da Escola Municipal Deputado Hilton Gama, na Pavuna. Ele ressalta a importância de ceder o espaço para incentivar a descoberta de direitos. “É importante que o jovem, em primeiro lugar, conheça seus direitos, e que tenha consciência de que ele tem um lugar no mundo. Ele precisa saber que tem seus direitos e que eles precisam ser respeitados para que ele possa transformar esse mundo”, pontua.

Rafael Costa tem 17 anos, mora na Vila Kennedy e enxergou na ação essa possibilidade. Ele descobriu a página @direitonaoefavor_rj no Instagram, se interessou e fez contato. Terminou participando como voluntário da colagem de lambes no muro da Escola Municipal Marechal Alcides Etchegoyen, perto de sua casa. “Eu nunca parei pra pensar sobre os meus direitos de estudante, de adolescente. Foi agora, nessa ação, que comecei a refletir bastante sobre os meus direitos, meu posicionamento, meu lugar no mundo. Para assim começar a lutar pelos meus direitos e os dos outros também”, diz o jovem.

Rafael Costa (à esquerda) participa da ação Direito não é favor na Vila Kennedy, Zona Oeste

Quem também se sentiu encorajado a correr atrás de seus direitos foi Thavin. Aos 18 anos, ele ainda não tinha documento de identidade. Isso o impedia de tirar outros documentos, e por consequência, de exercer seus direitos. “Quando eu nasci, colocaram o nome da minha avó errado na minha certidão. Por isso, quando fui tirar a identidade, não aceitaram. Precisei fazer um processo de retificação, que demorou mais de quatro meses. Eu fiquei muito tempo sem arrumar emprego, sem estudar, sem fazer as coisas, porque não tinha a identidade. Me sentia um indigente”, conta. Mas, estimulado pelos debates do Geração que Move, conseguiu mudar a situação. “Eu comecei a pesquisar e conheci uma coisa muito boa que é a internet. Durante o andamento do projeto consegui tirar todos os documentos. Foi uma melhora pra mim e uma melhora que eu consigo explicar pro próximo que isso faz a diferença”, conclui.

As vozes de jovens e adolescentes como Thavin agora ecoam pelas ruas de favelas e periferias do Rio e também pelas redes que alcançaram Rafael. Que cheguem a cada vez mais territórios e que alcancem cada vez mais jovens, reafirmando para eles, para gestores públicos e para a sociedade que direito não é favor.

Durante a participação no Geração que Move, Thavin buscou mais informações sobre seus direitos, e agora espalha para outros adolescentes

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