Complexo da União

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“Esse é o bonde da “Agência”
Que fecha lá no Caluste
discutindo a cidade, cheios de atitude
Expandindo as nossas “Redes” 
para toda a “Juventude”
Porque nós Acreditamos,
Chega junto, vem e lute! 
Junto com mano Faustini
E os universitários
Transformando os territórios
É o “Centro”, tá ligado!

 

Essa música foi composta pelos próprios meninos e meninas a caminho da Arena Jovelina Pérola Negra, na Pavuna, para curtirem a aula inaugural do segundo ciclo da Agência de Redes para Juventude. O ponto de encontro foi no Centro de Artes Calouste Gulbekian.

O núcleo Calouste é formado por jovens de 16 comunidades com UPP do Rio de Janeiro (Complexo da Penha, Complexo do Alemão, São João, Fallet, Macacos, Andaraí, Mineira, Tabajaras, Turano, Mangueira e Babilônia). A relação desses jovens com a Pavuna era diferente, mas no geral, ninguém nunca tinha ido ao bairro. “Fica perto de São João (de Meriti)” disse Larissa Gonçalves, do Complexo do Alemão.

Igor Soares e Yan Costa, moradores do morro Tabajaras, nunca tinham ido à Pavuna. “É como se sentir perdido num lugar que se conhece”, disseram eles que sabiam da existência da Pavuna através do mapa do metrô. Por outro lado, Taís Porto, moradora do morro São João, já tinha atravessado a Pavuna para chegar em Padre Miguel, onde participou do compeonato Taça das Favelas.

Kauane Freitas, do Tabajaras, veio acompanhada da mãe, Patrícia Freitas. Tão empolgada quanto a filha, Patrícia estava animada com a aula inaugural, pois seria uma oportunidade para filha interagir com pessoas diferentes. Esse momento lembrava a ela seus momentos de juventude, quando, segundo ela, eram mais comuns encontros de jovens, em matinês ou gincanas.

Patrícia destaca que a grande diferença entre o Tabajaras e a Pavuna era a paisagem da janela: na primeira avista-se o mar, na segunda, um mar de casas.

Por volta de 9h da manhã, partimos para Pavuna. A viagem não poderia ter sido mais animada. A universitária Ana Malheiros puxou o bonde da apresentação e cada um disse seu nome e comunidade onde mora.

Assim que chegaram na  Arena Jovelina Pérola Negra os jovens ganharam um kit com bolsa; caderno; caneta; adesivo e cordão. Além de um lanchinho reforçado, para felicidade de todos.

A agitação era evidente. Muita gente junta, curiosa e animada. E eis que, de repente, um dos grupos começou a puxar uma música, exaltando sua comunidade. E aí contaminou todo mundo! Foi cada grupo fazendo rima e ritmo, defendendo sua comunidade e zoando os outros agenciados. Foi uma disputa saudável e muito divertida, bem longe de criar inimizades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E enfim, começa a aula inaugural, apresentada pelo ator Leandro Santanna, mediador da Agência em 2011. Também participaram da festa Valquiria Ribeiro, presidente do Avenida Brasil Instituto de Criatividade Social (comparações com a novela foram inevitáveis por parte do jovens); Marcus Faustini, coordenador da Agência, e da convidada Eliane Costa, que durante nove anos foi responsável pela gestão da política cultural da Petrobrás.

Acredito que tenha sido o primeiro momento em que os jovens se deram conta do que o projeto é e poderá ser para eles. A fala de Faustini não poderia ser mais instigante. A Arena se encheu de gritos ao ouvir dele que o jovem da favela não é carente e sim potente. Essa frase desconstrói a imagem usualmente narrada na cidade e deixa clara as novas possibilidade de ser jovem na cidade.

E para garantir de vez essa potência o batismo dos cordões aconteceu. É um ritual de passagem em que cada jovem se torna, enfim, um agenciado. E para comemorar: show da MC Sabrina!

Depois dessa chuva de informação e inspiração, Suelen de Aguiar estava animada. Conhecer os projetos em andamento lhe deu mais coragem para continuar. A possibilidade de união entre as comunidades é um elemento primordial no seu projeto de turismo no Andaraí: estimular a visita às cachoeiras da localidade, que antes da chegada da UPP, era (e ainda é) pouco frequentada pelos moradores.

Na volta para casa, todo mundo estava um pouco cansado. Acordar sábado de manhã e gastar suas energias nessa grande festa que foi a aula inaugural não é pouca coisa. Mas o ônibus levava de volta para casa pessoas que começam a trilhar novos caminhos.

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